Pular para o conteúdo principal

HÁ 20 ANOS, GLOBO AJUDAVA BREGAS DE 1990 A "BRINCAR DE MPB"


A mídia de esquerda deu um tiro no pé quando acolheu, sob a desculpa do "combate ao preconceito", os mesmos ídolos musicais da Rede Globo.

Superestimou as plateias lotadas, não só pela pobreza, mas pelos critérios de etnia e liberdade sexual.

Erraram muito feio. Morderam a isca e fizeram o Brasil se enfraquecer culturalmente.

Esqueceram que esse proselitismo que os intelectuais adestrados por Fernando Henrique Cardoso, Otávio Frias Filho e aliados fizeram na mídia de esquerda era um golpe cultural enrustido.

Era uma forma de evitar uma frente ampla da MPB como a que ameaçou a ditadura militar, entre 1965 e 1968.

O "bom esquerdista" Pedro Alexandre Sanches, aluno-modelo das lições do falecido Frias, tentou cortar o bem pela raiz.

Foram notórios os ataques, que sujaram muitas páginas esquerdistas no papel e na Internet, ao grandioso Chico Buarque, xingado de "coronel da Fazenda Modelo" para baixo.

Em contrapartida, se empurrou para as esquerdas a adoração a Zezé di Camargo & Luciano, que se revelou uma dupla reacionária.

Mas esse proselitismo todo, bancado pela "santíssima trindade" da intelectualidade "bacana" (Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches e Hermano Vianna, este o único a assumir vínculo com a mídia venal), se deu mais ou menos de 2005 em diante.

Antes a mídia venal tinha uma atuação mais explícita na glamourização da bregalização cultural.

Na verdade, desmontar a MPB autêntica era uma obsessão de uma parcela de intelectuais, mesmo os "especializados em música brasileira".

Fora do eixo Rio-São Paulo, temos como exemplos a porralouquice de Milton Moura, na Bahia, e o reacionarismo momesco de Eugênio Arantes Raggi, em Minas Gerais.

A ideia era dupla.

Num propósito, aparentes estudiosos de MPB passaram a cortejar a bregalização, tomando empresatado alguns clichês tropicalistas, visando interesses comerciais estratégicos.

No outro propósito, era a tentativa de afastar o grande público da MPB, reduzindo ainda mais o alcance das mensagens dos artistas dotados de inteligência e talento.

Criou-se todo um esforço para sobrepôr, até mesmo à própria MPB, os ídolos musicais brega-popularescos, a partir da geração neo-brega dos anos 1980 e 1990.

A Rede Globo, que até 1984 não parecia inclinada à bregalização musical, passou a adotar desde então, com a máquina de fazer sucessos de Michael Sullivan e Paulo Massadas.

Duas décadas mais tarde, Alceu Valença denunciou o "esquema do Sullivan": destruir a MPB e substitui-los por ídolos musicais mais submissos ao mercado e às regras mercantilistas da indústria fonográfica.

Nessa época, Globo e RCA-Victor (depois rebatizada BMG) criaram um "consórcio" de bregalização da música brasileira, cooptando alguns emepebistas como Joanna, Alcione, Fagner e Roupa Nova.

O "esquema do Sullivan", denunciado no momento em que o esperto Michael Sullivan se fazia de coitadinho e queria retomar a carreira carregado pela mesma MPB que ele quis destruir, era o começo de um longo caminho de desmonte da MPB.

Lincoln Olivetti e Robson Jorge haviam pasteurizado a MPB pouco antes, eliminando o vigor que havia até 1977.

Com isso, Olivetti, Jorge, Sullivan e Massadas foram comemorar o butim cultural compondo "Amor Perfeito" (não seria "Crime Perfeito"?) para Roberto Carlos e, depois, Bell Marques e Cláudia Leitte cantarem, celebrando o casamento por conveniência da música brasileira com o comercialismo.

Caminhando de mãos dadas com o clientelismo das concessões de rádio e TV, Sullivan e Massadas desenharam a "cultura popular" com as canetas de Antônio Carlos Magalhães e José Sarney.

