CARNAVAL DE SALVADOR - ALEGRIA TÓXICA E ATÉ BEIJO NA BOCA COMO "PEODUTO DE CONSUMO".
Baiano é preguiçoso? Só se for o baiano rico, pois o baiano pobre é um trabalhador com muita disposição e dedicação ímpares, capazes de promover o desenvolvimento urbano, rural e econômico trazendo, também, benefícios sociais profundis, se lhes fossem dadas as oportunidades adequadas para isso.
Na Bahia cuja capital, Salvador, esconde uma maioria masculina na população - uma "Bahia inteira" de homens negros, índios e mestiços, todos pobres, chegam à capital baiana em busca de trabalho e, na falta dele, são condenados a serem "menos que ninguém" até para os recenseadores - diferente da "Cidade dos Homens" do Censo de 1960, a Casa Grande é que é sórdida.
Não são as classes populares, o povo negro, os mais negativos. O candomblé é uma das religiões que expressam ritos muito bonitos e vibrantes, sem impor dogmas absurdos. É um patrimônio cultural de inegável valor.
Pior é o Espiritismo brasileiro, o velho Catolicismo medieval de botox e creme antirrugas, o mais macabro e negativo entre as religiões. Recentemente um de seus líderes, Peixinho, faleceu, cujo "centro" dos Barris - onde, aos fundos, dava para se ver uma Cracolândia - eu cheguei a frequentar e onde recebi a segunda recomendação para eu trabalhar na Rádio Metrópole, de origem nada digna.
Nossa axé-music também é asquerosa, comandada pela canastrona Ivete Sangalo, pelo picareta e falso altruísta Bell Marques e pela alegria tóxica do É O Tchan, que puxa um cenário ainda mais grotesco de "pagodão" (que trata o negro como se fosse um bobo alegre, um imbecil) e de ritmos ainda mais patéticos como arrocha (franqueado, a nível nacional, pelo "sertanejo de sofrência") e o piseiro (derivado baiano do forró-brega).
Esse rebaixamento da alegria a uma mercadoria, o ato de beijar na boca reduzido a um artigo de consumo, mostra o quanto as energias de Salvador estão muito pesadas, vivendo a "Revolta dos Malês" pelo avesso, por conta de uma elite rabugenta dividida entre a burguesia ilustrada que ouve a Rádio Metrópole e votou um Lula em 2022 e a aristocracia ranzinza que vê TV Itapoan e votou em Bolsonaro.
Pois são os negros que não podem mais viver em paz na Salvador que um dia foi seu reduto pleno. Negros não são gente não apenas no imaginário noturno e hedonista da falsa "cidade-mulher" onde quem não tem a beleza do Cauã Reymond não é considerado homem. Negros pobres ainda atribuídos à sua cidade de origem vivem em Salvador como se fossem bichos, porque tudo lhes é negado na vida.
Temos "médium" que instalou sua instituição cometendo crime de colarinho branco, sem alvará, e que em suas palestras fazia piadas grotescas contra pessoas obesas, contra sogras e contra louras falsas. E há uma burguesia que, de tão metida e, ao mesmo tempo, provinciana e extravagante, lê traduções de matérias do New York Times na Folha de São Paulo e diz que leu no periódico estadunidense original.
É essa Salvador cujo maior "comunicador", depois do falecimento do populista Raimundo Varela - conhecido pelos brutais socos na mesa - , é um ex-prefeito, filhote da ditadura militar e que roubou o povo de Salvador, sobretudo pobre e negro, prometendo grandes obras urbanas paralisadas por um esquema de corrupção feito para montar a fortuna pessoal.
Pois este sujeito, Mário Kertész, um canastrão que se passa por rádiojornalista e um conservador de direita moderada que se acha dono das esquerdas baianas, é o astro-rei da Metrópole, despejando seu opinionismo marcado de muito juízo de valor. Mas como ele virou "amigo de infância" do presidente Lula, é fácil apoiar um canastrão como este. Kertész destruiu o Jornal da Bahia e, em troca de visibilidade, os fundadores do extinto jornal foram passar pano no ex-prefeito de Salvador.
Sinto ainda energias espirituais pesadas por não ter aceito trabalhar na Rádio Metrópole. Não é peso de consciência, pois minha decisão é um grande acerto, apesar da renúncia de uma oportunidade de enriquecimento fácil, que me faria viver, hoje, como um ganhador solitário da Mega-Sena, devido à fama, prestígio e visibilidade obtidos. É como se pessoas invisíveis ficassem revoltadas com a minha recusa em ser um g1g0l0 jornalístico.
E aí vemos que isso tem a ver com as más energias de Salvador, as quais não se deve atribuir ao povo negro, mas à elite cheia de dinheiro e carros que é em parte responsável pelas humilhações e assassinatos de negros e negras no esforço desesperado de "embranquecer" Salvador. Houve até negros pobres mortos por um segurança de supermercado só porque, sem dinheiro, tiveram que furtar alimentos, numa Amaralina "abençoada" por um "centro espírita" no calcanhar de uma das regiões mais perigosas de Salvador.
O próprio transporte público degrada, com linhas importantes sendo extintas de forma criminosa pela Prefeitura de Salvador, obrigando passageiros a fazer baldeação em ônibus e metrôs superlotados. O mercado de trabalho também é injusto, muitas vezes racista, etarista e meritocrático. Concurso público é raro de ocorrer.
E assim vemos que Salvador, definido como "o Brasil levado às últimas consequências" decai tanto que não será surpresa se a extrema-direita ganhar reduto ali. A situação é muito complicada e, assim como na decadência do Rio de Janeiro, ela pode refletir seriamente no Brasil. O momento é de cautela.
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