Sobre a decadência de Lula, aqui vale uma longa reflexão que vai acima de ideologias. Trata-se de uma lição de vida, de perda de oportunidades que trazem consequências drásticas. O terceiro mandato de Lula demonstrou, de maneira confirmada pelos fatos, um vergonhoso fracasso, causando um cenário desastroso na Economia.
Esqueçamos as narrativas do “Luladrão” ou da tradicional patrulha dos EUA contra governos considerados de esquerda, hoje representados pela intervenção de Donald Trump no cenário político brasileiro. Até porque o governo Lula 3.0 mais pareceu um cruzamento de FHC com Sarney e, pasmem, com algumas pinceladas de Collor.
Lula, como esquerdista, atuou de forma anoréxica de tão complacente com as classes dominantes, das quais ele dependeu para manter a governabilidade e a sobrevivência política. Daí que qualquer concessão à direita de Lula era explicada por um eufemismo de uma só palavra: “Democracia”.
Sobre o apoio do “marajá das Alagoas”, o breve período em que Fernando Collor apoiou o lulismo, entre 2005 e 2014, ensinou muito a Lula quanto ao chamado “pragmatismo político”. Daí que, antes de 2022, não se imaginava Lula faltando a um debate presidencial na televisão.
As amargas lições da vida ensinam a Lula que, na vida, nem sempre se pode obter tudo que deseja. Ainda mais ele, com 80 anos e doente, por mais que se esforce em preservar a saúde, Lula deveria tratar o seu terceiro mandato como se fosse o derradeiro. Procrastinar não era recomendável, pois se Lula se mantinha vivo com cuidados médicos, pela idade dele, que já foi fumante no passado, o risco de morrer de repente não era nulo.
Transformar o terceiro mandato num trampolim para o quarto mandato era a coisa mais deplorável que se vou na trajetória de Lula. Querer festejar a vitória política antes de pensar em algum trabalho foi um erro fatal. Lula só começou a governar, e mesmo assim de forma precária, em 2025.
Curioso é que, nos dois primeiros mandatos, eu senti Lula mostrar serviço. Mas no terceiro, ele já começou estranho já na pré-campanha e mesmo na posse. Mandar fechar praia para curtir a lua-de-mel com a Janja, ficar eufórico demais ao falar de seu desejo de governar o país e botar um festival de música que atropelou a posse dos ministros.
Lula se contradisse várias vezes quando falou em reconstrução do Brasil. Admitia que Jair Bolsonaro devastou o Brasil e chegou a comparar o governo do extremo-direitista com os ataques de Israel na Faixa de Gaza. Mas ele, em vez de agir com a natural frieza cirúrgica e atual de forma discreta e dentro do Brasil, ele foi se ostentar no exterior e até interferir em assuntos internacionais, além de fazer discursos cheios de gafes.
Ao longo do mandato, Lula falou baixarias como dizer que pobre quer ter varanda no apartamento para “soltar o pum” e mostrar o dedo do meio num evento. Passou pano nos juros altos da dívida pública, depois de criticá-los de forma agressiva se dirigindo ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Lula aumentou os salários de forma precária e ainda endossou a desculpa da direita ortodoxa de que aumentar mais iria “estourar” a Previdência Social. E, em vez de criar políticas de geração de empregos, Lula investiu no relatorismo de um hipotético crescimento fantástico demais no discurso, mas que na prática soou um farsa.
O fogo amigo do Brasil 247, portal apoiador entusiasmado de Lula, desmascarou sem querer um dos “recordes históricos” da série “Efeito Lula”, ao afirmar que a maior parte do crescimento de empregos envolveu profissões que pagam até dois salários mínimos. Ou seja, trabalho precário, o que significa que Lula preferiu repetir o discurso da “euforia do emprego” de Michel Temer.
No mundo do faz-de-conta de Lula, o Brasil estava desenvolvido e próspero e tudo se deu da noite para o dia. Sem demonstrar serviço, Lula anunciava “grandes realizações” de forma tão patética que chegava a dizer que essas medidas necessitavam ser “informadas” ao povo pobre, que nunca viu um sinal dessas “proezas”.
Lula chegava a agir como se estivesse num mundo paralelo. Achava que a população “desconhecia” suas “realizações”. Seu mundo era do pesquisismo e do relatorismo. Ele falou que os preços altos são “sensação” e tentou reprimir uma campanha que falava de alimentos caros.
As estranhezas de Lula também mostram outro elemento, a ambição desmedida em ser o “dono” da democracia e a querer ser líder mundial. Ele priorizou a política externa e deixou o povo brasileiro de lado, pensando num bloco chamado Sul Global que repetiria a antiga União Soviética. Lula demonstrou também sonhar com o seu imperialismo a ponto de querer ser o protagonista das reuniões do G-7, quando sua condição no evento deveria ser a de um mero convidado observador.
Com tudo isso, Lula ainda aposta na “democracia de um homem só” de se considerar o “único candidato” viável. Mas sua megalomania cobra um preço e a certeza que ele tinha de ganhar as eleições começa a ruir com os escândalos que afetam a polarização.
E aí vemos a queda de popularidade e o desespero de Lula em evitar a derrota. Mas o fato dele querer demais as coisas e achar que pode tudo, ainda mais na sua idade de 80 anos, pode botar tudo a perder, depois de concluir o terceiro mandato que mostrou um Lula gigante por fora e nanico por dentro. O fracasso será uma lição amarga e necessária para quem não mede ambições.

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