NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA, UM NÚCLEO RELIGIOSO TRAVESTIDO DE CIENTÍFICO APELA PARA "DESCOBERTAS" QUE SÓ SÃO PUBLICADAS POR PERIÓDICOS DE BAIXO IMPACTO NA COMUNIDADE CIENTÍFICA.
O Espiritismo brasileiro, que é o Catolicismo medieval redivivo, apela para mais uma falsa descoberta cientifica, divulgada na coluna Gente da revista Veja - periódico da Abril famoso por suas posições reacionárias e por um raivoso conservadorismo e uma defesa apaixonada do neoliberalismo - , relacionada ao "médium da peruca", que antecedeu João de Deus nas fraudes, na falsidade e no oportunismo, entre outros crimes, mas foi blindado pela ditadura militar e por poderosos latifundiários do gado zebu do Triângulo Mineiro.
A coluna de Veja publicou uma matéria em que acadêmicos da Universidade Federal de Juiz de Fora, ligados ao Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde - uma fachada "científica" a serviço do obscurantismo religioso e que integra a Faculdade de Medicina da instituição - , produziram uma tese baseada num áudio de 54 minutos de junho de 1955.
O áudio foi gravado em Pedro Leopoldo e o "médium" descreve supostas comunicações de espíritos relacionados a um visitante português que presidia a federação "espírita" de Portugal, também fundador de uma revista chamada "Estudos Psíquicos". No total, foram identificados 65 itens verificáveis, sendo 87,7% considerados "precisos" e 3% "incorretos".
Durante a sessão em Pedro Leopoldo, o "médium" teria descrito 18 pessoas falecidas, mencionando detalhes físicos, aspectos de seus comportamentos e alguns episódios de suas vidas. A sessão incluiu suposta psicografia de poemas atribuídos a autores portugueses e uma mensagem atribuída à falecida esposa do visitante português, cuja "assinatura" e "estilo" o "médium" alegou serem "legítimos".
Segundo o "estudo", 30,8% dos casos apresentariam informações que, supostamente, não teriam sido extraídas de fontes convencionais, como livros ou conversas, o que é bastante duvidoso. A matéria dos acadêmicos "espíritas" da UFJF foi publicada na revista Explore, considerada de baixo impacto na comunidade científica.
A tese é muito discutível e não tem fundamentação para ser considerada um fato científico. Como abordagem, a tese soa confusa sob o ponto de vista da Ciência. Seu embasamento científico é muito duvidoso e não há garantia de alguma de conversas ou pesquisas de fontes bibliográficas que possa sugerir o "ineditismo" de algumas mensagens ou aspectos citados nas "psicografias".
Neste caso, a alegação dos "pesquisadores" da UFJF pode ser bastante mentirosa. Nada impede que pretensas psicografias possam ser forjadas de forma sofisticada através de conversas ou leituras que buscassem dados supostamente mais raros sob o prisma do que soa mais conhecido pelo senso comum.
O "médium", em 1955, estava se envolvendo na elaboração de fraudes de materialização - risíveis rituais com falsos ectoplasmas montados com gazes e algodões e modelos cobertos de roupas brancas com papéis de fotos de pessoas mortas colados sobre as cabeças - e a dois anos antes de assediar o filho homônimo do escritor Humberto de Campos, que trabalhava como produtor de TV e foi vítima do "bombardeio de amor", tática perigosa de dominação de uma pessoa ingênua, tramada pelo "médium".
O "médium da peruca" foi uma das personalidades religiosas mais retrógradas de toda a História do Brasil e cujas ideias - sim, pude conhecê-las a fundo, quando fui "espírita" por 28 anos, entre 1984 e 2012 - remetem ao século 12 (auge da Idade Média). Seu projeto de "Pátria do Evangelho" apresenta fortes indícios de restauração do Catolicismo medieval e do Império Bizantino, um perigoso projeto de supremacia política mundial sob a roupagem do Espiritismo brasileiro.
O dito "lápis de Deus" estava, em 1955, no período entre a impunidade do caso Humberto de Campos, quando herdeiros processaram o "médium" pelo uso indevido do nome do falecido escritor, em 1944, e as denúncias do sobrinho Amauri Pena, cuja morte suspeita em 1961 traz indícios de queima de arquivo.
O "médium" também foi um dos maiores defensores da ditadura militar, nunca tendo se manifestado a favor da redemocratização do Brasil. Há fortes indícios de que ele teria colaborado com o regime militar, com intensidade comparável à do Cabo Anselmo, pois a moda das "cartinhas mediúnicas" teria sido uma cortina de fumaça para a crise da ditadura militar (que fracassou com o "milagre brasileiro"), e uma tentativa para salvar o regime imposto em 1964.
O "médium" também foi um dos envolvidos no combate à Teologia da Libertação, na medida em que o Espiritismo brasileiro, através de sua Teologia do Sofrimento, foi utilizado para desviar as atenções dessa corrente católica que denunciava a repressão ditatorial para órgãos internacionais de direitos humanos.
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