E aí, com rádios FM e TVs entregues a oligarquias políticas regionais, a música brasileira teve um novo norte. Ou desnorte.

A MPB desaparecia aos poucos das rádios, enquanto se multiplicavam os pastiches de ritmos regionais, a partir do "pagode romântico" e do "sertanejo".

Um "pagode romântico" que parodiava a soul music e um "sertanejo" que parecia reduzir Goiás a um arremedo do Texas.

Era a americanização verticalmente instituída pelo mercado musical, nada havendo com a antropofagia cultural de Oswald de Andrade.

Era um barbarismo decidido "de cima", pelo poder radiofônico, não pela vontade espontânea daqueles que querem introduzir influências estrangeiras por vontade própria.

A bregalização causou uma revolta profunda da crítica especializada, e não raro foram as vozes críticas contra a degradação da música brasileira.

No auge de sua produtividade, José Ramos Tinhorão alertava sobre essa degradação, assim como nomes diversos como Ruy Castro, o falecido Mauro Dias, e vários jornalistas de Rock Brasil que sentiram a ferida da bregalização crescente no gosto juvenil.

O hiato entre a Era Collor e a Era FHC, com o discreto semi-progressista Itamar Franco no comando, simbolizou, também, um período de leve recuperação da MPB, derrubada, todavia, quando o sociólogo da Teoria da Dependência assumiu o poder.

E aí, o que vimos foi a montagem de um esquema de blindagem que durou uns 20 anos.

Intelectuais orgânicos, articulados como num IPES-IBAD pós-tropicalista, passaram a defender a bregalização cultural usando jargões próprios de FHC: "cultura das periferias".

Mas foi a Rede Globo quem primeiro agiu para bregalizar geral, em diversos eventos musicais ou ligados a efemérides diversas.

A ideia era primeiro misturar alhos com bugalhos. Em eventos onde apareciam emepebistas, se enfiava um Chitãozinho & Xororó aqui, um Alexandre Pires ali.

Aniversário da cidade de São Paulo? Lá estavam Zezé di Camargo & Luciano fazendo um número musical, escondido aos emepebistas.

Evento de samba? Joga-se o Só Pra Contrariar o É O Tchan escondidos entre os bambas do gênero.

Tributo a Lamartine Babo? Reportagem do Jornal Nacional jogava logo a melosa versão de Chitãozinho & Xororó.

E teve disco de MPB que havia um dueto entre o artista em questão e um ídolo popularesco.

Essa geração que chegou ao poder na Era Collor passava a relançar suas carreiras através de covers canastronas de sucessos da MPB, ou por meio de duetos tendenciosos com emepebistas.

Com isso, criou-se um "balcão de negócios" nos quais o emepebista e o brega-popularesco realizam duetos diante de um curioso discurso de marketing.

Nesse discurso, o ídolo musical brega-popularesco vende a falsa imagem de "coitadinho", de um ídolo "muito popular" em busca de um "lugar ao Sol no primeiro time da MPB", que faz um dueto com um artista de MPB visando atingir essa "causa nobre".

Através desta retórica, o emepebista é que é visto como o "rei do pedaço", o "chefão do esquema", o establishment do mainstream etc.

Mas na realidade, a coisa é diferente. Quem é o "rei do pedaço" é o ídolo de maior sucesso, que por sinal exerce influência em várias reservas de mercado de apresentações ao vivo em todo o país.

No dueto entre um emepebista e um brega-popularesco, o "coitadinho" mesmo é o emepebista, que precisa desse dueto para viabilizar contratos para se apresentar no interior do Brasil.

O caso Tiê e Luan Santana é ilustrativo, e o fato de ambos, em tese, parecerem igualmente juvenis, pegou desprevenida muita gente.

Pois o "espontâneo dueto" é mais um entre centenas de tantos para fazer a MPB ser aceita no fechado e inflexível mercado de apresentações de brega-popularesco, comandados por oligarquias políticas e latifundiárias.

E é esse mercado que foi alimentado pela Rede Globo, que, depois de dar visibilidade a Michael Sullivan - que a ninguém enganou com seu coitadismo tardio - , tentou dar um banho de estética e aparato técnico para os toscos ídolos brega-popularescos de 1989-1992.

