O PRESIDENTE LULA ACHA QUE UM BRASIL AINDA DEVASTADO PODE VIRAR "PAÍS DESENVOLVIDO".
Lula está tomado de muita ansiedade política. Aparentemente, ele deseja tudo de tudo, o que não significa que possa realmente fazer tudo pelos brasileiros. Sua adesão tardia ao movimento pelo fim da escala 6x1 no trabalho é um exemplo, pelo qual o petista age como se fosse pelo piloto automático, sem observar que há problemas trabalhistas em jogo, como a precarização e o trabalho 100% comissionado.
A própria pressão do bolsonarismo, mesmo em sua decadência devido a episódios recentes, como a doença de Jair, a prisão de Carla Zambelli e o envolvimento dos irmãos Bolsonaro, Eduardo e Flávio, no escândalo do Banco Master, já indica que nosso país está culturalmente devastado.
Na ansiedade, nem sempre se pode, quer ou decide fazer tudo. Às vezes prioridades são deixadas de lado, enquanto que decisões precipitadas e medidas de caráter secundário são postas em primeiro lugar. Lula deixou as pautas trabalhistas em última hora, enquanto, sem a menor necessidade, propunha planos de paz para Ucrânia e Rússia e para Israel e o povo palestino.
Divergindo dos dados do governo, a inflação cresceu e os preços, caros, de produtos e serviços, afligem e revoltam a população. Os impostos, muitos e também caros, foram impostos (olha o trocadilho) pelo governo para garantir o tal “déficit zero” das finanças públicas.
As convulsões sociais mostram que até para um país desenvolvido em condições problemáticas o Brasil anda muito precário. Ou seja, nosso país está problemático demais para ser sequer um país problemático de Primeiro Mundo.
Só os isentões de plantão, espécie de “mestres” dos idiotas da Internet, é que acham que o Brasil deveria primeiro obter o “diploma” de “país desenvolvido” para depois se desenvolver. É aquela coisa, o pós-graduando primeiro se forma e depois começa a estudar.
Seis décadas de retrocessos socioculturais arrasaram o Brasil, que pensou num projeto de pais entre os anos de 1958 e 1963. O mais preocupante é que a ditadura impôs uma série de “novos normais” que acostumaram tal mal a nossa população que boa parte desses retrocessos se tornou objeto de tendenciosas ondas nostálgicas.
Um país desenvolvido vai muito além de uma economia em ordem, instituições funcionando e em defesa do interesse público e cidades arrumadas. Infelizmente Lula está com pressa e quer ver um país ainda devastado entrar no clube do Primeiro Mundo.
Ainda temos um sistema de valores herdado dos tempos da ditadura militar. Da religiosidade à mobilidade urbana, passando pela cultura popular, até parece que estamos presos à Era Geisel. Temos um quadro de violência que vai dos feminicídios aos tribunais de Internet. Muitos dos ídolos de hoje são dos tempos da ditadura militar. Como podemos sonhar com um novo Brasil, desenvolvido e justo, se o entulho sociocultural da ditadura militar permanece intato e, em grande parte, exposto na sala de estar?
O Brasil está confuso e devastado, complexo demais para se tornar desenvolvido. É isso que faz a reeleição de Lula se tornar pouco recomendável. Lula tem pressa de colocar o país no Primeiro Mundo, sem que revertamos a herança culturalista do período ditatorial, mesmo as "coisas boas da vida" que as pessoas apreciavam na TV dos anos de chumbo. No caso de Lula ser reeleito, a necessidade é romper com o sistema de valores que ainda persiste e que vai além da simbologia bolsonarista.
O bolsonarismo é apenas uma pequena parte dessa simbologia que inclui machistas violentos, mulheres-objetos, "médiuns", pastores, ídolos cafonas e craques milionários. Romper com muita coisa que parece agradável é o imperativo, mesmo que doa nos corações e mentes dessas pessoas. Caso contrário, melhor que o Brasil fique quieto e resolva seus problemas nas condições de eterno emergente. Se tudo ficar como está, o status de "país desenvolvido" será somente uma vergonhosa mentira para o Brasil.
Comentários
Postar um comentário