A BURGUESIA ILUSTRADA QUER PARECER "PESSOAS COMUNS".
Vivemos uma situação insólita. Na aparência, vemos o Brasil buscando protagonismo mundial através de diversas notícias que parecem colocar em posição ascendente o maior país da América do Sul. O favoritismo de Lula, que age como se já fosse vencedor da campanha presidencial deste ano, é garantia para esta nova situação que empolga boa parcela de brasileiros.
Com exclusividade, nosso blogue alerta de que esse momento “aureo” não corresponde à ascensão do povo pobre, a rebelião dos excluídos nem a revolução dos abandonados. Por mais que se mencionem clichês de “revolução popular” através da simbologia em torno de Lula, quem se ascende mesmo nesse contexto de protagonismo mundial do Brasil é a burguesia ilustrada e seus consortes.
A elite do bom atraso, a versão repaginada da antiga elite do atraso, hoje tem a burguesia ilustrada como classe majoritária, mas tem também a adesão do chamado “pobre de novela” e da pequena burguesia de esquerda. Nem de longe é a essência das classes populares, como se nota sei poder aquisitivo acima do normal.
Temos que insistir nisso, afinal o povo pobre, que é diferente dos “pobres” das novelas, das comédias e das propagandas do governo Lula, não está sentindo esse tempo glorioso do Brasil supostamente garantindo seu ingresso como pais desenvolvido. Para quem está no lado de baixo da pirâmide, a impressão é de que pouca coisa melhorou depois que Jair Bolsonaro deixou o poder.
Quem está se empoderando é a burguesia ilustrada, que também conta com setores da burguesia tradicional que, agora “adeptos da democracia”, tentam ocultar as heranças sombrias dos antepassados, supostamente se adaptando aos “novos tempos”.
A “nova” burguesia não se considera burguesa. Essa classe se acha “gente como a gente”, sejam quais forem os estereótipos de simplicidade que ostentam. A burguesia brasileira contemporânea precisa se livrar do vínculo de seus setores mais ortodoxos e tradicionais. A burguesia ilustrada de hoje quer trocar o black tie pelo t-shirt, e parecer "pobre" aos olhos da opinião pública.
Mais festivos e lúdicos, os netos das gerações que pediram o golpe de 1964 precisam agora "mudar" para permanecerem a mesma classe do privilégio. Veem em Lula o "mordomo" para atender aos seus sonhos de "ganhar o mundo". E aí batemos as teclas de que Lula, hoje, virou o candidato da burguesia "moderna", não do povo pobre da vida real.
E isso se explica de uma forma bem simples, embora contrária às narrativas oficiais que cercam o petista. É porque Lula promete o "mundo" para as elites "democráticas" curtirem seus privilégios e sua opulência econômica. Enquanto isso, os sem-teto e os favelados continuam na sua situação de pobreza, apenas obtendo paliativos. Saem da pobreza extrema, mas continuam pobres nas condições simbólicas de miséria.
E aí vemos o quanto a burguesia ilustrada, a parcela mais "legal" das classes dominantes, tenta se repaginar a ponto de querer ser a "substituta" do povo brasileiro. Os miseráveis de verdade é que precisam ser invisíveis, "desaparecer" dos dados estatísticos, tudo para que o Brasil pareça um "Primeiro Mundo" de brinquedo, um parque de diversões para a elite bronzeada se divertir e torrar o seu dinheiro.
A elite do bom atraso pode ser "povo", o povo pobre da vida real é que não pode ser gente, quando muito só recebendo auxílios financeiros e facilidades no crédito. O resto é a pobreza de sempre que têm que continuar aguentando.
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