FREDDIE MERCURY E SEU PIANO.
Vamos começar a série de textos sobre como as consultorias de rock no Brasil, nesse mercado comandado pela Faria Lima através da Artplan, 89 FM, Rádio Cidade e companhia, avaliam alguns clássicos de rock, se essas músicas nem tivessem sido lançadas.
A primeira canção é “Bohemian Rapsody”, do Queen, reconhecidamente um grande clássico e uma bela música de Freddie Mercury, com seu vocal dramático e seu talentoso piano e a boa performance dos parceiros, principalmente a guitarra peculiar de Bryan May. Mas vamos ver o que diriam os consultores de rock, se essa música estivesse sido apresentada para eles.
Vale lembrar que não concordo com os comentários abaixo descritos, eles estão escritos para mostrar como avaliam esses consultores de rock.
“Prezado Freddie,
Ouvimos a música que você e seus parceiros gravaram, chamada ‘Bohemian Rapsody’, e nosso parecer é o seguinte. A música é bonita, mas apresenta falhas de caráter técnico que comprometem o potencial da canção.
A música é bem feita, no que se refere à melodia e ao seu canto. Mas ela peca por ser longa demais, e soa cansativa para ser uma canção de rock. Ela tem um andamento muito lento e até para os parâmetros de uma rock ballad ela deixa a desejar.
A primeira impressão que eu tive é essa: ‘Bohemian Rapsody’ não é uma canção de rock. Só tem uma parte que é, mas isso não se justifica. Mas também, como canção de ópera, é muito fraca, soa como um arremedo insosso, embora agradável como uma canção de ninar.
Se fosse fazer uma paródia de ópera, mas com um arranjo mais roqueiro, do começo ao fim, e mostrasse algum deboche, tudo bem. Seria a receita do sucesso. Mas o som da sua canção, meu caro Freddie, soa sério demais e perde a graça de um espetáculo roqueiro vibrante, com uma estrutura complicada e que, levada aos palcos, soa entediante, sem ser roqueira e sem ser realmente erudita.
Só que, como objetivo de se fazer uma canção de rock, ‘Bohemian Rapsody’ não funciona, soa sem pé nem cabeça. Deveria ter uns três minutos e meio e ser trabalhada para ter um formato melódico mais conciso. Do jeito que está, a canção não serve. Nem refrão ela tem. Pode ser uma música bonitinha, mas ela é longa demais e, depois da primeira audição, ela logo cansa.
Vê se faz algo mais simples e direto, Freddie. Faça um rock mais conciso, com refrão, solos econômicos e que sirva para o público assobiar, cantar junto e dançar. Me desculpe, mas ‘Bohemian Rapsody’ não tem futuro na história do rock”.

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