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MARIDO DE TICIANA VILLAS-BOAS ABALA TEMER E SACODE O JORNAL NACIONAL

WILLIAM BONNER COMANDOU UMA EDIÇÃO TENSA DO JORNAL NACIONAL E, POR DESATENÇÃO, CHAMOU MICHEL TEMER DE "EX-PRESIDENTE".

Na semana passada, o governo Michel Temer completou um ano de exercício.

Tudo parecia lindo, Temer fingindo que é um "missionário" e, pouco se importando com a popularidade, se revelava otimista e "consciente" com seu "papel na História".

O presidente até teve uma "entrevista" com a jornalista Eliane Cantanhede, num clima de tanta camaradagem que até o Estadão publicou fotos dos dois se divertindo em risadas.

Pejorativamente, esse jornalismo de compadres e comadres é denominado "jornalismo de coalizão".

Tinha a denúncia de que a babá do homônimo filho do temeroso presidente havia ganho um cargo de assessora do governo, mas isso não parecia assustar Temer.

Havia a cortina de fumaça do depoimento de Lula e a manipulação da mídia em torno de declarações do ex-presidente de que a falecida esposa Marisa Letícia havia feito uma outra visita, sem o marido, ao triplex do Guarujá.

Lula ainda continua sendo linchado pela grande imprensa, e ontem mesmo uma foto foi publicada com o ex-presidente visitando o sítio de Atibaia com o executivo da OAS, Léo Pinheiro.

Mas, de repente, eis que entra a JBS, não mais naquela "barriga" da "carne podre".

Aos desavisados, "barriga" é um jargão do jornalismo que quer dizer uma falsa notícia lançada para causar impacto, como se fosse uma novidade ou um "furo" (notícia de primeira mão).

A JBS é uma empresa da família Batista, não a de Eike, mas um outro clã, na Bahia.

Um dos donos da empresa, Joesley Batista, marido da jornalista e ex-co-apresentadora do Jornal da Band, Ticiana Villas-Boas, hoje no SBT, se dispôs a fazer delação premiada para escapar da prisão.

A JBS é uma das empresas enquadradas na Operação Lava Jato, com os irmãos Joesley e Wesley acusados de participar de esquemas de propina com políticos diversos.

Joesley prestou depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) em abril passado e o relato foi enviado para o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin.

Wesley também prestou depoimento, mas as principais denúncias foram dadas por Joesley.

O marido de Ticiana revelou que tem gravações com o presidente Michel Temer dando aval para a compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

Temer temia (olha o trocadilho) que as delações de Cunha e Funaro (parente distante do falecido ministro do governo Sarney, Dilson Funaro) iriam abalar gravemente o governo.

Joesley também falou mais.

Ele tem gravações com Aécio Neves pedindo à JBS uma doação de R$ 2 milhões, depois entregues a um primo do senador e presidente nacional do PSDB.

O dinheiro foi rastreado pela Polícia Federal que descobriu que a verba foi depositada na conta do também senador tucano, Zezé Perrella, famoso pelo episódio do helicóptero apreendido com cocaína, por isso apelidado de "helicoca".

A delação teve que ser noticiada pela grande mídia, porque esta tem que dar a impressão de aparente imparcialidade.

Mas o Jornal Nacional acabou mostrando seu contragosto.

William Bonner, o âncora, errando na leitura do texto e, por desatenção, chamando Michel Temer de "ex-presidente", mostrava-se nervoso e com um semblante tenso.

Renata Vasconcellos, sua parceira de bancada, também estava nervosa, e gaguejava constantemente na leitura das notícias.

Não bastasse isso, uma entrada ao vivo de Zileide Silva, repórter de Brasília, ainda mostrou uma cidadã, atrás, com uma folha com mensagem escrita a mão dizendo em caixa alta "EU VOTEI NA DILMA".

A denúncia do empresário repercutiu de tal forma que no Congresso Nacional parlamentares manifestaram repúdio a Michel Temer.

A população também foi se manifestar e os movimentos sociais passaram a pedir "Diretas Já".

Michel Temer, é claro, tentou desmentir que tenha pedido para a JBS pagar Cunha e Funaro para evitarem delações.

O temeroso presidente já tem julgamento marcado para o caso da chapa eleitoral com Dilma Rousseff, a chapa Dilma-Temer, na campanha de 2014.

Será no próximo 06 de junho, data relativamente distante, se percebermos que a agonia de Temer fará a vida do presidente caminhar mais lentamente.

Não será fácil para um senhor que completará 77 anos em setembro, um homem retrógrado que, ironicamente, nasceu cerca de duas semanas antes de John Lennon, aguentar tanta tensão.

E logo quando a reforma da previdência ainda não foi votada e a reforma trabalhista ainda não foi oficialmente consolidada para "desconsolidar" as leis trabalhistas de 1943 e seus aperfeiçoamentos posteriores.

Já se fala que o governo Michel Temer está no seu inferno astral, caminhando para o fim.

Nada como uma semana após a outra.

Na semana passada, o governo Temer parecia trafegar num céu de brigadeiro.

Hoje ele enfrenta nuvens pesadas de trovoada intensa.

Além disso, Michel Temer tem que se preparar para o verdadeiro papel que a História lhe reserva. O de pior presidente da República de todos os tempos.

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