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DEMI LOVATO SURTOU, POR CAUSA DESSE IDENTITARISMO ZANGADO

DEMI LOVATO ERA MAIS LEGAL QUANDO ERA ESTRELA DA DISNEY.

Em sua fase identitarista zangada - uma praga para os tempos de hoje - , a cantora e atriz Demi Lovato surtou, mesmo após se recuperar de uma overdose que quase tirou a sua vida.

Depois de manter tatuagens horríveis - como a imagem de leão em uma das mãos - e se declarar "não-binária", além de perder a doçura e se tornar insensível, Demi Lovato encanou de lançar marca de vibradores e afirmar que "namoraria um extra-terrestre".

Triste ver um desfecho desses, que faz a Demi Lovato ser comparável com outra ex-garota legal da safra 2007-2009, a atriz brasileira Cléo Pires, na conduta do identitarismo zangado, que mistura narcisismo com vitimismo.

Demi Lovato era muito melhor quando era estrela da Disney. Era mais graciosa e simpática e lembrava, na aparência, uma versão adolescente da Magda Cotrofe.

Ela era estrela de um seriado chamado Sonny With a Chance, que para Brasil e Portugal teve a nomenclatura infeliz de Sunny Entre Estrelas, mudando o nome da personagem. O título deveria ter sido algo como Uma Nova Chance para Sonny.

Mas vá lá. Nessa época, tinha uma música da Demi, que eu considero muito legal, chamada "Open", que, por incrível que pareça, é um rock melódico bem vigoroso. 

"Open" foi lançada em 2007, mas, se lançada em 1982, daria até para ser tocada na Fluminense FM. Sério. E Demi estava com quinze anos na época!

Agora compare essa música com as coisas que Demi Lovato foi fazer nos últimos tempos. Um pop sintetizado medíocre, algo entre uma sub-Beyoncé com arremedos teen de Celine Dion ou faixas que concorrem, na mistura entre pop dançante e rap, com Britney Spears e Miley Cyrus.

"Tell Me You Love Me" é o oposto de "Open", chata e irritante.

Nos palcos, Demi Lovato aderia à irritante onda de muita coreografia e muita encenação nas apresentações ao vivo desse pop plastificado e postiço comandado pelo todo-poderoso Max Martin.

Houve até mesmo apresentação com Demi deitada na cama, enquanto um dançarino fazia o papel de um suposto parceiro sexual.

O que mais me espanta é que se costuma reclamar que, nos tempos da Disney, seus atores juvenis sejam então manipulados e explorados.

Não vou dizer aqui se isso houve ou não. Mas ver que Demi Lovato (e, no Brasil, a agora "apenas" Cléo) agora são "autênticas", é de cortar o coração de tanta tristeza.

Quer dizer que ser "autêntico" é tatuar o corpo, aderir ao hedonismo sem limites, sentir arrogância e misturar narcisismo com vitimismo, dentro daquela pretensão do jargão "eu sou o que sou e sou o que quiser"?

É um identitarismo zangado, que na verdade é um ressentimento pessoal profundo e oculto, e uma ilusão de que a pessoa precisa ser diferente do que era para parecer "verdadeira" aos olhos dos outros, mas, com certeza, não aos olhos de si mesma.

Creio que o que Demi e Cléo fazem são personagens, mas o problema é que, sob o pretexto da "liberdade", elas se tornam prisioneiras desse identitarismo obsessivo.

Esse identitarismo se baseia no hedonismo vazio, na provocação como único meio de afirmação, na excentricidade de resultados como suposta salvação para suas vidas.

Fico imaginando como seus antigos colegas de escola reagiriam a essas fases atuais. "Respeito minha colega, ela faz o que quiser e desejo muito sucesso a ela, mas ela era muito mais legal nos tempos da escola", diria qualquer um dos amigos colegiais de cada uma dessas famosas ou de outras similares.

Isso não é autêntico. Tanto que há sempre uma sensação de incômodo, um jeito de convencida da famosa identitarista, um desejo inconsciente de reagir a algum ressentimento dizendo "eu sou o que sou, faço o que eu quero e ponto final".

Só que elas nem sabem mesmo o que querem. Só querem a provocação como um fim em si mesmo, lacrar as redes sociais com supostas polêmicas, confundir arrogância com altivez.

E seus comportamentos demonstram que há muito mais forçamento de barra do que espontaneidade, há uma obsessão das identitaristas compulsivas em querer parecer "diferente", como se estivessem se rebelando consigo mesmas, embora achem que se rebelam contra a sociedade.

Enquanto está na moda todo esse imaginário forçadamente rebelde dos mileniais (millenials) que predominam nas redes sociais, faz sentido essa excentricidade de resultados.

Só que a moda passa e tudo o que gente como Demi Lovato vai conseguir é decepção, quando os filhos dos mileniais passarem a ver nesse hedonismo desenfreado e mainstream algo cafona ou, no jargão milenial, cringe.

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