A absolvição do ex-juiz e hoje senador Sérgio Moro, dadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral anteontem, rejeitou pedido de cassação do ex-líder da Operação Lava Jato movido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que apontou irregularidades no uso de recursos financeiros na campanha do paranaense.
Apesar da absolvição, o relator do processo Floriano de Azevedo Marques, sinalizou que pretende abrir nova investigação contra o ex-juiz, que por sua vez alegou que o desfecho do processo jurídico seguiu “critérios técnicos”.
Moro, ao ser considerado “inocente” no processo, tem um caminho perigosamente aberto para sua reabilitação política, e o senador pelo Partido Liberal (PL) afirmou que pretende tirar o PT do poder em 2026. Moro pode se tornar o Milei brasileiro, no auge da polarização política com Lula.
É uma possibilidade bastante alta, sobretudo se percebermos os erros do governo Lula, que prioriza a classe média abastada e os grupos identitários, além de focar na promoção pessoal do próprio presidente, em detrimento de políticas de verdadeiro enfrentamento dos reais problemas do Brasil.
Expressando um precipitado clima de festa muito estranho para o processo de reconstrução do Brasil e tendo iniciado o atual mandato fazendo viagens desnecessárias ao exterior, deixando até o combate à fome em segundo plano, Lula viu o preço de seus erros ao sentir a queda de impopularidade se acentuar, como no evento do Primeiro de Maio.
As concessões à direita moderada, como a frente ampla da campanha presidencial e os acordos com o Centrão no governo, também fizeram as classes populares se decepcionarem com o presidente. E isso pode servir de gancho para a ascensão de Moro numa possível candidatura em 2026.
Lula só consegue satisfazer e até empolgar seu clube de privilegiados, do pobre remediado ao famoso milionário. Enquanto isso, a baixa classe média (classe trabalhadora, segundo critérios de Jessé Souza) e os miseráveis extremos (a “ralé”, segundo o mesmo Jessé), perdem dinheiro, acumulam dívidas e têm muita dificuldade de obter um emprego.
Como é a classe média abastada que domina as narrativas nas redes sociais, imagina-se que todo o povo está com Lula e que o presidente exerce o melhor de todos os mandatos da República brasileira. É essa classe que usa Instagram, Tik Tok, YouTube e WhatsApp em larga escala, o que faz prevalecerem seus pontos de vista subjetivos e opinativos que se pretendem “mais realistas que a realidade”.
Fora dessa elite, porém, a realidade é muito dira: preços de produtos e serviços caros, salários baixos, mercado de trabalho exigente demais e muito preconceituoso, sistema de valores antiquado, com resíduos culturalistas da ditadura militar.
É, portanto, um cenário confuso, complexo e problemático, do qual não cabe sonhar alto, do contrário que Lula tanto fala nos seus discursos. A ascensão de Moro pode trazer sirpresas sombrias para o país embora, por ironia, será o feitiço se voltando contra a feitiçaria da elite do atraso, que fez das suas no seu golpismo mas hoje se apoia nas barbas de Lula para sobreviver, agora oculta, como classe privilegiada. Moro se voltar contra aqueles que o lançaram será um desfecho muito irônico.
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