Foram intensos anos em que o nosso legado musical era empastelado pelos ídolos popularescos, fazendo a população se acostumar mal com eles.

E, hoje em dia, quem é alvo de preconceito e discriminalização é a MPB autêntica. Aquela em que só os intelectuais "bacanas" pensam que reina soberba no seu trono do mainstream.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DOUTORADO SOBRE "FUNK" É CHEIO DE EQUÍVOCOS

Não ia escrever mais um texto consecutivo sobre "funk", ocupado com tantas coisas - estou começando a vida em São Paulo - , mas uma matéria me obrigou a comentar mais o assunto. Uma reportagem do Splash , portal de entretenimento do UOL, narrou a iniciativa de Thiago de Souza, o Thiagson, músico formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) que resolveu estudar o "funk". Thiagson é autor de uma tese de doutorado sobre o gênero para a Universidade de São Paulo (USP) e já começa com um erro: o de dizer que o "funk" é o ritmo menos aceito pelos meios acadêmicos. Relaxe, rapaz: a USP, nos anos 1990, mostrou que se formou uma intelectualidade bem "bacaninha", que é a que mais defende o "funk", vide a campanha "contra o preconceito" que eu escrevi no meu livro Esses Intelectuais Pertinentes... . O meu livro, paciência, foi desenvolvido combinando pesquisa e senso crítico que se tornam raros nas teses de pós-graduação que, em s...

O CARNAVAL BRASILEIRO VIROU UMA "CONTRACULTURA DE RESULTADOS"

DESFILE DO BLOCO TARADO NI VOCÊ, NO CENTRO DE SÃO PAULO. O Brasil virou um país estranho, culturalmente deteriorado e marcado por uma bregalização quase total e um complexo de superioridade de uma elite de privilegiados que domina as narrativas nas redes sociais, a burguesia ilustrada, classe que se acha "mais povo que o povo". Transformado em um grande parque de diversões, o Brasil no entanto tenta vender como "cultura de protesto" eventos que são somente puro entretenimento, daí os risíveis fenômenos do brega-vintage - cujo exemplo maior foi a canção "Evidências" na voz de Chitãozinho & Xororó - e, agora, do das canções infantilizadas como "Lua de Cristal", "Superfantástico" e "Ilariê". Em seguida, vemos o fato da axé-music querer se vender como a "Woodstock brasileira", e as narrativas de transformar o Carnaval de Salvador num fenômeno de engajamento sociopolítico e cultural são bem arrumadinhas. Sim, porque n...

“PIRULITO BABY, AH-AH"?!

CONNIE FRANCIS, CANTORA QUE FEZ SUCESSO NOS ANOS 1950 E COMEÇO DOS 1960. O que são dois pesos e duas medidas na nostalgia brasileira das redes sociais. O revival de uma bela música antiga, a graciosa canção “Pretty Little Baby”, sucesso de 1962 na voz de Connie Francis, ícone da música jovem dos anos 1950 e começo dos anos 1960 que, pouco antes de morrer aos 87 anos (88 incompletos), soube dessa façanha nos EUA, viralizou nas redes em 2025.  O que foi uma lembrança saudosista acabou sendo ridicularizada depois nos camais brasileiros do Tik Tok, com a bela voz de Connie parodiada por uma voz fina e esganiçada que, em velocidade acelerada, cantava “Pirulito Baby, ah-ah”. Esse é um desrespeito à trajetória da cantora estadunidense - que no referido sucesso, no entanto, pronunciava as palavras “pretty” e “little” ao modo britânico, sem o “t” mudo usual dos ianques - , que era do tempo em que o canto era valorizado de forma a não permitir artifícios de disfarçar digitalmente vozes med...

