A semana passada terminou com os dois candidatos da polarização, Lula (PT-SP) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cometendo cada um uma canelada, com respectivas decisões que causaram indignação entre grande parte dos brasileiros.
No caso de Lula, a aparentemente “louvável” decisão de combater as bets, que são as páginas de apostas e jogos na Internet, como o Jogo do Tigrinho e portais como Betano, embora tenha como fim evitar o vício dos brasileiros nas apostas digitais, está irritando o meio esportivo, sobretudo do futebol, que via nessa prática uma fonte de renda e de patrocínios.
A medida é arriscada para a sustentação da popularidade eleitoral do presidente em busca de reeleição. A proibição das bets atinge consumidores que, desesperados pelos baixos salários, optavam pela jogatina para obterem mais dinheiro. Torcedores de futebol podem reagir se recusando a votar em Lula.
A situação está tão séria que as entidades ligadas a apostas esportivas na Internet estão acionando o Supremo Tribunal Federal para barrar a decisão do presidente Lula, que pode também estimular a atuação de apostas clandestinas.
Já Flávio Bolsonaro irritou muitos brasileiros por causa de um rumor, atribuído a ele, sobre a alegada promessa de que o extremo-direitista, se eleito, iria revogar o título de Nossa Senhora de Aparecida como Padroeira do Brasil, uma tradição religiosa mundialmente reconhecida. Celebrado em 12 de outubro, o dia de Aparecida é também considerado feriado nacional.
Diz a tradição católica que Nossa Senhora de Aparecida é uma das representações mais famosas de Maria, mãe de Jesus Cristo, e sua origem se deveu a uma escultura achada por pescadores em um rio em Guaratinguetá, São Paulo, em 1717.
Flávio garante que não fez a promessa. No entanto, a mãe de Jesus não é reconhecida pelas seitas neopentecostais. Os extremo-direitistas, aliás, chegaram ao ponto de ofender grosseiramente a personalidade religiosa, dizendo que ela foi “estuprada pelo Espírito Santo”.
Com a repercussão negativa, Flávio acusou um funcionário do Palácio do Planalto e a CNBB de “espalharem fake news”. E se houve bolsonaristas empolgados com o cancelamento de Nossa Senhora, eles depois recuaram e definiram o rumor como uma mentira. De qualquer maneira, o episódio, ainda que fosse um boato, desgastou a imagem do extremo-direitista na campanha presidencial.
Espera-se que os dois episódios possam criar uma séria crise na polarização e que abra caminho para outras candidaturas decolarem, para pacificar o Brasil e dar fim ao projeto do “presidencialismo ostentação”. É hora do Brasil sair do pedestal geopolítico e se preocupar em arrumar a casa.

Comentários
Postar um comentário