As esquerdas já começam a reclamar dos vícios da intelectualidade dominante. O sociólogo Jessé de Souza, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Avançadas (IPEA), em seu livro A Tolice da Inteligência Brasileira , reprova a inclinação das elites pensantes para o mercado, em detrimento da consciência da desigualdade social reinante. Já Frei Betto, um dos fundadores brasileiros da Teologia da Libertação, alerta pelo fato de que, no Brasil, não se trabalhou para a conscientização política e a inclusão das classes populares no debate público, que se tornou privativo de sindicalistas e ativistas progressistas de diversos tipos. Durante anos tivemos o domínio de uma geração de intelectuais "provocativos" que se diziam "sem preconceitos", mas tinham sérios preconceitos sociais, muitas vezes cruéis. Eles vinham com muito cinismo dizer que a favela é "linda", a prostituição é "bacana", as baixarias são "divertidas" e a pobreza é ...