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INTELECTUALIDADE "BACANA" SABOTOU DEBATES CULTURAIS DE ESQUERDA

As esquerdas já começam a reclamar dos vícios da intelectualidade dominante. O sociólogo Jessé de Souza, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Avançadas (IPEA), em seu livro A Tolice da Inteligência Brasileira , reprova a inclinação das elites pensantes para o mercado, em detrimento da consciência da desigualdade social reinante. Já Frei Betto, um dos fundadores brasileiros da Teologia da Libertação, alerta pelo fato de que, no Brasil, não se trabalhou para a conscientização política e a inclusão das classes populares no debate público, que se tornou privativo de sindicalistas e ativistas progressistas de diversos tipos. Durante anos tivemos o domínio de uma geração de intelectuais "provocativos" que se diziam "sem preconceitos", mas tinham sérios preconceitos sociais, muitas vezes cruéis. Eles vinham com muito cinismo dizer que a favela é "linda", a prostituição é "bacana", as baixarias são "divertidas" e a pobreza é ...

RESOLUÇÕES DE VIDA PARA QUEM TEM 45 OU MAIS

Sim, é verdade, para desespero dos rapagões privilegiados um pouco mais velhos do que eu, o moleque aqui vai completar 45 anos este ano. E numa época em que, a partir dessa idade, as pessoas começam a se tornar mais reprimidas - é hora do triste refrão "não tenho mais idade para isso" - , e, com isso, a vida começa a perder a graça, seria melhor reavaliar esses conceitos. Continuo tão jovial quanto antes e sinto uma pena que, a partir dessa fase etária, a espontaneidade, o prazer e o entusiasmo começam a morrer nas pessoas, que se apegam nas formalidades e em outras castrações em nome da "maturidade". Só passam a comer e beber mais. As pessoas pouco percebem que uma meia-idade ruim, insossa e sem graça, traz uma velhice pior, e se a terceira idade é alvo de discriminação, é porque o próprio mundo adulto, com sua mania de formalidades, contribuiu para isso ser assim. Vamos enumerar algumas sugestões para as pessoas que têm 45 anos ou mais - vamos colocar o t...

ARTIGO DO DCM DERRUBA MITO LANÇADO POR INTELECTUAIS "BACANAS"

Um artigo do Diário do Centro do Mundo, escrito por Marcos Sacramento, mostra que os ventos intelectuais nas esquerdas estão mudando e que a intelectualidade "bacana" que passeava na imprensa esquerdista com seu proselitismo ideológico para empurrar a "ditabranda do mau gosto" nas pautas progressistas, começa a ser desmascarada. Marcos questiona o oportunismo da grife de roupas Osklem, que lançou uma série de camisetas com a estampa Favela, feita para o consumo de pessoas da alta sociedade que fingem ter alguma consciência social. Nos últimos parágrafos do texto, ele descreve, com uma coerência antes inimaginável, mesmo em páginas esquerdistas: Por mais que essas comunidades sejam berço de manifestações culturais fundamentais como o samba e suas várias vertentes, é preciso lembrar que antes de tudo são espaços com predominância de moradias precárias e marcados pela carência de serviços básicos como saneamento, transporte e educação. Elas foram ocupadas por ...

JOHN BRADBURY REVELA UM RECADO PARA SESSENTÕES BRASILEIROS

Sem aqui querer prolongar os lamentos sinceros que se tem em relação à morte de John Bradbury, baterista dos Specials, músico que faleceu no mesmo dia que o baixista Lemmy Kilmister do Motorhead, duas grandes perdas para a história do rock, um detalhe chama a atenção no caso do falecido músico de ska. John Bradbury tinha 62 anos e nasceu em 1953, dentro de um período, entre 1950 e 1955, que apresenta, no Brasil, homens - sobretudo empresários, executivos e profissionais liberais - de personalidade muitíssimo antiquada. Bradbury entrou nos Specials em 1979. Os Specials eram uma banda de ska da vertente "2-Tone" - que simbolizava a integração artística de músicos negros e brancos, reagindo contra preconceitos raciais ainda dominantes no mundo ocidental de então - e era um derivado do punk rock, sendo uma variação do pós-punk ligada aos ritmos jamaicanos, como reggae e ska. O caso de John Bradbury é apenas um dos milhares de exemplos. Entre músicos que fizeram o punk ro...

LANÇADO LIVRO QUE EXPLICA A CULTURA DOS ANOS 90

Um dos mais recentes lançamentos literários é meu livro Anos 90: Modernidade de Cabeça para Baixo , publicado pela Amazon, e investe num tema bastante em voga nos últimos tempos: a década de 90, época de aparente modernização e amplitude cultural trazida pela era tecnológica e pela globalização econômica. O trabalho é uma adaptação de um projeto de Bacharelado que eu fiz para a Universidade Federal da Bahia entre 1998 e 1999 (apesar de corresponder ao semestre 98.2), acrescido de dados e informações ao longo dos anos. Fiz um grande trabalho de adaptação de textos, informações e dados, procurando atualizá-los na medida do possível, e acrescentei vários textos sobre incidentes e questões que não trabalhei no projeto acadêmico. Portanto, é um trabalho que merece ser lido por muitas pessoas, e dá uma razoável contribuição para o debate sobre o sentido dos anos 90, uma década marcada pelo pragmatismo e pela visibilidade. O livro não se trata de um trabalho nostálgico, mas uma obra ...

NÍVEL MÉDIO UMA PINOIA!

