PRAÇA CÍVICA, UM DOS PRINCIPAIS PONTOS DE LAZER DE GOIÂNIA.
Há um dado cultural muito estranho entre os goianenses que é renegar a data de 23 de março como feriado. Mas hoje, por ironia, a população de Goiânia é obrigada a viver o feriado hoje, por se tratar de um domingo.
É uma grande ingratidão da população de Goiânia em relação ao 23 de março, tratado como um dia comum, embora, na prática, o dia poderia ser jocosamente vista como uma efeméride para as elites locais, como o Dia dos Patrões Ganharem Mais Dinheiro.
Goiânia foi fundada em 24 de outubro de 1933, mas a data só se refere à fundação de uma cidade, apenas. A data não faz referência a Goiânia como capital estadual, pois a cidade de Goiás, conhecida também como Goiás Velho, foi capital goiana quando o então novo município vivia seus quatro primeiros anos de existência.
Um decreto de 23 de março de 1937 foi lançado determinando a mudança de capital de Goiás Velho para Goiânia. Mas a forma como o decreto foi lançado, supostamente autoritária, fez a data cair no esquecimento e muitos acreditarem que Goiânia já foi decretada capital estadual já no 24 de outubro de 1933.
Se for por esse raciocínio, o Brasil teria renegado o Sete de Setembro, e os brasileiros teriam dormido tranquilos considerando o 22 de abril de 1500, dia do chamado Descobrimento do Brasil (na verdade, uma missão empresarial portuguesa de exploração das riquezas do nosso território), como o Dia da Pátria.
Num outro raciocínio, lembrando que o decreto de 23 de março representou uma mudança estratégica da capital, transformando a estrutura geopolítica do Centro-Oeste brasileiro, abrindo caminho para a fundação de Brasília, podemos garantir outra coisa. É a ideia se que, sem o feriado de 23 de março em Goiânia, é como se Salvador renegasse o Dois de Julho, feriado referente ao dia que, em 1823, uma revolta popular consolidou a emancipação política do Brasil, anunciada em 07 de setembro de 1822.
É muito surreal atribuir ao autoritarismo a rejeição ao 23 de Março como uma efeméride municipal em Goiânia. Esquecemos que o anunciador do Dia da Independência, Dom Pedro I - embora se esquece que o processo era trabalhado pelo Parlamento brasileiro - , era um sujeito autoritário, a ponto da primeira Constituição da História do Brasil, em 1824, foi outorgada.
Sendo assim, se não existe razão para se comemorar o feriado de 23 de março em Goiânia, não haveria razão para o Sete de Setembro, pois bastasse o 22 de Abril como feriado nacional. Afinal, não teria sido o Grito do Ipiranga uma atitude “autoritária”, como se atribui o decreto de 23 de março em Goiânia?
Hoje é um “feriado” para os goianenses. Mas o dia 23 de março continua, oficialmente, sendo um dia de descanso apenas para empresários e fazendeiros que dominam as elites locais. É o Dia dos Patrões Ganharem Mais Dinheiro.
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