Brasil estranho, muito estranho.
Uma “democracia de um homem só”, em que um decide, no caso o presidente Lula, e o resto, o povo brasileiro, é aconselhado a apenas brincar e festejar. Um “Brasil único” em que uns são mais “únicos” do que outros. Um Brasil “igualitário” em que, citando George Orwell, “todos são iguais, mas uns são mais iguais do que outros”.
Um Brasil que está mais preocupado com a festa. A justiça social se deixa para lá, nesta República do Instagram a que se tornou o país de Lula 3.0. Só existe a “democracia” do “sim”, o AI-SIMco que decreta que o pensamento crítico, em vez das punições de caráter físico como nos anos de chumbo de 50, 55 anos atrás, há a punição psicológica do cancelamento nas tedes sociais e no boicote organizado dos leitores da blogosfera e de livros em geral.
É um país que despreza as classes trabalhadoras, esnobadas pelas próprias militâncias esquerdistas de hoje, gracejando dos fracassos das lutas sindicais. Nunca na história do nosso país temos uma esquerda que já não disfarça mais a inclinação para as causas pelegas e identitárias, com o hedonismo do entretenimento atual se torna uma máquina de fazer dinheiro que enriquece, de forma exorbitante e a níveis estratosféricos, a elite de empresários, famosos e esportistas envolvidos.
O parque de diversões a que se tornou o Brasil-Instagram de Lula 3.0 despreza as necessidades dos trabalhadores dormirem cedo para acordarem ainda de madrugada para irem trabalhar. Uma esquerda mentirosa, que se arroga em dizer que defende os trabalhadores mas desdenha de suas lutas, seus anseios e suas necessidades.
Uma “sociedade do amor”, sem medo e sem amor, que apoia o golpe do baú, joga comida fora com orgulho e fica feliz quando deputados ganham muito mais dinheiro para votar com Lula. Hipócrita, essa esquerda está mais próxima da burguesia extravagante dos enredos surreais da obra do cineasta Luís Bunuel.
Nossas esquerdas se rebaixaram a esquerda caviar, esquerda cirandeira, esquerda namastê, esquerda havaiana, esquerda identitária, que prefere o fanfarrão que fica gritando de madrugada, rindo alto, bebendo e contando piadas sem graça que só sua turma acha engraçada.
Nossos esquerdistas agem hoje como verdadeiros milicianos da diversão hedonista, indiferentes à necessidade de descanso dos proletários, e desdenhosos aos filósofos suicidas, agricultores famintos e sobrinhos de “médiuns espíritas” picaretas que desaparecem debaixo dos arquivos. As esquerdas chocam com suas pisturas egoístas e desumanas. Por muito menos, no passado as esquerdas viram Carlos Lacerda e Rachel de Queiroz desembarcarem da causa esquerdista, decepcionados com posturas nem tão perversas como as que se vê hoje.
Agora essa elite pouco se preocupa com a tragédia do Rio Grande do Sul, com mais de 120 mortos, pois eles não são os seus colegas da roda de cerveja. Chegam q ficar mais ocupados em discutir fake news sobre a enchente ou qual o famoso - em grande parte uma subcelebridade - vai fazer uma doação milionária às vítimas da tragédia, mal congecidas por meros números estatísticos.
Depois de uns breves dias de comoção midiática com a tragédia gaúcha, essa “sociedade do amor” voltou a sorrir, dançar o “funk”, o trap (com mais robôs do que feira de tecnologia de Tóquio), o piseiro e o sambrega, achando que os gaúchos já estão se virando. Lula, ao elogiar a solidariedade do povo gaúcho, dispensou sua bolha de seguidores de se solidarizar e todo mundo voltou ao seu recreio, no seu egoísmo abusivo e gritante de sempre.
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