Era só o que faltava. O negacionista factual, esse “isentão do bem” que, em nome da “democracia”, combate o senso crítico, investe pesado no patrulhamento da opinião pública, de forma a manter a estabilidade social necessária para a garantia dos privilégios das elites. Mas o pior é que ele já está apelando para blindar o cenário degradante do mercado de trabalho.
Versão “(um pouquinho mais) democrática” do isentão dos tempos temerosos e bolsonaristas, o negacionista factual alega que, sob Lula 3.0, o emprego está “às mil maravilhas”. Mas, como todo isentão, ele passa pano nos problemas e aconselha as pessoas que procurem emprego que abram mão da vocação.
Com aquele jeito de “Monark do bem”, o negacionista factual fala coisas como “a graça do bom serviço é quando é feito por quem não sabe”. E aí vemos que o negacionista factual, que sempre puxa para trás nos debates das redes sociais, quer impor seu modelo de “imparcialidade”, dentro do “equilíbrio de interesses entre as raposas e as galinhas”.
O negacionista factual também vai em direção do vento. Se prevalece a escala 6x1 no trabalho, ele defende e diz que é preciso aumentar a produtividade para gerar mais renda. Agora ele elogia o fim da escala 6x1, mais por um viracasaquismo movido pela espiral do silêncio do que por uma mudança natural de opinião.
Vemos que, agora, o negacionista factual, que em outros tempos elogiou FHC e Temer, agora elogia Lula e exalta o miserável salário mínimo de R$ 1.621. Alega que ele só é um índice e diz para os trabalhadores que recebem um ou dois salários mínimos para “negociar com os patrões” para receber mais. Como se fosse fácil pedir um aumento salarial.
O negacionista factual é um moralista, e, às vezes, bastante severo. Defende os interesses do empresariado quanto aos critérios de seleção de emprego, e pouco se importa se os currículos perderam importância. O negacionista factual defende o patronato e as classes dominantes, mas, sendo também dissimulado, sempre define esses princípios elitistas como "leis naturais".
Querendo dar a impressão de que tudo "está às mil maravilhas, apesar dos problemas" - como todo isentão, o negacionista factual adora o discurso da "perfeição da imperfeição" - , o negacionista factual não aceita que questões "menos rotineiras" a respeito do emprego no Brasil sejam bastante divulgadas. Daí o boicote que ele quer fazer sobre as questões a respeito da precarização do trabalho ou da "invasão" de comediantes e influenciadores em cargos técnicos de Comunicação.
Assim, o negacionista factual segue manifestando toda sua fobia ao pensamento crítico e se esforçando sempre para puxar para trás nos debates e questionamentos cotidianos. Ele deve achar maravilhoso pessoas comuns trabalharem doze horas de segunda a sexta e até mesmo durante seis horas no sábado. Não sendo com ele, está tudo bem.
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