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'SELF-PARTNERED' É UMA TENDÊNCIA EMERGENTE LÁ FORA. JÁ AQUI...

EMMA WATSON E SELENA GOMEZ, AS SOLTEIRAS "PARCEIRAS DE SI MESMAS".

A mídia hegemônica ate exagerou ao dizer que surgiu a moda da solteira "parceira de si mesma", conhecida em inglês como self-partnered.

Isso se baseou numa declaração dada por Emma Watson que, com tantos rumores de novos namorados - incluindo seu ex-colega da franquia Harry Potter, Tom Felton - , afirmou que "está solteira e feliz".

Ela falou que gosta de ser parceira de si mesma e sofreu gozações desmerecidas na Internet por causa disso.

Afinal, ela anda muito ocupada, lendo livros feministas e conversando com diversas ativistas. Ela é ativista do movimento #HeForShe e se dedica a se aprofundar no tema, o que é bastante saudável.

É um exagero que isso tenha sido moda, através de Emma Watson e outras atrizes, como Ariana Grande e Selena Gomez, mas é uma tendência emergente no Primeiro Mundo.

É algo que já existe na Europa, em países como França, Bélgica e, em parte, Alemanha e Itália. Na Grã-Bretanha, apesar do exemplo de Emma Watson, isso é bem raro.

Mas no Brasil é outra coisa, infelizmente.

Aqui, neste país atrasado, em que a mulher tem que escolher entre o macho e o machismo, coisas como #HeForShe e auto-parceria são grandes novidades.

Aqui a mulher, repetindo, tem que escolher entre o machista, ou, ao menos, o macho mais liberal, e o machismo.

A mulher que não fala muito de sexo, glúteos, erotização e prefere falar de viagens, moda, ideias interessantes e lugares insólitos, essa tem que ser "domada" por um marido, geralmente empresário ou alguém com alguma função de comando.

Já a mulher que se contenta em fazer o papel de brinquedo sexual nas redes sociais, essa está dispensada até de ter namorado, pode transar com fã, dar selinho em afilhado, paquerar sobrinho etc.

Isso porque a mulher que foge do machismo para ir a eventos de moda em Paris ou fazer relatos de viagem mostrando pintores pós-modernos e outros fenômenos interessantes, precisa de uma sombra marital de um homem de liderança.

De preferência, um empresário, ainda que seja o que apareça com trajes um pouco mais casuais. Pelo menos, a ditadura dos sapatos de couro está chegando ao fim, com os sapatênis conquistando espaços até entre a granfinada masculina grisalha.

Ainda assim, o que impera no Brasil é a regra do chief-partnered, do marido-líder de alguma coisa.

E quem pensa que, no mundo selvagem do "popular demais" (brega-popularesco), existe o paraíso do self-partnered, se engana completamente.

O que há é a "parceria com o umbigo" das mulheres "sensuais demais" que não medem escrúpulos para serem brinquedos sexuais dos internautas machões.

E há quem acredite que isso é "feminismo", por duas desculpas sem pé nem cabeça, mas que muita gente acredita piamente: a mulher-objeto "brinca" com os instintos masculinos e aparentemente sua vida amorosa é desprovida de alguma companhia masculina.

Só que isso não é feminismo, é machismo recreativo. Não dá para usar o corporativismo de gênero para atribuir feminismo onde não existe.

Aqui temos problemas com o #HeForShe, porque o "feminismo de glúteos" é hostil aos homens. Fala-se na misoginia, mas esquece-se que também há misandria.

Seria necessário definir a objetificação da mulher como um produto do machismo, com a mulher que gosta de fazer o papel de brinquedo sexual sendo considerada cúmplice do recreio machista, não a sua vítima.

Não dá para usar a "liberdade do corpo" para escravizar o espírito, como também não dá para transformar os glúteos em "sujeito" enquanto a mente feminina se rebaixa a um "objeto" de suposta subversão sexual.

Enquanto isso, esperamos que a emancipação feminina de verdade não seja patrocinada pelo marido empresário, e que a imagem da mulher solteira não seja mais idiotizada pela hipersexualização e pela objetificação do corpo.

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