Setores perigosamente emotivos e ingênuos das esquerdas estão caindo na tentação de aderir a referenciais culturais e religiosos conservadores, iludidos pela fachada de "liberdade" por trás deles. É a erotização exagerada e a bregalização, por um lado, e o moralismo da religião "espírita" - lembremos que Espiritismo, no Brasil, não passa de um Catolicismo medieval repaginado - , que, respectivamente, apelam para a liberdade do corpo e para a escravidão do espírito.
Não ia escrever mais um texto consecutivo sobre "funk", ocupado com tantas coisas - estou começando a vida em São Paulo - , mas uma matéria me obrigou a comentar mais o assunto. Uma reportagem do Splash , portal de entretenimento do UOL, narrou a iniciativa de Thiago de Souza, o Thiagson, músico formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) que resolveu estudar o "funk". Thiagson é autor de uma tese de doutorado sobre o gênero para a Universidade de São Paulo (USP) e já começa com um erro: o de dizer que o "funk" é o ritmo menos aceito pelos meios acadêmicos. Relaxe, rapaz: a USP, nos anos 1990, mostrou que se formou uma intelectualidade bem "bacaninha", que é a que mais defende o "funk", vide a campanha "contra o preconceito" que eu escrevi no meu livro Esses Intelectuais Pertinentes... . O meu livro, paciência, foi desenvolvido combinando pesquisa e senso crítico que se tornam raros nas teses de pós-graduação que, em s...
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