“COMBATE AO PRECONCEITO” E “BRINQUEDOS CULTURAIS “ FIZERAM ESQUERDAS ABRIREM CAMINHO PARA O GOLPE DE 2016
AS ESQUERDAS MÉDIAS NÃO PERCEBERAM A ARMADILHA DOS "BRINQUEDOS CULTURAIS" DA DIREITA MODERADA.
Com um modus operandi que misturava fenômenos de “quinta coluna” de um Cabo Anselmo com abordagens “racionais” de think tanks como o IPES-IBAD, o “combate ao preconceito”, campanha trazida pela mídia a partir da Rede Globo e Folha de São Paulo, enganou as esquerdas que tão prontamente acolheram os “brinquedos culturais”.
Para quem não sabe, “brinquedos culturais” são valores e personalidades da direita moderada que eram servidos para o acolhimento das esquerdas médias sob a desculpa de representarem a “alegria do povo pobre”.
Muitos desses valores e pessoas eram oriundos da ditadura militar, mas as gerações que comandam as esquerdas médias, em grande parte gente com uma média de 65 anos hoje, era adolescente ou criança para entender que o que viam na TV durante a ditadura simbolizava esse culturalismo funcionalmente conservador, embora “novo” na aparência, sejam, por exemplo, Gretchen ou o “médium da peruca” de Uberaba.
O acolhimento dessa parcela mainstream das esquerdas ao culturalismo conservador é algo a pensar. São esquerdistas relativamente jovens, sem uma visão crítica aprofundada do mundo, e que viam a TV na época da ditadura militar, felizes por achar que aquilo estava fora do âmbito das casernas e dos grandes escritórios e gabinetes.
Daí que as esquerdas médias acolheram um mesmo “médium” que defendeu e até colaborou com a ditadura - as “cartas psicografadas” eram uma cortina de fumaça não só para abafar a crise do regime ditatorial como para fazer o povo crer que ter morte prematura era “legal”, promovendo a aceitação das torturas e da repressão como “males necessários” - como se fosse “símbolo de paz, humildade e amor ao próximo”.
Os “brinquedos culturais”, que também venderam o “funk” como uma pretensa “rebelião popular”, as mulheres-objetos como “padrão de mulher brasileira” e outras aberrações, fizeram com que as esquerdas vissem o Brasil como uma extensão da novela das 21 horas da Rede Globo.
Daí a fantasia que iludiu muitos esquerdistas, sonhando com a mocinha pobre erotizando e virando funqueira empoderada. Ou o jovem pobre que virava craque de futebol. Ou do velhinho bonachão dando conselhos. Não era o Nelson Xavier que virava o “médium da peruca”, mas era o “médium da peruca” que era tratado como o Nelson Xavier cordial na “novela das nove”.
Junte-se a isso as “pérolas” que os festejados intelectuais bacanas diziam como exemplo de uma “realidade sem preconceitos”. Meninas pobres menores de idade podiam se sexualizar nos “bailes funk” porque aquilo era “educação sexual levada na prática”. Idosos pobres enchendo a cara em bares velhos e sujos ao som do mais piegas cancioneiro brega eram tratados como se representassem, pasmem, um “ideal de vida progressista e libertário (?!)”.
Claro que a composição das esquerdas mainstream conta com muita gente alienígena. Tivemos opositores de Vargas e Jango e apoiadores de Sarney, Collor e FHC que se converteram ao lulismo em 2002. Tivemos também gente que defendeu o golpe contra Dilma Rousseff e que passou a apoiar “para sempre” a volta de Lula à vida política. Estas pessoas agiram na boa-fé, e decidiram abraçar as causas esquerdistas mesmo mantendo seus ranços direitistas aqui e ali.
Mas há os que embarcam no esquerdismo por má-fé ou visando obter vantagens pessoais. Nos tribunais de Internet, os agressores, vendo que são “reacionários demais”, usam o esquerdismo como marquise ideológica para lacrar nas redes sociais. Há também direitistas como José Sarney, Mário Kertèsz (o astro-rei da Rádio Metrópole, na Bahia) e Eduardo Paes que buscam algum vínculo com as esquerdas para parecerem bem na foto.
E há também os novos Cabos Anselmos que buscaram caprichar no “bom esquerdismo” para enganar até os esquerdistas com razoável senso de prevenção. Vide Pedro Alexandre Sanches, o jornalista que saiu da Folha, mas levou seu espírito para a mídia alternativa.
Também consideremos como novos Cabos Anselmos os dirigentes funqueiros MC Leonardo, da APAFUNK, e Bruno Ramos, da Liga do Funk, este repetindo a mesma “agressividade” que marcou o marinheiro Anselmo, depois desmascarado. assim como a festa “quinta coluna” do “baile funk” de Copacabana, em 2016, comandada pelo DJ Rômulo Costa, então sogro da golpista Antônia Fontenelle, um evento que anestesiou as esquerdas, seduzidas pelo falso ativismo da festa funqueira.
As esquerdas se deixaram enganar por esse “combate ao preconceito”, sem imaginar que se tratava de uma guerra cultural violenta e que se apresentava como uma falsa solidariedade ao povo pobre. Morderam a isca sem perceber que esses novos "cavalos de Troia" eram a semente do golpismo.
Sem aprender a lição de um IPES-IBAD, as esquerdas viram um jornalista da Folha de São Paulo quase subir os degraus do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé e viram uma campanha de defesa da bregalização planejada pelas famílias Frias e Marinho contaminarem até redações de veículos como o Brasil de Fato e o portal Vermelho.
Sem aprender as lições de um Cabo Anselmo, as esquerdas acolhem direitistas que lançam palavras mágicas que servem como armadilhas: “interatividade”, “mobilidade urbana”, “caridade”, “paz” e “amor ao próximo”.
Acolhendo tudo isso, as esquerdas médias abriram as portas para o golpismo. Exaltando funqueiros, “médiuns”, ídolos cafonas, mulheres-objetos etc, acreditando num suposto humanismo pró-pobre, as esquerdas deram poder e voz para a direita reclamar disso, permitindo o golpe de 2016 e o pacote de maldades de Michel Temer.
E a pouca coragem das esquerdas em combater os retrocessos se repete e se agrava. Antes foram os valores culturais da ditadura militar. Hoje são os retrocessos trabalhistas, que só são parcialmente combatidos e, mesmo assim, com dificuldade (vide o drama para dar fim à escala 6x1).
Amanhã será o quê? Aceitar redação com português errado nas provas do ENEM? Registrar CPF e dar cidadania brasileira para Nosso Senhor Jesus Cristo? Registrar as mulheres-frutas como patrimônio imaterial brasileiro?
Com esquerdas assim tão condescendentes, a direita deita e rola. E lá vem o Brasil descendo a ladeira, não como na música dos Novos Baianos, mas como na pior das avalanches.
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