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ONDA NOSTÁLGICA BRASILEIRA FOCA DITADURA, SARNEY, COLLOR E FHC

 
SOB A PRESIDÊNCIA DE FERNANDO COLLOR, A MÚSICA BREGA-POPULARESCA PASSOU A SER DOMINANTE EM TODO O BRASIL 

A onda de nostalgia que toma conta do Brasil e que envolve o lazer mais fútil que alimenta as indústrias de cervejas e cigarros - setores cujos empresários lucram mil vezes mais abusivamente do que muitos políticos abertamente corruptos - , mostra o grau do mais vergonhoso viralatismo cultural que assola o país.

O brega vintage é o que há de vergonhoso na cultura musical. Vexaminosas canastrices musicais servem para embalar lembranças supostamente felizes, que fazem muitos confundirem memória afetiva com atestado de qualidade musical.

Nomes como É O Tchan, Michael Sullivan, Bell Marques, Chitãozinho e Xororó, Gretchen e todo o "funk" - alvo da constrangedora choradeira intelectual cujo papo de "combate ao preconceito" ninguém em sã consciência aguenta mais - mostram o quanto o viralatismo cultural enrustido é doentio, de tal forma que se esconde o lodo fedorento debaixo do tapete.

No culturalismo estrangeiro, o viralatismo se dá conta pela supervalorização de nomes medíocres como Johnny Rivers (um crooner comportadinho), Outfield (um sub-Police qur soava mais como um pastiche ruim do Men at Work), e, principalmente, Michael Jackson (que de 1991 ao fim da vida virou subcelebridade) e Guns N'Roses (banda poser que poucos se esquecem ser uma imitação barata do Led Zeppelin).

Oficialmente, viralatismo cultural se limita apenas ao espólio diretamente ligado ao bolsonarismo. Mal se consegue atribuir como tal o legado culturalista aos períodos de Michel Temer ou de Ernesto Geisel, general que governou o Brasil nos "anos dourados" dessa gente vira-lata que acha que tem grande valor.

Sim, porque se observarmos bem, a nostalgia musical - e, fora dela, o saudosismo pelo futebol da Copa do Mundo de 1970, e a supervalorização do seriado datado Chaves - remete aos piores cenários políticos brasileiros, o que mostra o grauxde felicidade associado a essas épocas, na ironia de estarmos vivendo hoje o mais fraco dos mandatos do presidente Lula, que cumpre bem menos e em qualidade inferior aquilo que prometeu e sugere querer fazer.

Note que boa parte das músicas que despertam saudade fizeram sucesso nos tempos do AI-5, em especial aquele brega com arranjos de mariachi que fedem a mofo tóxico, com aquelas vozes falsamente operísticas de parte de seus intérpretes, coexistindo com outras vergonhosas canções de ídolos com vozes molengas, também beneficiados por essa "nostalgia de resultados".

Parte do culturalismo da Era Médici, e os demais culturalismos da Era Geisel e dos períodos de Sarney, Collor e FHC dizem muito da felicidade da elite do bom atraso, que nunca assume seu viralatismo gritante. Mostra o tom de saudosismo doentio movido a juízos de valor claramente solipsistas mas que tentam obter a reputação de avaliações científicas.

Se, no plano religioso, a figura mais adorada é um abominável "médium" feioso, horrendo, com problemas mentais - que não o impediram de ser um reacionário consciente e defensor de um ultraconservadorismo medieval - e 400 livros de atribuições fake a autores mortos e que mostraram ideias obscurantistas mais apropriadas para o século XII, então o Brasil está ferrado.

É doentia e deplorável a obsessão por esse sujeito mesquinho, que esconde a morte suspeita de um sobrinho, possivelmente envenenado por "queima de arquivo", é triste. Ainda mais motivada pela falsa solidariedade que se fundamentou em mensagens fake de familiares mortos, produzidas de maneira artificial através de depoimentos, pesquisas de fontes escritas e até de interpretação de gestos e linguagens (a "leitura fria"). Isso para não dizer a humilhação, que só encanta os "ativistas de sofá" na sua hipocrisia paternalista de todo dia - , do assistencialismo barato que fez muitos pobres passarem vergonha em longas filas para receber, por mês, mantimentos que mal duravam dois dias.

É constrangedor ver muitos brasileiros adorarem um sujeito desses, um "João de Deus que deu certo", um lunático que se dizia paranormal e que a ditadura militar fez tornar-se "filantropo" e "pacifista", falsas qualidades reforçadas pelas de pretenso profeta trabalhadas durante os períodos de Sarney, Collor e FHC, promovido a um "Nostradamus do viralatismo cultural".

É triste ver que ainda se passa pano nos erros de um sujeito desses, enquanto a trilha sonora apresenta o pior do pop internacional e os sucessos popularescos de sempre, e pessoas falam de futebol, esse esporte tomado de preocupantes paixões tóxicas, para disfarçar a falta de assunto. E isso com o consumo irresponsável de cerveja e cigarros, a mamadeira e a chupeta de gente grande por fora e terrivelmente imatura por dentro.

Assim não há como ver o Brasil indo para a frente, conquistando o Primeiro Mundo. Se o pessoal tem saudade do culturalismo gourmetizado da ditadura militar e de governos neoliberais, então o nosso país não anda para a frente, anda para trás. Se deixarmos, voltaremos ao século XVII, outra "época feliz" do país vira-lata. Até que os brasileiros sejam pegos de surpresa pelos efeitos que Javier Milei e um Donald Trump em processo de reabilitação poderão causar no nosso país.

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