O governo Lula começa a prever o aumento do salário mínimo para 2027, meses depois de admitir que o valor de R$ 1.621 instituído este ano é "baixo". Lula no entanto manteve o cronograma do aumento salarial e já começa a ceder às pressões da Faria Lima, que querem uma diminuição da margem de reajuste. O valor anunciado recentemente para o próximo ano será de R$ 1.717, voltando ao acréscimo raquítico de R$ 96 para o salário mínimo a cada ano.
Mais uma vez, os tecnocratas do governo Lula falam que será um "aumento real", supostamente "de acordo com a inflação", alegando que o reajuste salarial irá "beneficiar a renda dos trabalhadores". De 2023 para cá, os reajustes do salário mínimo foram inexpressivos, nos padrões de aumentos consentidos por líderes sindicais pelegos.
Lula, o presidente pelego, decepcionou, e muito, nas políticas sociais. Mesmo a grande mídia, com suas posturas elitistas, não cansou de comparar o salário mínimo do governo do petista ao dos salários estaduais ou de outros países.
O salário mínimo da São Paulo governada pelo "intragável" Tarcísio de Freitas, em 2025, foi de R$ 1.804. O Chile adotou um salário mínimo de CLP 539.000 (pesos chilenos) em 2025, equivalente a mais de R$ 3 mil. O Uruguai tem um salário mínimo de U$ 25.383 (pesos uruguaios), também equivalendo a mais de R$ 3 mil.
O que Lula faz para compensar isso se limitam aos paliativos, como auxílios como Bolsa Família e Pé de Meia e a facilitações nos créditos para pagamentos diversos, incluindo o Minha Casa, Minha Vida. Mas esses são apenas pequenas ajudas de custo que não trazem uma compensação real, como se já não fosse o suficiente o salário mínimo ser cerca de um quinto do que defende o DIEESE, com base na Constituição Federal de 1988.
Outro aspecto a considerar é a perda do poder aquisitivo de quem ganha até dois salários mínimos, pois o aumento salarial não acompanha a velocidade do aumento dos preços que, se chega a ser contida pelo governo Lula através da estabilidade dos valores das mercadorias e, às vezes, com promoções de temporada, mesmo assim é insuficiente para o povo pobre levar para casa algo mais do que uma alimentação menos precária e nada além do básico.
Não se sabe se o valor de R$ 1.717 será instituído ou algum valor maior ou menor seja decidido mais para a frente. O que se sabe é que os pequenos índices de reajuste salarial causaram indignação na população pobre, cujas famílias são numerosas e não conseguem se sustentar mesmo com os auxílios somados aos "salários de fome". Mesmo o Pé de Meia, bolsa para alunos nos níveis de ensino fundamental e médio, são insuficientes para melhorar plenamente a vida dessas populações.
Lula sofre um desgaste político gravíssimo, maior do que as supostas pesquisas de opinião indicam, e sua popularidade anda muito baixa. O presidente está discutindo com seus pares os meios de reconquistar o eleitorado, preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro e pelo aparecimento de terceiro-viáveis na disputa eleitoral. Quem mandou Lula colocar a festa antes do trabalho de reconstrução do Brasil?
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