Finalmente vem o tão esperado Concurso do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), para os cargos de Técnico de Seguro Social e Analista de Seguro Social. O cargo de técnico é anunciado como de nível médio, o que, para um concurso desses, com programa organizado pelo maléfico CESPE, órgão ligado à Universidade de Brasília, não passa de conversa para boi dormir. O programa para nível médio (ou seja, válido para quem tem só a formação no ensino médio, o antigo curso de segundo grau) é bem pesado. Inclui Direito Constitucional, Administrativo e Previdenciário, além de Informática e Raciocínio Lógico (eufemismo para Matemática), o que nos faz perguntar se realmente é de nível médio ou se é desculpa para atrair mais candidatos. Afinal, o programa, da maneira como é exigido, mais parece um programa para quem já está formado em faculdades de Direito e Matemática, e só o Raciocínio Lógico exige uma dedicação exclusiva nos estudos, o que sobrecarrega demais os candidatos que dific...

CASO CHICO BUARQUE EXPÕE REACIONARISMO JUVENIL

REACIONÁRIOS DA INTERNET SE ESCONDIAM NO "ARMÁRIO" DE UMA COMUNIDADE DO ORKUT, HÁ CERCA DE DEZ ANOS ATRÁS. O caso Chico Buarque foi o estopim para se observar que existe reacionarismo juvenil, que a juventude e a relativa pouca idade - geralmente abaixo dos 40 anos - tornou-se, durante muitos anos, uma máscara para mentes retrógradas, obscurantistas, reacionárias e autoritárias. 2015 foi o ano da trolagem, dos protestos anti-Dilma e outras truculências da "galera tudo de bom", e um elenco de vítimas, não bastasse Dilma e o ex-presidente Lula serem alvo de xingações mais baixas (o que é muito diferente da saudável oposição ao PT, que a própria Constituição permite), mostrou o quanto os "miguxos" que "zoavam dos outros" passaram a se achar "estrelas". É só ver as vítimas atingidas por ataques verbais ou outras ofensas ao longo deste ano: a jornalista Maria Júlia Coutinho, as atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes, a bl...

"CORONEL DA FAZENDA MODELO" DISCUTE COM "GALERA TUDO DE BOM"

Chico Buarque foi jantar, anteontem, com o amigo cineasta Cacá Diegues, num restaurante da Rua Dias Ferreira, no Leblon, quando, ao sair foi cercado por um grupo de burgueses indignados, entre eles Álvaro Garnero Filho e o inexpressivo rapper Túlio Dek, que andava "sumido" depois que terminou um romance com a atriz Cléo Pires. Alvarinho, por sua vez, é filho de um conhecido empresário da hi-so , Álvaro Garnero. O jovem é, portanto, neto do banqueiro Mário Garnero, que apoiou a ditadura militar e estava associado ao caso NEC, empresa de telecomunicações favorecida, durante o governo José Sarney, com alianças políticas com Antônio Carlos Magalhães e o empresário Roberto Marinho, das Organizações Globo. Os dois então provocaram Chico Buarque, dizendo: "Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido". É um comentário sem pé nem cabeça, justificado por um dos comentários dados pelo compositor: "Vocês são leitores de Veja". A princípio a discussão parecia ...

DESCULPAS QUE PESSOAS ARRUMAM PARA DIZER QUE NÃO HÁ CRISE CULTURAL

A crise acontece no país. Na cultura, não é diferente. Mesmo assim, a chamada "boa sociedade", que se julga formadora de opinião e quer que seus pontos de vista prevaleçam, não gosta que falemos desta realidade. No Rio de Janeiro, há quem procure a aura perdida dos "anos dourados" - o chamado "borogodó", segundo a gíria popular carioca - até em vídeocassetadas. Há pessoas que se sentem ofendidas quando alguém fala em crise, e, por isso, tentam arrumar desculpas ou simplesmente reagem com fúria e grosseria. Vamos às desculpas, já que elas tentam criar uma realidade que não existe. São pessoas que tentam qualquer tipo de argumento para dizer que tudo está bem, às mil maravilhas, que vivemos o melhor momento e blablablá. Isso se dá sobretudo entre aqueles que sentem horror em saber que existe um livro como o meu, Música Brasileira e Cultura Popular em Crise , que não lembra aquelas obras animadas de vlogueiros "filosofando" sobre espinha na...

BIOGRAFIA DE TONINHO HORTA É UM BOM MEIO DE SE APROFUNDAR NO CLUBE DA ESQUINA

O que as pessoas tentam procurar nos "sertanejos" dos anos 1980 e 1990 - hoje tidos erroneamente como "sofisticados" e "de raiz" - , como o romantismo, o lirismo juvenil e as raízes culturais, encontram com muito mais brilho e profundidade no Clube da Esquina. Esqueçam aquelas duplas que cantaram a vitória da Era Collor e que hoje tentam fazer "MPB de mentirinha". Joguem fora os CDs de "sertanejo" que estão nas suas estantes e os troque por discos do pessoal do Clube da Esquina, no qual haverá muito ganho melódico, poético e artístico. Não se fala apenas de nomes como Milton Nascimento e Flávio Venturini, ou então no Lô Borges com mais trânsito entre os roqueiros. Não se fala apenas em "Canção da América", "Travessia" e "Todo Azul do Mar". Fala-se no "lado B", que o público deveria ouvir sem medo e sem depender de mídia para dizer o que se deve ouvir. Toninho Horta é um dos nomes mais inj...