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BRASIL VIVE UMA GRANDE CATÁSTROFE CULTURAL

POEMA "CUCRETISTA" DE ROGÉRIO SKYLAB - Já deu para perceber por que ele odeia Cazuza e Renato Russo...

Vários episódios confirmam a catástrofe cultural que assola o Brasil:

1) Michael Sullivan, o mais novo pretenso "dono da MPB" depois de Ivete Sangalo e Zezé di Camargo, foi para uma rede de rádios de MPB mostrar seu pretenso vitimismo, que seu semblante pouco confiável de canastrão musical não consegue convencer, tentando agora gourmetizar seus antigos sucessos comerciais, que são de uma mediocridade bastante constrangedora marcada principalmente pelas melodias piegas e pelas rimas ruins;

2) Vanessa da Mata, um dos nomes da geração 1990 da MPB que perdeu a oportunidade de combater a supremacia brega-popularesca da época ao se render a ela depois, é o mais novo nome do negócio chamado "dueto de artista de MPB com um ídolo popularesco", sempre movido pela desculpa de "dar ao ídolo popularesco um lugar nobre no primeiro time da MPB", quando a verdade é que o coitadinho não é o ídolo popularesco e sim o emepebista que perde espaços de divulgação. Vanessa gravou dueto com o piseiro João Gomes, espécie de Wesley Safadão piorado (e olha que Safadão já é extremamente ruim);

3) Odair José, em entrevista ao Brasil 247, foi desempenhar seu papel de falso rebelde ao superestimar a censura a suas músicas durante a ditadura militar. Intérprete de um pop-rock de moldes italianos e também da geração de canastrões musicais do molde de Pat Boone, Odair fez e faz letras mais pueris que fazem a Família Dó-Ré-Mi parecer o Black Sabbath. Quem sabe história sabe que nem toda censura ditatorial era movida por ideologia, qualquer chilique já era motivo de algum funcionário da Censura Federal vetar este ou aquele espetáculo;

4) A nostalgia postiça da apresentação dos 30 anos do É O Tchan dispensa comentários, mas mostra o quanto esse saudosismo de araque movido por uma positividade tóxica - especialidade do grupo baiano -  não passa de um negócio milionário sem contribuição útil para nossa cultura;

5) Roteiristas acusam o elenco do seriado Vai Que Cola, do Multishow, de criar um ambiente tóxico. Nada contra o elenco, vários atores são admiráveis, mas o episódio é mencionado aqui por conta de um detalhe: o seriado cômico mostra uma leitura do povo pobre que os lulistas entendem como a "realidade ideal". Para os lulistas de hoje, o povo pobre não deve ser o de Eles Não Usam Black Tie nem de Vidas Secas, mas dos núcleos pobres de novelas e de comédias do cinema e da TV;

6) Em Copacabana, no Rio de Janeiro, o DJ de pen drive Alok fez seu "téquino" com apelo popularesco enquanto arrastões aconteciam e parte do público via seus celulares e dinheiro, entre outros bens, serem roubados. O que mostra que os pobres que sucumbiram ao crime de assaltar a classe média abastada agem em revolta contra a "pobreza linda" que nunca lhes trouxe benefício algum na vida. E, como em muitos eventos popularescos, também houve brigas e confusões na plateia do festejado dijey.

7) Com todo o respeito que se deva ter à comoção de amigos e familiares de MC Marcinho, houve um exagero na cobertura de seu falecimento, como se o Brasil tivesse perdido um gênio visionário. Mas, como funqueiro, MC Marcinho era mais um dentro da mediocridade musical reinante em nosso país;

8) No ex-Twitter, agora X, o que mostra o quanto o Elon Musk é também um "matador de passarinho", o ex-vanguarda Rogério Skylab tem um poema escatológico, que um internauta lulista afirmou como "genial", quando criticou a nova música "distópica" da Luísa Sonza (que é realmente ruim). O poema apenas faz um jogo de palavras incluindo as duas consoantes que unem Skylab ao finado Olavo de Carvalho, e evidentemente é um poema ruim demais para um músico "alternativo" que é considerado "unanimidade" e foi parceiro de Michael Sullivan. 

Quanto a este poema, dá para entender o ressentimento de Rogério Skylab que, embora se diga "tradicionalmente de esquerda", anda com umas frustrações bem, digamos, monarkianas. Skylab acha que Renato Russo e Cazuza são "horríveis". 

Achar que versos como "Dedo, lingua, ** e b***ta" são melhores do que "A tempestade que chega tem a cor dos seus olhos castanhos" e "Dia, sim, dia, não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão, na caridade de quem me detesta" é simplesmente vergonhoso e desmascara essa "boa" sociedade que se proclama "do amor e da paz", que se revela brutamente insensível. Triste ver a que ponto chegou a esquerda no nosso país, sequestrada por essa pequena burguesia medíocre, hedonista e arrogante...

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