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HOMENAGEM DE SAMBA ENREDO CAUSOU DESGASTE AO PRESIDENTE LULA

FORTE INDÍCIO DE CRIME ELEITORAL - Um presidenciável receber uma homenagem torna desigual a disputa para a Presidência da República em 2026.

Há três anos, era proibido criticar Lula. O presidente, que voltou muito estranho, abriu mão até do combate à fome, que o fez chorar nos palanques eleitorais, para priorizar a política externa. A reconstrução não acontecia e relatórios fantásticos demais foram divulgados anunciando façanhas que o povo não sentia. Mesmo assim, qualquer crítica era tida como “lamento bolsonarista” e condenada ao cancelamento.

Daí que 2023 foi um ano ruim para o manifesto do pensamento crítico. O senso crítico era visto como chilique existencialista europeu ou, no nosso país, era visto como um ressentimento bolsonarista. A regra era o AI-SIMco, a “democracia” somente do “sim” e nunca do “não”. Tínhamos que estar de acordo com tudo senão o negacionista factual partia para a campanha do boicote ao pensamento crítico. Pura cultura do cancelamento.

Passaram-se os anos e o negacionista factual começou a ver dificuldades na sua pregação pela conformidade com tudo. Ele, que pedia boicote até para textos que criticassem o fumo e o ato de jogar comida fora, viu que seu mundo ia além de uns quatrocentos amiguinhos concordando com qualquer bobagem que ele escrevia.

Pois Lula cometeu gafes discursivas e, na sua falta de autocrítica, seguiu errando num mandato em que jurou não errar. Querendo parecer gigante no exterior, se encolheu de forma que sua popularidade diminuiu a ponto do Nordeste se tornar um potencial terreno para a propaganda bolsonarista. O povo pobre está decepcionado com Lula e o que as supostas pesquisas de opinião mostram em termos de rejeição é apenas uma leitura suavizada da realidade.

Lula quis se consagrar e era um presidente que buscava a celebração de si mesmo, e achou que o Carnaval iria comemorar a sua reabilitação política. Foi mais um erro de um político sem autocrítica, que espera a dor da canelada para admitir seus erros. Uma falta de estratégia de quem muitos acham ser “o maior estrategista do Brasil”.

E nem vamos detalhar muito o que é óbvio, pois a parte dos "Neoconservadores em Conservas" irritou uma parcela conservadora da sociedade, em grande parte associada ao bolsonarismo. Apesar dos conflitos internos e do inferno astral de Jair Bolsonaro, ex-presidente hoje preso, até agora os bolsonaristas não se sentem intimidados e lançam Flávio Bolsonaro, filho do extremo-direitista, como virtual candidato à Presidência da República.

E aí Lula mais uma vez sentiu a dor da canelada. Com a repercussão negativa do enredo da Acadêmicos de Niterói, agravada por seu rebaixamento, as chances de Lula se reeleger tornam-se incertas. Mesmo quando o PT afirmou que a Acadêmicos de Niterói não recebeu verba do Governo Federal para homenagear o presidente, o povo não acredita e acusa a escola de samba de ter recebido dinheiro público, o que irrita muita gente.

Embora aparentemente o assunto do enredo da Acadêmicos de Niterói possa esfriar, a oposição pode causar o efeito contrário, na campanha para 2026. E o enredo demonstra elementos que definem um crime eleitoral, mesmo de maneira sutil, o que pode dificultar o reingresso de Lula ao Palácio do Planalto. Afinal, Lula, estando em vantagem como o único presidenciável declarado a receber homenagem no Carnaval, acaba fazendo a disputa presidencial deste ano se tornar desigual.

Não canso de ver gente pobre dizendo querer que Lula deixe o poder. Os erros do terceiro mandato, o pior dos três, decepcionaram os brasileiros, só empolgando a burguesia ilustrada que posa de “esquerdista de primeira viagem”. São fatos que soam desagradáveis, mas é a realidade. Quem mandou Lula querer demais para si?

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