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PRIMEIRO ATO DE LULA DEVERIA SER REVOGAR O TETO DE GASTOS


Me preocupam as alianças que Luís Inácio Lula da Silva faz com o chamado "centro", eufemismo para a direita moderada.

Na hipótese de Lula conseguir ser eleito em 2022, o risco de seu projeto de governo ser podado, até se reduzir a um genérico da chamada "terceira via" neoliberal, é muito grande.

Não confio em gente como Fernando Henrique Cardoso e do fanfarrão Eduardo Paes - que desistiu de apoiar Jair Bolsonaro para ser o pseudo-esquerdista da temporada - , de práticas políticas bastante lamentáveis.

Furar a bolha é necessário, mas sempre se fura a bolha pelo lado errado.

O critério nem sempre é o do direitista moderado disposto ao diálogo, mas ao direitista oportunista que se comporta de maneira efusiva.

E quando alguém é muito efusivo, é bom desconfiar. É como diz o ditado, "quando a esmola é demais, o santo desconfia".

Também associar ao esquerdismo direitistas que fazem pobre sorrir, prometem a paz mundial e prometem pagar toda a rodada de cerveja dos esquerdistas reunidos, é alerta de sinal vermelho, não o sinal vermelho do esquerdismo, mas o da cautela.

Infelizmente, as esquerdas são muito emotivas e Lula tem esse defeito. É necessário um freio. O céu, para as esquerdas, não é de brigadeiro. É nebuloso e as nuvens podem se tornar em cor grafite, com temporal e muitas trovoadas.

Ninguém quer que Lula seja eleito para fazer o papel de "terceira via" neoliberal. Será inútil Lula ser eleito para cumprir um programa de governo mais digno para um João Amoedo da vida.

Com a mais absoluta certeza, sem margem para discussão, o primeiro ato que Lula deveria fazer é revogar o teto de gastos públicos.

Não há outra coisa a fazer. O Brasil está numa crise enorme, Jair Bolsonaro causou um enorme estrago no país, e o preço para recuperar isso é muito caro.

Não dá para recuperar o país e recolocá-lo na rota do desenvolvimento se manter o teto de gastos.

É impossível fazer um governo brilhante acreditando que dá para fazer mágica com limites para gastos públicos e com auxílio emergencial de R$ 600 distribuído à população.

Limitar a essas duas condições não vai fazer melhorar nosso país.

Auxílio emergencial é necessário, mas para um contexto específico. Assim como não dá para transformar Bolsa Família em algo acima dos contextos de sua necessidade, também não dá para tratar o auxílio emergencial como um "auxílio permanente".

Além disso, os governos golpistas de Temer e Bolsonaro "devoraram" parte das poupanças da União para investimentos e situações emergenciais.

As reservas internacionais foram retiradas pelos dois governos para seus interesses específicos. 

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que seria para investimentos de infraestrutura, foi levianamente extraído como "prêmio de consolação" para os retrocessos sofridos pelos trabalhadores.

Com o fim gradual da Petrobras, também expira o fundo que a estatal tinha para depositar os lucros que, nesta conta, se acumulariam para serem depois investidos em Saúde e Educação públicas.

Ou seja, junta-se tudo isso e temos uma margem de prejuízo nas reservas financeiras que iriam salvar nosso Brasil.

Já é um valor gigantesco a menos, e diante do estrangulamento orçamental do teto de gastos, não haverá como recuperar e desenvolver o Brasil.

Lula já terá muitas dificuldades para melhorar o país. Não será como em 2007, quando ele mesmo se sucedeu e pôde, portanto, ter o caminho livre para avançar nas conquistas incipientes em seu primeiro governo.

Será decepcionante se Lula, pela pressão das alianças políticas feitas, ter que fazer um programa de governo de "terceira via".

Ver Lula se rebaixando ao que Luciano Huck quase ia sendo - ele desistiu da política para ser apresentador das tardes de domingo - será triste. E tanto direita quanto esquerda ficarão indignados.

É por isso que Lula precisa ter pulso muito, muito firme. Saber o momento certo de contrariar os interesses de seus aliados circunstanciais.

Saber que, no primeiro momento, todos estão juntos para derrubar Bolsonaro. Mas, depois disso, Lula tem que se impor com seu programa de governo e evitar fazer o papel de Dom Pedro II que as esquerdas pequeno-burguesas e identitaristas esperam dele.

Lula tem que ser Lula. Ele deve se lembrar sempre do seu talento e habilidade para desenvolver o Brasil com um projeto que seja favorável principalmente ao povo pobre. Sem se prender a medidas paliativas que qualquer "terceira via" faria sem problemas.

Por isso, Lula precisa começar o governo rompendo com o teto de gastos, porque precisará de grandes investimentos públicos para recuperar dignamente o nosso país.

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