Quem lê este blogue percebe o uso do termo “supostas pesquisas de opinião” quando se fala em dados de preferência eleitoral. A classificação “supostas” chama a atenção por representar uma quebra de reconhecimento do processo, apesar desses levantamentos serem feitos com registro no Tribunal Superior Eleitoral.
Escrevo esse texto sabendo que o AtlasIntel teve seu levantamento suspenso na última segunda-feira pelo TSE a pedido de Flávio Bolsonaro, que reclamou dos dados divulgados. O instituto, que é multinacional, tem um histórico de ataques, tanto da esquerda quanto da direita, devido a seus levantamentos, incluindo as campanhas recentes de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil.
A suspensão das divulgações da AtlasIntel foi um dos primeiros atos do novo presidente do TSE, Nunes Marques, que havia sido nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal durante o governo Bolsonaro. Esta decisão repercutiu negativamente contra Marques, a não ser entre os meios bolsonaristas.
Dá para perceber que é difícil tais levantamentos mostrarem dados fiéis à realidade, duas mil pessoas sempre são um pequeno recorte que dá noções vagas sobre a opinião pública. São pequenas amostras que dificilmente trazem ima visão precisa, tendo alto risco de haver resultados tendenciosos.
Daí o uso do termo “supostas”, e isso se deve por que, por mais que se fala que essas pesquisas tenham sido realmente feitas, cumprindo critérios técnicos e avaliando um número de pessoas como amostra da totalidade da população, é duvidoso legitimar tais levantamentos.
Primeiro, porque raramente alguém é entrevistado por tais institutos. Há quem pergunte se essas entrevistas realmente foram realizadas. Segundo, pelo motivo de que é duvidoso que um pequeni o punhado de pessoas, cerca de duas mil, possam refletir a totalidade do povo brasileiro ou, no caso de recortes específicos, de Estados ou classes sociais, por exemplo.
Pouco importam as narrativas que comparam as supostas pesquisas de opinião com coletas de sangue usadas para medir o funcionamento de todo o organismo. Até porque essa narrativa, dita pelos lulistas, só funciona quando é o petista o favorito. Se é um outro candidato, os mesmos defensores desses levantamentos passam a pedir cautela com os resultados dessas supostas pesquisas.
Aí a coisa se complica, principalmente com os pesquisismos encomendados pelo governo Lula que mais parecem processos hipnóticos para forçar seu favoritismo. Essas supostas pesquisas foram divulgadas desde os primeiros meses do terceiro mandato, o que é muito estranho, principalmente para forçar a popularidade de Lula, exaltada por esses levantamentos mas decadente na realidade cotidiana.
Os escritórios querem falar em nome das ruas e dos lates de pessoas comuns. A narrativa funciona, porque é bem arrumada. Mas a realidade é bem mais complexa e o povo segue decepcionado com Lula e isso as supostas pesquisas de opinião não traduzem no nível mais dramático da vida real. Assim como duas mil pessoas não podem falar em nome da multidão, os escritórios não têm condições de falar em nome do mundo.
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