É uma grande falta de respeito. A tragédia do Rio Grande do Sul ainda não terminou, ameaça se repetir e até se agrava. Houve furacão no interior gaúcho. Há risco de doenças infecciosas. Pessoas contabilizam mortes e prejuízos financeiros. Ladrões saqueiam abrigos e roubam donativos, aumentando a agonia dos já traumatizados moradores do Estado sulista.
E o que fez Lula, depois de um breve momento agindo corretamente ao acompanhar o triste incidente? Viajou, depois, para Alagoas, domicílio político do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, para fazer afagos ao Centrão e prometer as tais “verbas para emendas”, uma palavra prolixa que significa compra de votos.
E é assustador ver lulistas sorrindo de orelha a orelha ao verem que deputados ganham uns milhões de reais a mais de “gorjeta” se votarem conforme deseja o presidente Lula. E é pavoroso que lulistas se contentem com trabalhadores ganhando só R$ 1.412, acreditando que a religiosidade do povo brasileiro fará o milagre da multiplicação dos tostões, com o Bolsa Família creditado como um suposto programa de rentismo popular.
Já se comemora vitória no começo da luta. Enquanto os gaúchos, e mesmo a classe média de lá, mesmo a elite do bom atraso local, já vê perder bens e entes queridos e ainda teme sofrer algo pior, os lulistas já comemoram o heroísmo de Lula e já falam em reeleição. Se bem que uma suposta pesquisa de opinião, feita pelo Genial/Quaest, teve que admitir que 55% dos brasileiros não querem a reeleição de Lula.
Não seria bom. Lula 3.0 é o presidente tomado de muito estrelismo, só para fazer um trocadilho com a estrela (cadente?) símbolo do PT, o Partido dos Tucanos. Lula só quer saber de promoção pessoal e, depois que leu biografias na prisão, o presidente brasileiro contraiu a doença infantil de querer ser uma celebridade histórica mundial, achando que fazer História é o mesmo que competir uma gincana escolar.
Só que não é assim que acontece. A História não é uma serviçal, e seu julgamento vai acima dos tempos. As paixões presentes não podem se arrogar a determinar o futuro e Lula, na medida em que persegue o prestígio internacional, se encolhe a cada mês, daí o vexame do Primeiro de Maio, quando o proletariado deu seu recado de decepção com o ex-sindicalista. Um fato que os lulistas tentaram renegar com desculpas esfarrapadas.
E é irônico que o Estado brasileiro mais sofrido bo momento é o Estado natal de Getúlio Vargas, que continua insuperável na sua grandeza política. Perto de Vargas, Lula parece uma pulga, de tão desejar ser grande e encolher na proporção inversa das ambições do atual chefe do Executivo nacional.
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