
Foi bastante infeliz o comentário do presidente Lula quando escolheu a hoje ex-presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, para a Secretaria da Articulação Política e das Relações Institucionais, em discurso dado aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
“É muito importante trazer aqui o presidente da Câmara e o presidente do Senado. Porque uma coisa, companheiros, que eu quero mudar, estabelecer a relação com vocês… Por isso eu coloquei essa mulher bonita para ser ministra de Relações Institucionais, é que eu não quero mais ter distância entre vocês”, disse Lula.
Em tese, a escolha de Gleisi para a articulação política foi um meio para compensar a demissão de Nísia Trindade do Ministério da Saúde, substituída por Alexandre Padilha, antes titular da pasta assumida por Gleisi. Lula havia acusado Nísia de “falta de agressividade política” e antes havia exigido dela medidas que “deixassem uma marca no governo”.
Outra compensação foi a nomeação da jurista Maria Elizabeth Rocha para o Superior Tribunal Militar (STM). Entre outras coisas, o STM estará envolvido no julgamento dos crimes do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, se condenado, pode perder a patente militar que lhe traria vantagens na Justiça.
Voltando ao comentário, isso é mais uma demonstração do machismo estrutural de Lula, que também desmente a imagem de “novo” na política por fazer comentários diversos que revelam a sua formação conservadora. Em muitos casos, chega a preconceitos sociais vexaminosos, como a ideia absurda e irreal de que pobre quer apartamento com varanda para “soltar pum”.
O comentário de Lula sobre Gleisi Hoffmann irritou as deputadas e senadoras, que definiram as frases como “discriminatórias e constrangedoras”. E imaginar que Lula foi eleito por vender, na campanha de 2022, uma imagem de “feminista”.
Gleisi até tentou passar pano no presidente, tentando evocar realizações que Lula realizou no passado, quando, nos dois primeiros mandatos presidenciais, ele mostrava serviço e estava mais próximo das bases populares, diferente do pelego da Faria Lima que o petista se tornou desde a pré-campanha presidencial:
"Não teve e não tem outro líder como o presidente Lula, que mais empoderou as mulheres. Não é qualquer líder que ousa lançar a primeira mulher presidenta do país, a primeira presidenta do PT, o que mais nomeou mulheres ministras, nas estatais, no Banco do Brasil, na Caixa, no Superior Tribunal Militar e outros tantos lugares".
O comentário de Gleisi não foi convincente, pois hoje Lula, além da demissão de Nísia Trindade, também demitiu Ana Moser do Ministério do Esporte, sem considerar sequer a memória da saudosa amiga e colega da ex-jogadora, Isabel Salgado, que pouco antes de falecer manifestou apoio à candidatura do petista. Lula trocou Ana Moser por Fufuca, transformando o Ministério do Esporte num gabinete fisiológico, sem qualquer ação criativa em nome do esporte amador, carente de apoio e de investimentos.
Isso mostra o quanto Lula está perdendo em popularidade. O povo está percebendo a disparidade entre o mito e a realidade. Um Lula idealizado, o “presidente dos sonhos de todo brasileiro”, entra em contraste com o Lula real do atual mandato, mais preocupado com sua consagração pessoal e pouco empenhado com o país.
Exemplo disso é quando houve a crise dos preços dos alimentos, que despertaram em Lula uma reação típica de um avoado que foi advertido a agir e age no improviso, com medidas paliativas. Juntando isso às gafes cometidas, Lula já tem no atual mandato o pior e o mais decepcionante dos três.
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