2015 E 2023 FORAM ANOS PÉSSIMOS PARA O PENSAMENTO CRÍTICO E PARA O CONHECIMENTO

Nas últimas décadas, dois anos se destacam no Brasil como extremamente ruins para a manifestação do saber autêntico e da busca pelo verdadeiro conhecimento e pela visão crítica da realidade: 2015 e 2023. Em 2015, o mercado literário viveu sua pior fase, com livros e pretensos fenômenos literários marcados pela alienação cultural e pela mal disfarçada fuga do saber. As pessoas nem esconderam isso, buscando a leitura de livros para “relaxar” e “divertir”. E aí vieram fenômenos aberrantes como os livros de youtubers , provavelmente escritos por algum ghost writer . Romances com estudantes vampiros, cachorros com nomes de músicos, com cavaleiros medievais em crise existencial e até plágios misturados de seriados de streaming. Você misturava Bridgerton com Walking Dead e ganhava uns 15 minutos de fama vendendo umas milhares de cópias.  E junto a esses livros, tínhamos as auto-ajudas de sempre. Ainda não tínhamos livros “sobre Administração” com p4l4vr03s no título, mas o mercado prometi...

EDUARDO PAES É MUITO MAIS PERIGOSO QUE TARCÍSIO DE FREITAS

EDUARDO PAES (D), AO LADO DE LUCIANO HUCK - "Príncipes" da Faria Lima no Rio de Janeiro. As narrativas que prevalece nas redes sociais são enganosas. A seletividade do pensamento crítico esbarra em certos limites e as abordagens acabam mostrando como “piores” coisas que até são bem ruins e nocivas, mas que estão longe de representar o inferno dantesco a que se atribuem. Comp jornalista, tenho compromisso de fazer textos que desagradam, mas são realistas. Meu Jornalismo busca se aproximar da fidelidade dos fatos, não sou jornalista para escrever contos de fadas. Por isso não faço jornalismo de escritório, que fala coisas como “a cidade A tem mais mulher porque tem praia e coqueiros ou a cidade B é mais barata porque lá os moradores rezam mais”. Não aprendi Jornalismo para me submeter a tais vexames. Por isso, quebro narrativas e crendices que parecem universais, mas expressam a visão de uma elite. O “funk” é considerado a “verdadeira cultura popular”? Eu revelo que não, que o ...

CARNAVAL DESTE ANO CELEBRA O AUGE DA BURGUESIA ILUSTRADA

O aparente protagonismo do Brasil nos últimos anos não representa a ascensão do povo brasileiro. Não é um processo libertário e nem a emancipação dos povos excluídos. Esse fenômeno diz mais a uma ascensão de uma elite, que até é flexível e numerosa, mas mesmo assim uma classe dirigente e sua comitiva de adeptos. Desde 2022 uma classe privilegiada no Brasil tem a expectativa de ver o nosso país promovido a “país desenvolvido”. Embora haja narrativas exageradas, que falam de “missões nobres” de fazer o povo brasileiro “liderar o mundo para ensinar suas qualidades de alegria e de solidariedade”, tudo isso não passa de desculpas para uma elite viajar pelo mundo sendo tratada como igual por europeus e estadunidenses. É apenas uma conversa mole para a burguesia bronzeada brasileira receber tratamento VIP no exterior. O que vemos é a tomada do poder dos netos da geração que derrubou João Goulart em 1964. Em 60 anos, a burguesia construiu um modelo de país que, pronto nos últimos anos, agora a...

FEMINICÍDIO DIMINUI EM 15 OU 20 ANOS O TEMPO DE VIDA DE QUEM COMETE ESSE CRIME

A SOCIEDADE PATRIARCAL E AS RELIGIÕES CONSERVADORAS TRATAM AS LUTAS CONJUGAIS QUE RESULTAM EM FEMINICÍDIO COMO SE O AUTOR DO CRIME FOSSE O SUPER-HOMEM EXTERMINANDO A NAMORADA LOIS LANE.  Recentemente, o Ministério da Saúde do Brasil pediu para a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluir o feminicídio como uma doença mental, com o objetivo de estimular a criação de medidas preventivas contra esse crime e proteger as mulheres de continuar sofrendo essa tragédia. Na verdade, no feminicídio, fala-se que a mulher morre à vista e o homem morre a prazo. O feminicida também produz a sua tragédia, e falar nisso é um tabu para nossa sociedade. O feminicida e sua vítima costumam ser trabalhados pela mídia como se o Super-Homem matasse a Lois Lane. Essa abordagem que transforma o feminicida num "forte", atribuindo a ele uma longevidade surreal - supostamente resistente a doenças graves - , é compartilhada pela sociedade patriarcalista e pelo velho moralismo religioso conservador, de ori...

