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ATÉ QUE PONTO LULA OU FERNANDO HADDAD IRÃO GANHAR EM PRIMEIRO TURNO?


Aparentemente, o ex-presidente Lula ganhou grande vantagem em relação aos concorrentes nas pesquisas recentes.

Pairando entre 37% e 39%, o petista chega, em certas pesquisas, a superar Jair Bolsonaro em cerca de 20%.

A possibilidade de vitória de Fernando Haddad, o "coringa" do jogo eleitoral do PT, também se aproxima como se a representação de Lula por seu substituto fosse legitimada por boa parte do eleitorado.

As esquerdas comemoraram. Depois da recomendação da ONU para que Lula fosse autorizado a seguir em frente sua candidatura, enquanto espera o esgotamento dos recursos da defesa, o crescimento do petista causou o ânimo nas forças progressistas.

No entanto, não só é cedo para festejar como é muito, muito arriscado.

Embora goze de favoritismo artificial, Jair Bolsonaro, mesmo tendo, na verdade, 20% da popularidade que a grande mídia alardeia, é uma ameaça real.

Tudo pode acontecer, até mesmo voto de cabresto no interior das cidades do Sul e Sudeste quanto a fraude eletrônica dos algoritmos nas urnas eletrônicas.

A própria mídia, que se alimenta de sensacionalismo a ponto de parecer preferir, em tese, o brutalismo populista de Bolsonaro do que o reacionarismo chique de Geraldo Alckmin, tenta impor essa ameaça.

Por que será? Ou será que o risco Bolsonaro só é real quando Lula ameaça ganhar em larga vantagem?

No caso de Lula ser banido da corrida eleitoral e Haddad não conseguir vantagem, será que Bolsonaro se segura fora da função de candidato-chantagem da plutocracia, de uma espécie de "bicho-papão" para assustar as esquerdas?

As esquerdas subestimam o fator Bolsonaro. Sua projeção, sem dúvida alguma, é fake, e o "mito" só possui 1/5 dos que realmente o apoiam para governar o país.

É porque, nas redes sociais, os demais 4/5 são puro "efeito manada", que em comunidades estratégicas das redes sociais são constrangidos a apoiar o que os "chefes" de comunidades decidem.

Existe uma tirania nos meios sociais das redes sociais. Valentões digitais, que em atos de valentonismo eletrônico, "aconselham" seus amigos a lhes apoiarem na humilhação virtual de outrem.

Pessoas que não são necessariamente de humilhar os outros acabam participando, iludidas pelo jeitão "divertido" do valentão em comando ou constrangidas a perder vantagens deixando de participar desse vale-tudo moral.

É sob esta perspectiva que os internautas acabam aderindo a Bolsonaro, que a "bolha" dos ambientes reacionários das redes sociais define como "único candidato viável".

Nesses feudos virtuais, Bolsonaro é o "único que presta". Neles, Lula é o "bandidão", Geraldo Alckmin é "sem graça", Marina Silva é "insossa", Ciro Gomes "pavio curto".

A identificação dos brutamontes digitais com Bolsonaro é óbvia, para um público que viu filmes de pancadaria quando passavam na Sessão da Tarde, nos anos 1990, e gastavam suas moedas em jogos eletrônicos que exaltavam a violência.

Há, também, nas igrejas evangélicas, a pregação dos pastores bolsonaristas que pedem aos "pobres de direita" votarem no "mito".

Fora isso, um "jabá" da Centauro, Riachuelo e empresas solidárias é capaz de segurar o "mito" de forma que ele não "perde pontos" mesmo se urinar em público em um comício no centro de São Paulo.

O fenômeno Bolsonaro é tão postiço quanto o golpe político de 2016. Na verdade, é a continuação do golpe político sob o aparato do "voto popular".

É estranho que Bolsonaro, que é um dos herdeiros assumidos do projeto político de Michel Temer, tenha, à primeira vista, muita popularidade.

Bolsonaro vai apenas radicalizar os retrocessos de Temer. E a subcelebridade Paulo Guedes, economista com reputação de youtuber, uma espécie de versão fim-do-mundo do hoje também candidato Henrique Meirelles (que nunca foi economista, mas dublê de economista).

Enquanto a mídia de esquerda supervaloriza a vantagem de Lula, a mídia de direita, mesmo a "moderada", parece eufórica com Bolsonaro.

É certo que Lula tem, a seu favor, a garantia das leis e o apoio popular.

Mas, contra ele, no Brasil, temos mídia e Justiça sem o menor escrúpulos de agir contra a lei, se ela age contra os interesses da plutocracia.

Para ela, tanto faz se algoritmos passarem a ter mais peso de voto do que as classes populares.

As esquerdas devem tomar cuidado, diante das armadilhas da direita brasileira.

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