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CASO DAS DUAS SIMONES: MAIS SINAIS DE UM BRASIL CULTURALMENTE EM CRISE

EM ATO FALHO, UOL, DA FOLHA DE SÃO PAULO, "JUNTA" MATÉRIAS DA SIMONE BREGANEJA COM A SIMONE EMEPEBISTA.

A crise cultural brasileira é coisa de fazer careca arrancar os cabelos e mudo sair por aí correndo desesperado pelas ruas com vontade de gritar. Se a situação, dentro da MPB mais sofisticada, se torna aberrante, quando a "boa" sociedade jogou para as favas a respeitabilidade aos mestres Tom Jobim e João Gilberto, até a MPB mais acessível é atingida por esse drama.

Duas apresentações agendadas da cantora Simone Bittencourt, que seriam realizadas em São José dos Campos, no interior de São Paulo, foram canceladas por falta de público. Isso é um sintoma da precarização cultural que atinge as cidades do interior e da discriminação que a MPB autêntica, mesmo aquela mais acessível, passou a ter nos dias de hoje, em que pese a "panela pós-tropicalista" de emepebistas amigos do presidente Lula, os únicos a terem algum cartaz.

Mas um detalhe também chama a atenção. Simone Bittencourt foi, durante décadas, conhecida artisticamente apenas como Simone, e hoje, em que pese continuar muito bonita e em forma artística, e até cantando uma MPB acessível para o padrão dos jovens de hoje, ela anda desacreditada, por conta do cancelamento digital devido à patética versão de "Happy Xmas", de John Lennon, "Então é Natal".

É certo que Simone teve uma fase mais comercial, cantando Sullivan e Massadas e a canção "Separação", do ídolo brega José Augusto, que hoje é mais conhecida como cover de "pagode romântico". Mas mesmo a fase sensual da cantora, entre 1982 e 1986, era ainda respeitável nos parâmetros de uma MPB mais palatável. 

Enquanto isso, uma "outra Simone", a breganeja Simone Mendes, ex-Simone & Simaria, faz mais sucesso, nem tanto pela medíocre música da dupla, mas por factoides, afinal, todo ídolo musical brega-popularesco acaba se cansando depois de cinco anos de sucesso comercial e depois passa a faturar como subcelebridade.

Vendo que não se trata da "Simone" familiarizada por essa geração do Brasil-Instagram e do Brasil-Tik-Tok, mas uma "tiazona" distante de seu cotidiano, então a cantora baiana conhecida por músicas como "Começar de Novo" e "Tô Voltando" levou a pior, mostrando o quanto o interior brasileiro, seja em que região for, é um território fechado para a MPB.

E o mais chato disso tudo é que Simone Bittencourt, depois de tanto tempo de hiato e bela e jovial aos 74 anos de idade, se dispõe a seguir carreira na boa vontade e com talento e simpatia. Ver que ela teve que cancelar apresentações é constrangedor diante do grave quadro de crise cultural em que vivemos, em que a mediocridade da outra Simone, a Simone Mendes, atrai mais atenção até de, pasmem, os universitários de hoje em dia.

Lamentável.

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