QUEREM QUE UMA "CRIANÇA" DE 526 ANINHOS SE ATREVA A DOMINAR O MUNDO COMPLEXO DE HOJE.
O triunfalismo do lulismo diante de um cenário de devastação social do Brasil e do auge de uma ordem social que se ascendeu durante o “milagre brasileiro” mostra um cenário perigoso de um país que, sem resolver seus problemas internos, quer o protagonismo mundial e o status de “país desenvolvido”.
Esqueçam de uma vez por todas o vínculo de Lula com as classes pobres. Isso virou coisa do passado. Lula hoje é uma mascote da Faria Lima, que reduziu a quase nada o antigo projeto progressista, dentro dos limites sociais tolerados pelas classes dominantes.
A obsessão pela reeleição de Lula vem mais das classes abastadas do que das classes populares, estas desconfiadas de um presidente que fez mais propaganda e festejos do que gestão. Um presidente que só investiu em pautas trabalhistas em última hora e estabelece valores precários de salário mínimo. Não investe em educação e saúde públicas nem em pesquisas científicas, tecnologia e industrialização.
Como as classes populares vão confiar em Lula? A velha simbologia do líder popular morreu em 2018. Lula se deixou levar para este fim. O povo não confia mais em um pelego que faz a festa junto com as elites, em nome da “democracia”, e depois tenta reconquistar o povo.
Do outro extremo da pirâmide, só a burguesia ortodoxa não quer Lula, mas a parcela flexível das classes dominantes não vê a hora de reeleger o petista. Lula é o único com ânsia de protagonismo mundial para o Brasil e, na carona desta causa, a burguesia ilustrada quer obter o status turístico para viajar pelo mundo sem ser humilhada pelo pessoal lá fora.
Muitos querem que o Brasil se torne um país desenvolvido. Mas o problema é que nosso país está deteriorado, social e culturalmente, desde 1964. Um país desenvolvido não se faz somente com economia em ordem, formalidade democrática, eficácia das leis e a prevalência legal do interesse público. Isso é arrumar a casa, mas neste caso os “moradores” é que são o problema.
Nosso país ainda vive de convulsões sociais violentas, de desigualdades sociais profundas e de um poder midiático e mercadológico voraz. Portanto, pretender que o Brasil seja um país desenvolvido é como colocar uma criança para controlar uma usina nuclear. Deixaremos uma "criança" de 526 aninhos comandar o mundo complicado da atualidade?
Que modelo de sociedade o Brasil tem a oferecer hoje? Quase nada. Além disso, a desordem social pode se tornar perigosa se impor superioridade planetária. O Brasil não deve subir no pedestal geopolítico e a verdadeira reconstrução até agora não ocorreu.
Por isso, é mais seguro o Brasil ficar como um país emergente, do que querer ser Primeiro Mundo na marra. Para ser desenvolvido, teria que sacrificar muitos valores socioculturais vigentes há 50 anos, o que vai doer nos corações de muita gente. Portanto, muita calma nesta hora.
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