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FOLHA DE SÃO PAULO E FARIA LIMA UNIDOS PARA MANTER A ESCALA 6X1


Uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo mostra o quanto o periódico atende aos interesses da Faria Lima, com base na argumentação de que o brasileiro "trabalha menos que a média mundial". A matéria menciona um ranquim de horas trabalhadas em 160 países. O Brasil aparece em 38º lugar, ou seja, nem é um país tão "vadio" assim. E 122 países aparecem depois do nosso em quantidade de horas trabalhadas.

A matéria da Folha de São Paulo apresenta um verniz acadêmico e trabalha uma falsa objetividade através da manipulação de dados estatísticos e uma narrativa "imparcial" bem no estilo do Projeto Folha, que há mais de 40 anos impõe um jornalismo que, na fachada, parece "moderno" e "enxuto".

O texto da reportagem interpreta de forma tendenciosa o levantamento feito pelo economista da FGV Ibre, Daniel Duque, feito com base em um banco de dados feito por Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Dentro de uma perspectiva de julgar a realidade humana dentro do ambiente fechado dos escritórios, a matéria da Folha dispara a seguinte pergunta: "O que provavelmente explica o desvio brasileiro é uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer".

Ignorando vários aspectos como perder horas se deslocando via transporte público, bicos acumulados, horas extras não pagas, jornadas intermitentes e a precarização e a informalidade no trabalho são ignorados pela matéria, que parece entender como "descanso" o longo e cansativo deslocamento por transporte coletivo superlotado.

A própria Folha de São Paulo, segundo matéria do Diário do Centro do Mundo, levava seus jornalistas ao colapso e ao estresse. Um ex-editor se escondeu sob a mesa após uma rotina de trabalho extenuante. Pouco depois, ele foi internado e, em seguida, pediu demissão.

A mesma Folha de São Paulo, sem esconder um sentimento de alegria, noticiou que uma parte do empresariado prepara uma ofensiva para dificultar a aprovação do fim da escala 6x1, proposta em projeto de lei da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Esses empresários irão investir não só em argumentação como vão tentar fazer lobby para retardar a aprovação do projeto de lei.

O sistema de valores brasileiro permite que os trabalhadores tenham somente um dia de descanso. Há uma visão equivocada de que a produtividade aumenta quando se trabalha mais. Pura demonstração de burrice da classe empresarial, que ainda por cima comete o cinismo de posar de "intelectual", dentro de seus think tanks.

A própria Folha, porta-voz da Faria Lima, representa esses interesses privados. O periódico de Luiz Frias, que defende um culturalismo conservador marcado pela glamourização da axé-music, pela pretensa etnicização do "funk" e que tornou-se a última trincheira do Espiritismo brasileiro, o Catolicismo medieval de botox, e seus "médiuns", escondia seu perfil conservador, que fez o periódico colaborar com torturadores durante a ditadura militar, sob uma fachada "moderna" trabalhada nos anos 1980 e 1990 para diferir, só na superfície, ao explicitamente tradicionalista Estadão.

Como estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia, nos anos 1990, eu percebia a imagem da Folha de São Paulo como um paradigma de jornalismo pretensamente arrojado, com textos enxutos e uma reputação falsamente intelectual que enganou muita gente de esquerda. Foi a partir dessa visão que o finado Otávio Frias Filho designou seu pupilo Pedro Alexandre Sanches para se infiltrar na mídia progressista para fazê-la pensar culturalmente "igualzinho à Folha".

Dessa maneira, a Folha de São Paulo do termo "ditabranda" comandou, juntamente com a Rede Globo, a campanha do "combate ao preconceito" para enfraquecer a cultura popular, subordinada à bregalização que se serviu depois no cardápio das esquerdas médias, que não perceberam essa armadilha que o "IPES-IBAD com chapéu de frutas" que é esse tal "combate ao preconceito" representa.

Em nome do "fim do preconceito" para aceitar a bregalização que idiotiza a população pobre - com os comentários cínicos de seus ideólogos e defensores diversos dizendo que "não é preciso gostar, mas é preciso aceitar" - , as lutas populares se debilitaram, os debates públicos se reduziram a discussões de cúpula e o golpe contra Dilma Rousseff foi dado, enquanto falsos aliados das esquerdas faziam o povo pobre se distrair com o "funk" e o tecnobrega, como crianças seguindo o flautista de Hamelin (que se vingou por não ser pago pela população por ter afastado os ratos da referida cidade).

E vemos o quanto o "combate ao preconceito" - que continua enganando setores das esquerdas, que até agora não aprenderam com a armadilha, apesar da adesão de muitos ídolos popularescos a Aécio Neves e, depois, Jair Bolsonaro - contribuiu para o legado golpista que permitiu a escala 6x1, num contexto em que a precarização do trabalho ocorre até mesmo nos "admiráveis" eventos de música brega-popularesca que "encantam" muita gente boa.

Daí que a Faria Lima criou essas armadilhas, e através de seu culturalismo, com funqueiros fingindo serem ativistas e "médiuns" prometendo o céu para quem aguentar sofrer as piores desgraças, permitiu que Michel Temer se ascendesse ao poder para lançar seu pacote de maldades que sobrecarrega os trabalhadores, que precisam trabalhar mais para ganhar só um pouquinho mais, desgastando suas mentes e se esforçando demais para garantir os lucros abusivos do empresariado. Esse é o preço do "combate ao preconceito" na vida econômica e política dos cidadãos.

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