Não podemos ser politicamente corretos e, se apegando ao mito de Lula, medirmos e realidade de acordo com as fantasias e o pensamento desejoso. Infelizmente o atual mandato de Lula é o mais decepcionante e vamos combinar que a verdade dos fatos não é patrimônio da “gente legal” com muito dinheiro no bolso e tempo de sobra para dividir entre as redes sociais, o cigarro e a cerveja.
Não. A verdade dos fatos escapa do Brasil-Instagram, fugindo até dos textões que os insentões de plantão, desesperadamente, fazem na vã tentativa de moldar a realidade de acordo com suas vontades pessoais. E logo no supostamente melhor governo de toda a História do Brasil, um fato aberrante acontece.
Trata-se do aumento da concentração de renda, uma consequência em tese bizarra para um cenário político como o de Lula, mas que se tornou uma realidade bastante verídica e dolorosa.
Há a concentração de renda de setores tradicionalmente enriquecidos, como o empresariado, o setor financeiro, os magistrados e a classe política, que já embolsou generosos milhões de reais para cada voto concordante ao que Lula propõe.
Há alguns setores, tradicionais também, que no entanto são menos visados, como “médiuns” e dirigentes “espíritas” superfaturando em nome da “caridade” e dos “votos de pobreza”, como o empresariado do entretenimento, incluindo esportes, e o empresariado de bebidas alcoólicas, que sob o atual governo estão vendo o dinheiro multiplicar em suas mãos de forma descontrolada e, o que é assustador, sob os sorrisos benevolentes da “boa” sociedade, aquela elite que se acha “mais povo do que o povo” só porque é a “gente mais legal do mundo” que posta as “boas coisas da vida” no Instagram.
Como ver a elite “democrática” sorrir de orelha a orelha quando deputados ganham milhões de reais para votar a favor de Lula? Como essa elite dita “gente como a gente” vai depositar grandes somas de dinheiro aderindo ao fanatismo futebolístico e ao consumo voraz de cerveja, em quantidades que fazem as águas que inundaram o Rio Grande do Sul parecerem areia do deserto?
E ainda temos os novos agentes sociais no ranquim do alpinismo financeiro: subcelebridades fabricadas pelos riélite chous da vida, com o Big Brother Brasil convertido a uma “Hollywood do viralatismo cultural enrustido”. Além deles, comunicativos influenciadores digitais que têm a habilidade de usarem muita comunicabilidade e desenvoltura para falar coisas sem importância.
E ainda temos todos os ídolos musicais popularescos, que choraram tanto que faziam a tal “música de pobre”, que hoje estão muitíssimo mais ricos do que muito bossanovista acusado de ser um aristocrata das antigas. Um caso aberrante é o do trap, franquia do “funk ostentação”, cujos intérpretes ostentam bens de luxo, sem o menor escrúpulo. E ainda usam a origem pobre como “carteirada”.
E os empresários de forró-brega, piseiro etc agem com cinismo, forjando falsa modéstia usando jeans rasgados e tênis velhos mesmo quando vestem paletós, escondendo suas condições de magnatas gananciosos. Tudo para parecerem “pobres” e “diferentes” dos paradigmas e estigmas das elites ortodoxas que hoje são quase uma ficção de velhos seriados dos anos 1970. Até a Caras e o Copacabana Palace ficaram pop!
Quanto às “verbas para emendas” que renovam a concentração de renda dos deputados, eu me lembro de quando eu, com 14 anos em 1985, ouvia as primeiras críticas políticas na minha vida e o povo não gostava de ver deputados e senadores ganhando fortunas exorbitantes.
Quase quarenta anos depois, ver os lulistas, tão “democráticos e progressistas”, tão gabosos de sua “consciência política e defesa da justiça social”, ficarem felizes com deputados ganhando fortunas para votar com Lula, me traz constrangimento.
Nunca na História do nosso país vivemos um quadro tão sirrealista. Nem o patético bolsonarismo, que media a competência política pelas condições de delegado de polícia, militar e pastor evangélico, chegou a tais níveis do ridículo. Gente que vai dormir tranquila nesse novo cenário de concentração de renda citado aqui em vários casos, é gente que despreza a realidade do nosso país. Paciência, as narrativas que prevalecem nas redes sociais vêm das elites abastadas com muito dinheiro no bolso. O povo de verdade não tem tempo nem dinheiro para usar as redes sociais.
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