Lula fez do seu terceiro mandato o pior dos três. Ele foi marcado pelo clima de estrelismo que cercou o presidente. Durante a primeira metade deste mandato, os lulistas blindaram, criando supostas realizações que não foram mais do que uma mera ficção de relatórios, sem reflexo real no dia a dia das classes populares.
Com muita festa e nenhuma reconstrução, Lula no entanto vive com extrema arrogância. E só faz alguma coisa quando é pressionado pelas circunstâncias. Mesmo assim, sua performance foi muito aquém dois mandatos anteriores, que nada tinham de revolucionários, mas mostravam serviço.
A maioria das suas medidas para as classes pobres é de caráter paliativo, o que faz com que as classes abastadas sejam hoje a verdadeira base de apoio de Lula, que na prática está a serviço dos interesses da Faria Lima, em que pese o falso clima de animosidade entre o petista e a maior elite empresarial do Brasil.
Lula quer a democracia de um homem só. É como se o presidente entendesse a palavra como um bem seu e intransferível. Ele trabalha sua imagem como um caudilho ideologicamente híbrido. Um aspirante a “presidente vitalício” que, no entanto, é digestivo para as elites neoliberais e para a aristocracia cool brasileira.
Enquanto Lula perde a paciência com acusações de que deixou um rombo trilionário ou de que os preços estão caros, o que fez falar a asneira de “trocar carne por ovo”, a alta sociedade sente um entusiasmo acima do comum pelo petista.
Lula levou uma comitiva de 73 pessoas para Nova York, onde o presidente abriu a Assembleia da ONU deste ano. Foi revelado que foram gastos R$ 3,2 milhões do dinheiro público em estadias e outras benesses. O que mostra o que são as extravagâncias de Lula, Janja e companhia.
A situação se inverteu e Lula tornou-se o candidato das elites. Senão ele não teria a visibilidade que está tendo, pois a mídia venal, representante da burguesia, não deixaria um líder genuinamente popular se tornar o favorito para as urnas.
Lula é o que mais atende os favores e pedidos da burguesia. É surreal que um presidente que pouco fez pelos pobres seja o favorito para a reeleição. E o povo pobre anda indignado, se sentindo traído e abandonado pelo presidente.
Vendo as coisas sem a ótica linear fácil, temos que reconhecer que Lula mudou de lado, pois a burguesia vê nele o Papai Noel dos sonhos e o porteiro que vai garantir o turismo luxuoso das elites bronzeadas.

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