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O PREÇO DE NÃO LEVAR O "FORA BOLSONARO" A SÉRIO


No "maravilhoso" ano de 2021, no qual o Brasil-Instagram sugeria que nosso país seria a sucursal do paraíso, com um "excelente" cenário sócio-cultural movido pela produtividade das redes sociais, houve o custo de não se levar o "Fora Bolsonaro" a sério.

Manifestações com este objetivo se desgastaram pelo longo hiato. O Movimento Fora Bolsonaro achava que não podia fazer manifestações constantes, porque temia se desgastarem os protestos populares, mas foi o intervalo longo, de cerca de 45 dias, que provocou desgaste maior.

Com mais intervalos entre um protesto e outro, o pessoal se cansou e ficou com preguiça de protestar.

E as esquerdas se iludiram com tudo isso.

Achavam que dava para "segurar" Bolsonaro no poder que ele se desgastaria por si só, caindo de podre.

Daí o fiasco do "Fora Bolsonaro", igual ao fracasso do "Fora Temer", que deixou Michel Temer completar o mandato rindo da cara dos brasileiros.

A memecracia foi uma péssima estratégia. As esquerdas erraram ao achar que poderiam derrubar Jair Bolsonaro lutando, ou melhor, brincando na trincheira do filho Carluxo.

E aí vemos Jair Bolsonaro se desgastando, sim, mas não por causa das chacotas das esquerdas, que deram para fazer valentonismo (bullying).

É um horror ver os seguidores de Lula, hoje, fazendo chacota com tudo que for contrário ao petista.

Mas esses vícios vieram com a memecracia. De repente, os brasileiros deram para virar dublês de comediantes, dificilmente arrancando alguma risada.

Essas bobagens sem graça só são engraçadas para os internautas médios, ou medíocres, que riem de mulher gorda escorregando da piscina e de transformador de energia explodindo e caindo de um poste, desde que não caia em cima das cabeças dessa gente mediocrizada.

Memes "garantindo" que Bolsonaro cairia em junho, julho, agosto, setembro e outubro do mês passado. "Previsões" de que Bolsonaro sairia do poder antes do Natal ou do Reveillon de 2021.

Nada aconteceu. Mas se Bolsonaro se desgasta, é porque a direita moderada que o levou ao poder e o sustentou havia lhe abandonado.

Bolsonaro está politicamente isolado? Sim. Mas isso não significa que ele está politicamente morto.

Uma suposta pesquisa de intenções de voto encomendada pela Confederação Nacional do Transporte em parceria com o Instituto MDA, afirma que Bolsonaro cresceu 2,4% em relação à consulta anterior, de dezembro de 2021, de 25,6% para 28%.

Ciro Gomes cresceu de 4,9% para 6,7% e Sérgio Moro caiu de 8,9% para 6,4%, segundo a mesma comparação.

Lula teve uma pequenina queda, de 42,8% para 42,2%.

Pesquisas são duvidosas, porque apenas consultam um pequeno número de brasileiros, se é que consultam, mas elas influem psicologicamente na população, que adere aos dados divulgados através da Espiral do Silêncio, a "síndrome de Maria vai com as outras".

Li o livro A Espiral do Silêncio, de Elizabeth Nöelle-Nëumann, e ela fala muito das eleições na Alemanha, para as quais trabalhou quando era empregada de um instituto de pesquisa.

Mas lá talvez se façam pesquisas, realmente, até porque a Alemanha é um país bem menor que o Brasil. Já o Brasil, sinceramente, raramente eu vi um funcionário de um instituto de pesquisa na rua. E eles eram um pouco mais frequentes no fim dos anos 1980.

Em todo caso, as supostas pesquisas eleitorais são um grande jogo psicológico, pois não são elas que são reflexão da vontade popular, é a vontade popular que atua em função das supostas pesquisas.

E Jair Bolsonaro está num desempenho melhor do que julho de 2021, se dermos crédito a esses supostos dados eleitorais. Ele estava com 26,6%, hoje está com 28%.

Jair Bolsonaro cai e tem, no máximo, 5% de chances de ser reeleito. Ele perdeu o apoio da maioria dos militares, do empresariado, dos evangélicos, do agronegócio, da burguesia em geral com seus aristocratas e famosos.

O problema é que Jair tem a habilidade de apoiar esse 5% de possibilidades. E até se a margem for mais apertada, de 1% para ser reeleito, ele aproveitará essa mínima oportunidade para dar a volta por cima, mesmo sem apoio da "boa sociedade" brasileira.

Jair já retomou fôlego porque investiu no Auxílio Brasil, um projeto assistencialista. E também se refez do descaso com as enchentes na Bahia, Minas Gerais e outros Estados nordestinos aparecendo para verificar a tragédia de Petrópolis.

Devemos admitir que, por melhor que possa parecer, Lula se comporta como o coelho da fábula, acomodado com a expectativa de sua vitória, se não fácil, mas provável.

As esquerdas também vão junto, vide a má vontade com que foram para as ruas protestar contra Bolsonaro, compensando a indisposição com o clima festivo que na prática despolitizou os protestos.

Tanta gente se passando por comediante, sem saber, achando que iria mudar o mundo fazendo sátiras.

Produziam memes nas redes sociais se achando o "Renato Aroeira" de sua casa. Iam para as ruas fantasiados de jacarés e de leites condensados se achando a "Porta dos Fundos" do quarteirão da avenida onde protestava.

Já dá para perceber por que não deu certo. Ninguém levava o "Fora Bolsonaro" a sério. Os manifestantes, sobretudo de esquerda, estavam mais preocupados em bancar dublês de comediantes e lacrarem nas redes sociais.

Daí que o Brasil não é um país sério. O Brasil é uma piada. Até Jair Bolsonaro poder ser reeleito e aposentar o tio do pavê.


 

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