A persistência da gíria “balada’ no noticiário sério se torna um vício de linguagem tão tendencioso que perguntamos se alguém recebe por fora para publicar essa palavra que, no sentido de festa, deveria estar em desuso há mais de vinte anos.
O uso mais recente foi numa matéria do G1 sobre o Foster The People, na qual mencionou umas tais de “baladas indie”. A matéria está relacionada ao tema controverso de “Pumped Up Kids”, uma música com melodias alegremente vibrantes que escondem uma temática macabra.
Hoje também o UOL, da Folha de São Paulo, braço midiático da Faria Lima, também veio com a pérola do vocabulário "giriátrico": "Em Barcelona, é possível frequentar a academia e a balada ao mesmo tempo".
E mais uma vez a delirante mídia empresarial descontextualiza as coisas, inventando “baladas” em outros lugares e outras épocas, quando “balada”, no sentido de “festa”, só existe, ou melhor, só existiu uma: as festas de jovens riquinhos da Faria Lima, bairro nobre de São Paulo, realizadas entre 1990 e 2002, regadas a muita droga alucinógena (as tais “balas”) e ao som de muita dance music ou tecno. Qualquer coisa além desses limites é apelação, é forçar a barra sem vínculo com a realidade.
Se fôssemos um blogue de semiologia, como o Cinegnose, falaríamos que a gíria “balada” é uma não-gíria marcada a uma simbologia publicitária de venda de um ideal de vida. Uma gíria que se recusa a se situar na temporalidade e na grupalidade, ou seja, não quer ficar confinada no espaço e no tempo, como toda gíria.
Estranha a persistência de uma gíria que se recusa a ser vista como tal, um jargão privado que se impõe como pretensamente universal e atemporal. Mas sabemos que a gíria “balada” é uma mercadoria, pois vende um suposto ideal de vida, tal qual um automóvel, daí o seu aspecto de “anti-gíria” que seus próprios idealizadores, a burguesia publicitária da Faria Lima, tentam trabalhar a qualquer preço.
Daí o merchandising da palavra “balada” inserida na dramaturgia e no jornalismo, no desespero de impor uma “palavra mágica” que serve para o enriquecimento de uma minoria de magnatas às custas do divertimento das massas. Lembremos que a gíria "balada" é símbolo da sociedade hipermidiatizada e hipermercantilizada do Brasil de hoje.
Só que “balada” acaba se tornando o simbolo da idiotização cultural que assola o nosso país. É só trocar o “l” e o “d” pelo “b” e o “c” para ver o sentido verdadeiro da palavra. Está na hora de melhorarmos nosso vocabulário, evitando tamanha degradação da linguagem.
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