Diante das viagens de Lula ao exterior, há uma expectativa de considerável número de brasileiros de que a simples promoção do Brasil ao status de “país desenvolvido” irá melhorar as coisas. Apesar dessa tese empolgar muita gente, isso é uma grande ilusão.
Na verdade, esse projeto “Brasil Primeiro Mundo” só interessa a alguns milhares de pessoas cheias da grana, dotadas de privilégios sociais e de influência no nível médio da chamada opinião pública. São setores da sociedade brasileira que se acham com um complexo de superioridade intelectual, mesmo sendo aparentemente pessoas “comuns”, que acham que podem mandar no mundo.
A elite do bom atraso, essa frente ampla de privilegiados, é a maior interessada por essa ascensão do Brasil. Não será todo o povo quem será beneficiado. As classes populares, que se atolam em dívidas e precisam racionalizar a alimentação, viverá nas mesmas limitações de sempre.
A “boa” sociedade que corresponde à elite do bom atraso, que vai de setores flexíveis da alta burguesia aos chamados “pobres de novela” (a classe próspera da chamada “periferia”), passando pela comunidade woke, é que quer ver o Brasil considerado “desenvolvido” para viver sua prosperidade plena e viajar para o exterior sem problemas.
É complicado dizer isso. A vida não é linear e, mesmo assim, as pessoas acreditam que é. Fica mais fácil, por exemplo, dizer que Lula continua sendo o “presidente dos oprimidos” e creditar qualquer direitista que aparecer de mãos dadas com o petista como um “esquerdista desde o berço”.
É fácil fazer maniqueísmo e reduzir o viralatismo a um grupinho de reacionários de temporada. E esse maniqueísmo, fruto de devaneios opinativos, se impõem como “fatos” mesmo sendo meras fantasias. E aí o negacionista factual entra em ação para zelar pelas narrativas agradáveis em detrimento da realidade que machuca.
O triunfalismo de Lula na ONU mostra o quanto ele tenta atuar de forma desigual em relação aos outros candidatos. E o seu governo de conto de fadas, em que pese os estragos causados pelos juros altos da dívida pública, o “tarifaço” brasileiro, como os preços altos, as falências de empresas, os desempregos.
É uma situação extremamente surreal a que vive o nosso país. E isso em si indica que não dá para fazer narrativas lineares. A realidade é complexa e, com os vários jogos de interesses, as mesmas elites que não suportavam um segundo de João Goulart no poder são as mesmas que querem reeleger Lula quantas vezes for possível. Tudo para a elite do bom atraso ganhar o passaporte da recreação mundial que só Lula tem o interesse de lhe dar.

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