O fisiologismo político de Lula deve ser observado entre os fatores profundamente decepcionantes neste que já pode ser considerado o pior mandato do presidente, constatação que se baseia em dados e não no simulacro discursivo de estatísticas, relatórios, opiniões, textões, cerimônias, propagandas, promessas etc. O mero esquema de Comunicação não substitui necessariamente a realidade que representa.
A vida real é muito diferente do clima de festa da bolha lulista, da democracia de um homem só em que o presidente decide e os brasileiros vão brincar e festejar. Eu posso dizer isso porque sempre andei pelas ruas, passei por muitos subúrbios e, ultimamente, só ouço trabalhadores se sentindo decepcionados e traídos por Lula, que age como um grande pelego.
Quem gosta de Lula é a elite do atraso, hoje repaginada e ressignificada como uma classe “tudo de bom”, depois que seus pecados e atrocidades de mais de 500 anos foram colocados na conta do bolsonarismo. Assim, as elites golpistas e egoístas, que cobram muito de quem não tem mas são incapazes de doar seu excesso de dinheiro para ajudar o próximo para não abrir mão do supérfluo e até do nocivo - como o consumo de cerveja e cigarro, cancerígenos - , podem agora esconder seu currículo podre de tão sujo para mostrar uma imagem limpinha e cheirosa que agrada até as esquerdas médias.
Por isso mesmo é que o Lula 3.0 está muito distante dos dois mandatos anteriores, bons mas nada revolucionários. Perto do que foi Getúlio Vargas, Lula representa uma pequenez política que até mostrou serviço entre 2003 e 2010, mas que hoje se encolhe em proporção inversa à ambição grandiloquente do atual chefe do Executivo nacional, num clima de festa incompatível com o contexto de reconstrução do Brasil que Lula não explica se já ocorreu ou vai ocorrer.
No entanto, uma prática negativa já trazida dos mandatos anteriores de Lula e que ocorre hoje sob novas máscaras tornou-se a raiz do antipetismo que culminou no golpe de 2016. O ato de Lula comprar votos do Congresso Nacional para aprovação de suas emendas deu origem às denúncias anticorrupção que deram impulso à militância reacionária que resultou na ascensão do bolsonarismo.
Hoje a compra de votos é definida pelo eufemismo “técnico” de “verbas para emendas parlamentares”. A manobra consiste em criar uma narrativa complicada para dar conveniência a esse suborno do Legislativo, de forma a fazer com que até o petista raiz que ainda acredita em Lula vá para a cama dormir tranquilo.
A narrativa é assim: Lula libera recursos financeiros para o Poder Legislativo, sobretudo a Câmara dos Deputados, para votar com o governo. Voltando a favor, cada parlamentar recebe uma grande quantia de dinheiro pela tarefa. Consta-se que uma parcela de verbas também vai para os ministros de Lula. No ano passado, o governo Lula destinou R$ 30 bilhões, superando o governo Bolsonaro em três vezes.
Daí percebemos a falta de autocrítica de Lula, que nunca deu uma explicação sobre acusações de corrupção, preferindo atacar os acusadores a ter que prestar contas com a opinião pública. E isso deu origem à queda de popularidade de Lula, que acontece gradualmente há um tempo, mas tende a se acentuar nos próximos meses.
Daí que Lula, que compra votos para aprovar suas propostas, poderá até fraudar urnas eletrônicas para ganhar mais um mandato em 2026. Já estou começando a achar que Lula é mesmo corrupto…
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