SEDE DA RÁDIO METRÓPOLE, NA RUA CONDESSA PEREIRA CARNEIRO, PERNAMBUÉS, EM SALVADOR, BAHIA.
Minha preocupação não é a de ser legal o tempo todo e topar qualquer parada. Não funciona para mim a tática de embarcar no primeiro transporte que chegar a meu acesso. Daí que abri mão de uma carreira ascendente na mídia por não acatar um conselho dito duas vezes.
Eu fui aconselhado, em 2003 e 2006, a trabalhar na Rádio Metrópole de Salvador, Bahia, por entrevistadores praticamente tentando me convencer da "grande oportunidade" para uma carreira jornalística. Nessa época, o ex-prefeito de Salvador e convertido no "astro-rei" da Rádio Metrópole, o dublê de radiojornalista Mário Kertèsz, tornou-se uma espécie de "mecenas" da visibilidade regional de qualquer personalidade que visitasse a capital baiana.
Nessa época, Kertèsz era o queridinho da imprensa baiana, com sua Metrópole formando um lobby entre a alta sociedade e as oligarquias regionais do interior da Bahia. Era o "jornalista" (sic) preferido das elites modernosas do Corredor da Vitória. E aí eu recebi duas recomendações cujos detalhes estarão no meu novo livro, Jornalismo em Crise.
O que posso adiantar, aqui, é que esses dois conselhos eram quase desesperados, coisas de gente querendo me convencer a trabalhar na rádio, como repórter ou, talvez, radialista, pois eu tenho diploma de especialização em Radialismo e Publicidade pela Fundação Visconde de Cayru.
Eu teria visibilidade, prestígio, um bom salário, e a coincidência do dia de aniversário, 21 de março - embora Kertèsz mais pareça, em personalidade, com um virginiano do que com um nativo de Áries - , me fariam crescer na emissora e buscar, depois, outros voos midiáticos, quem sabe atuando na TV aberta há muito tempo.
Eu acumularia fama e prestígio, meu salário aumentaria de forma vertiginosa, poderia comprar automóveis e mansões, montar empresas, namorar famosas do porte de Sheila Mello do É O Tchan e teria uma vida nababesca, dentro do contexto elitista-popularesco que é o showbiz da mídia hegemônica brasileira.
Recusei tudo isso porque eu, pessoalmente, não me encontrei nesse universo. Aquilo não era para mim. Renunciei a uma vida de privilégios, não apenas porque começaria a trabalhar numa rádio cuja origem remete a um vergonhoso esquema de corrupção, já descrito com muita antecedência pelo meu professor na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Fernando Conceição. Eu renunciei porque eu não acredito num crescimento pessoal verdadeiro sentando no colo da burguesia baiana, ao mesmo tempo esnobe, extravagante, racista, retrógrada, pedante e provinciana.
Renunciei porque preferi a dignidade à fama fácil e ao enriquecimento sem limites. Sei que perdi benefícios financeiros muito grandes, mas em compensação eu agi em respeito a mim mesmo. Não era cabível eu atuar como um g1g0l0 jornalístico vendendo meu talento de maneira fútil e aceitar ser explorado pela busca frenética da visibilidade e do prestígio. Minhas lições obtidas na vida me ensinaram a fugir desse caminho fácil, mas fora dos meus princípios.
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