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ATÉ PARECE O GOVERNO GEISEL, NA ECONOMIA


O governo Lula tenta reverter a queda de popularidade, que atinge níveis vertiginosos, com notícias sobre a industrialização do Brasil, que aparentemente indicam sucesso econômico e promessas de desenvolvimento.

Sabemos que, de uma só vez, Lula frustrou segmentos muito importantes dos movimentos sociais: professores, pesquisadores, camponeses e tribos indígenas. As medidas com benefícios restritos ou cancelados fizeram Lula perder boa parte do seu apoio.

Temos que dar fim à narrativa de que Lula acertou ao priorizar a política externa assim que assimiu o governo. O que Lula cometeu, com isso, foi um erro grave. A lógica diz que não é esse o comportamento dexquem vai reconstruir um país. Não há como falar em acerto de uma coisa dessas, mesmo sob a desculpa de atrair investimentos e melhorar a imagem do Brasil no exterior. 

Alguém acreditaria se um pai abandonasse um filho doente para viajar lá fora, e depois, no exterior, falar bem do rebento e em seguida voltar para casa com um monte de presentes para dar à sua criança? É essa lógica em relação a Lula preferindo viajar para o exterior, adiando até mesmo o combate à fome, maior e mais chorosa causa de sua campanha presidencial.

E aí vemos o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, junto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fazendo parcerias com várias empresas para desenvolver o que o governo Lula chama de reindustrialização do país. 

Tudo bem, isso é muito bem vindo, desenvolver a indústria impulsiona a economia de um país, se ela for incentivada com recursos, trabalho digno e administração competente. Mas vamos combinar que só isso é insuficiente para promover o desenvolvimento social, sem repartir o "crescimento do bolo" com aqueles que mais precisam, que é o povo pobre. Não confundir povo pobre com o "pobre" da narrativa de Lula, que está mais próximo dos estereótipos das novelas e comédias da TV.

E Aloizio Mercadante parece ter esquecido o que é esquerdismo quando falou que seu processo de industrialização vai na contramão do neoliberalismo. Na verdade, a política econômica adotada continua neoliberal, a assistência do Estado às grandes empresas, inclusive estrangeiras, não significa que a medida se tornou oposta ao neoliberalismo. Até nos EUA, a maior pátria neoliberal do mundo, o Estado atua como um anjo da guarda da iniciativa privada.

Além disso, o cenário do governo Lula, pela ironia de tanto se falar em "democracia", lembra muito o governo Ernesto Geisel, não apenas pelo personalismo governamental - o que eu defino como "democracia de um homem só", claramente expressa na campanha eleitoral - , mas pelo contraste entre o progresso econômico e a pobreza que persiste na população e a queda de padrão de vida até de quem antes era quase uma classe média e hoje não tem dinheiro sequer para pagar diploma universitário.

Diante disso, poucos é que são capazes de serem "felizes de novo", como a classe média abastada que sempre viveu de privilégios, sobretudo a partir do "milagre brasileiro", considerando as formas de comportamentos, crenças, desejos e visões hoje vigentes dessa elite bronzeada. Fora uns chiliques de falar mal de Temer e Bolsonaro nas redes sociais, esse pessoal sempre viveu bem na vida e mostra que o governo Lula só serve mesmo a um seleto clube de "predestinados".

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