Lula demonstrou que é péssimo em estratégia. Ele só consegue ser “estrategista” quando vê sua vantagem pessoal em jogo. A péssima decisão de priorizar a política externa no terceiro mandato custou sia popularidade e a fictícia recuperação do apoio popular pelas supostas pesquisas de opinião pode até favorecer a reeleição, mas dificilmente fará Lula ser novamente o líder popular de outros tempos.
Pouco importa se Lula tem a saúde sobre controle e seus aliados falem até em vigor juvenil. Com 80 anos, Lula não pode se impor ao destino, mas tomar cautela. Deveria ter deixado a política externa em segundo plano e deixado seus ministros lhe representarem em cúpulas internacionais. Teria sido ótimo para desenvolver o espírito de equipe ministerial, mas ela permanece dispersa e sem muita integração.
Com um histórico de ter sido fumante no passado, é pouco provável que Lula consiga viver 120 anos. Lula deixou indícios de que o câncer voltou durante seu mandato e ele inventou que era problema na garganta ou no quadril. Pode ser que essas desculpas façam sentido para evitar que a fragilidade de Lula fosse explorada pelos bolsonaristas, que apoiam outra figura frágil, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula deveria ter feito o terceiro mandato como se fosse o último de sua vida. Deveria ter dado prioridade máxima para a política interna. Deveria ter imposto o fim da escala 6x1 no trabalho no começo do terceiro mandato. Deveria ter investido em Saúde e Educação públicas, em Ciência, Moradia, na industrialização brasileira, e permanecido no Brasil em atuação presencial, o que poderia ter estimulado a conquistar a confiança dos brasileiros.
A vergonhosa mediocridade do terceiro mandato de Lula foi muito arriscada. Na casa dos 80 anos, Lula não pode ser taxativo em dizer que tem um caminho pela frente. Deveria ter sido muito cauteloso nas suas ações e decisões e não ter sido impulsivo nem teimoso, se achando o “menino mimado da História”. Pela idade dele, independente de julgamentos sobre sua condição etária, o risco dele ter morrido durante o mandato não era nulo.
Por sorte, há narrativas que protegem e blindam os erros e teimosias de Lula como se estes fossem ações profundamente acertadas. Há até um eufemismo da “estratégia”, quando esta palavra é usada quando os erros de Lula, quando cometidos com teimosia e sem ouvir conselhos e avisos, supostamente geram algum resultado positivo.
Lula não teve fibra para controlar a alta dos preços. Perdido em sua obsessão pela consagração mundial, Lula criou um personagem, o qual parece gigante por fora enquanto, por dentro do Brasil, se encolhe e se torna um anão político.
O terceiro mandato de Lula foi o mais ambicioso, mas acabou sendo também o mais desastroso. Daí a queda de popularidade que as supostas pesquisas de opinião não refletem com precisão. Lila preferiu a consagração, viveu de estrelismo e, do alto do seu pedestal, pedia para os lulistas saírem do pedestal. Só Lula poderia, mas o problema é que o pedestal, para ele, é seu “chão”. Lamentável.
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