O SONHO E O PESADELO NO MERCADO DE TRABALHO

APESAR DA APARÊNCIA ATRATIVA, O TRABALHO DE CORRETOR DE IMÓVEIS MOSTRA O DRAMA DE ESTAGIÁRIOS QUE TRABALHAM DE GRAÇA ESPERANDO UMA COMISSÃO POR VENDA DE IMÓVES QUE É TÃO INCERTA QUANTO UMA LOTERIA. A polarização política virou o embate entre o sonho e o pesadelo, e no contexto posterior da retomada reacionária de 2016, tudo o que as esquerdas fizeram foi negociar com a direita moderada os seus espaços políticos. E é a mesma direita moderada que faz consultoria econômica para a extrema-direita e oferece sua logística administrativa. Quando falamos que o lulismo obteve um protagonismo de forma artificial, tomando emprestado os espaços políticos da direita temerosa, os lulistas não gostam. Falo de fatos, pois acompanhei passo a passo do período de 2016 para cá. Seria confortável acreditar que os lulistas conquistaram o protagonismo do nada por um toque de mágica do destino, como se a realidade brasileira fosse um filme da saga Harry Potter. Não conquistaram. Tanto que Lula foi cauteloso d...

O APOIO PODEROSO QUE DERRUBA A REPUTAÇÃO DE UM “SÍMBOLO DE HUMILDADE”

OS PODEROSOS FAZENDEIROS DE GADO DO TRIÂNGULO MINEIRO ESTARIAM POR TRÁS DO MITO DE HUMILDADE DE UM FESTEJADO ÍDOLO RELIGIOSO. Desde 1974 temos narrativas oficiais que durante anos foram e ainda são tratadas como verdades absolutas, criando uma rede de apoios e de argumentação que chegam a desestimular a investigação jornalística, o inquérito jurídico e o questionamento intelectual, criando reputações artificiais que no entanto beiram à unanimidade pelas manobras discursivas e circunstanciais que são feitas. Antes do farsante João de Deus, que foi desmascarado mas não sem antes de enganar até Oprah Winfrey e Madonna, tivemos outro charlatão, que desfigurou uma religião de modo irresponsável e que enganou tanta gente que sua rede de apoio alcançou até setores sociais que representam o oposto do universo conservador desse ídolo da fé obscurantista. E isso mostra o quanto criar uma estória que seja envolvente e atraia adeptos, chegando a atingir até ateus, esquerdistas e fãs de heavy metal...

GÍRIAS “BALADA” E “GALERA” SERVEM PARA ENRIQUECER DONOS DE CASAS NOTURNAS E DIRIGENTES ESPORTIVOS

O Vocabulário do Poder ( Words of Power ) de que falava o jornalista britânico Robert Fisk, no Brasil, não se aplica necessariamente ao noticiário político. Na cultura e no entretenimento estão as piores armadilhas culturais, fazendo com que até o distante caipira do Acre, desde que faça uso das redes sociais, fale a língua da Faria Lima. As guerras culturais tem mais Tchan do que OTAN e até o portinglês remete a um viralatismo cultural nunca assumido. A Faria Lima não tem descanso na tarefa de manipular o inconsciente coletivo, através da grande mídia e das redes sociais, estas controladas pelas big techs, ao mesmo tempo que tenta nos fazer crer de que todo esse culturalismo flui como o ar que respiramos. Sem percebermos o quanto esse “ar puro” vem dos escritórios empresariais do Itaim Bibi, muitos de nós pautamos gostos, hábitos, crenças e até linguagens como se fôssemos brinquedinhos das elites empresariais. Nada é verdadeiramente nosso, pois até comidas e bebidas parecem responder ...