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A GRANDE MÍDIA E O SILÊNCIO DO CASO LULA-ONU


Em muitos casos, a omissão e o silêncio podem significar uma grande gafe.

A grande mídia, que se gaba em reivindicar, para si, a "liberdade de imprensa" e o "direito à informação", quase não falou da recomendação da ONU em favor de Lula.

Sabemos que a ONU recomendou que Lula pudesse ser candidato à Presidência da República e participasse dos debates nos meios de comunicação.

Segundo o Comitê de Direitos Humanos da entidade, Lula deveria esperar a condenação até esgotarem os últimos recursos, não devendo ter sido preso por condenação em segunda instância.

É o chamado "trânsito em julgado": Lula só seria preso, de acordo com a lei, se forem esgotados todos os recursos jurídicos da defesa e for confirmada, na etapa final, sua culpabilidade.

Em vez disso, criou-se uma sentença precipitada, por motivo duvidoso.

Em segunda instância, Lula foi condenado por conta de uma estória muito mal contada e cheia de dúvidas sobre o triplex do Guarujá.

Querendo encher linguiça, o Judiciário pretende fazer o mesmo com o sítio de Atibaia. Mas, por ora, a plutocracia sonha com a Lei de Ficha Limpa para banir Lula da corrida eleitoral apenas pelo caso do triplex.

A recomendação da ONU pode ser apenas uma formalidade, mas lembra uma regra de etiqueta.

O Brasil não precisa seguir a recomendação, mas seria melhor que seguisse.

Seria uma espécie de demonstração de dignidade aceitar a recomendação da ONU, respeitando a reputação desta entidade e cooperando com a comunidade das nações.

Em vez disso, a plutocracia reagiu com teimosia e omissão.

No primeiro caso, rejeitou o parecer do Comitê de Direitos Humanos, dizendo que a ONU não tem autoridade para decidir sobre um "corrupto".

No segundo caso, a grande mídia ficou lacônica - praticamente só a Internet é que possui alguma cobertura mais significativa - , diante de um incidente que pode embaraçar a plutocracia brasileira.

Houve também o caso da Globo News, cujo comentarista Carlos Alberto Sardenberg, dedicado à Economia, tentou meter o nariz onde não era chamado e se deu mal.

Ele acusou de fake news as notícias que ressaltam a importância da recomendação da ONU para permitir a candidatura de Lula.

Sardenberg desprezou o fato e, acusando-o de notícia falsa, criou uma verdadeira falsidade noticiosa com seu denuncismo recheado de opinionismo.

Quanto ao silêncio da Rede Globo, há um ingrediente a mais.

É a temporada do Criança Esperança, evento filantrópico que é promovido em parceria com a UNESCO, outro órgão da ONU.

A "neutralidade" é uma forma de não manchar as relações da Globo e da ONU.

Daí que a omissão teve também esse sabor.

Mas, fora do espetáculo da caridade paliativa do Criança Esperança, a situação do Brasil é vergonhosa, tendo que explicar ao mundo a prisão sem motivo de um dos maiores líderes populares da nossa História.

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