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QUANDO O MERCADO DE TRABALHO VIRA UMA PIADA

 

Parece daquelas estórias de stand up comedy, mas é a realidade. 

Um comediante relativamente jovem, com seus 45 anos, barbinha bem feita e um papo esperto, conseguiu um emprego de jornalista. Numa live de emprego, o humorista, integrante de um grupo de stand up comedy, alegava ter uma longa experiência de jornalismo, narrando um currículo longo demais para sua idade, passando por tudo quanto é editoria. O cara vai ganhar um salário modesto na função de Comunicação, mas deve ganhar por fora mais dinheiro, como integrante do tal grupo humorístico, ou pela monetização das redes sociais, entre outras atividades.

A história toda soa estranha, pois o rapaz, com 45 anos e uma carreira consolidada como humorista, narrou uma trajetória jornalística mais apropriada para um homem de 60 anos e, levando em conta sua carreira sólida como comediante, a gente fica desconfiando de um relato abrangente demais para sua idade. Afinal, como é que, aos 45 anos, alguém pode ter longa experiência como jornalista e, ao mesmo tempo, ter uma carreira regular de comediante? 

Sem querer fazer julgamento de valor, mas o currículo é longo e sobrecarregado para um sujeito como o tal comediante. Não será mais um daqueles relatos que ele faz como comediante de estendape, só que sem o teor humorístico e a graça de uma piada, mas em vez disso um papo aparentemente "sério"?

Outro caso é de um sujeito que presta concurso público para mais de uma instituição. Uma do Judiciário, outra de alguma atividade econômica ou administrativa e uma terceira, uma autarquia ligada à cultura e ciências sociais. Fez as três provas e passou, mas, para sacanear, o sujeito escolheu uma autarquia, achando que seria um cargo de muito prestígio e status.

O atleta de concurso, no entanto, viu que o trabalho não era a burocracia relaxante e quase presa numa zona de conforto de uma rotina trabalhosa, mas agradável e fácil para ele desempenhar, mas já era tarde e ele aceitou o trabalho na autarquia, a princípio pensando que poderia bancar o intelectual.

Pois ele passou a falar mal da autarquia nas redes sociais, usando um pseudônimo. Inventou que a autarquia não trabalha, não tem salário que preste - deve estar insatisfeito com o valor hoje avaliado em R$ 4.200, descontando encargos - , e fica com aquela visão cética sem abrir o jogo do trabalho que realmente se faz. Até mostra, nas redes sociais, conhecimentos técnicos, mas tenta fazer crer que na autarquia ninguém, supostamente, tem a noção do que está fazendo no serviço público.

Além desses dois casos, tem a moda das empresas exigirem conhecimento de aplicativos que nunca se ouviu falar. "Você tem experiência com Bubble, Zero Tet, Anyx, Tuttory?" É cada aplicativo novo que ninguém tem ideia.

Nos concursos públicos, pelo menos caiu aquela mania recente de exigir raciocínio logico até para concurso para babá. Ainda há muitos concursos para ensino médio que exigem conhecimento em Direito, o que, é claro, uma grande pegadinha, pois quem vai levar a bolada é quase sempre quem é estudante ou formando em Direito, claro. Mas ao menos cargos como Analista em Ciências Sociais e Assistente de Comunicação não exigem mais conhecimento em Matemática, pois nada tem a ver com a função, só foi incluída para acirrar concorrência e exigir sobrecarga desnecessária de estudos.

O mercado de trabalho precisa encontrar o profissional certo. Não consegue achar, mesmo quando entrevistas de emprego se tornam mais flexíveis e mais simpáticas. Nada contra exigir alguém que tenha trabalhado com humorístico, mas usar a comédia como critério de admissão sob o pretexto de que o profissional interage melhor com os colegas e pode atuar como dublê de influenciador digital em campanhas da empresa tem suas limitações.

Periga o mercado de trabalho permanecer como uma grande piada. A não ser que as exceções se destaquem como melhores opções de emprego.

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