COMPLEXO DO LÍDER SUPREMO AIATOLÁ ALI KHAMENEI, EM TEERÃ, DESTRUÍDO PELO ATAQUE. O LÍDER FOI MORTO NA OCASIÃO.
A situação é complicada. Não há heróis. Não há maniqueísmo. Apenas vivemos situações difíceis na política internacional, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu bombardear o Irã e matar o líder supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, sua filha, seu genro e seu neto, entre outras vítimas. Outro ataque atingiu uma escola de meninas em Teerã, matando 148 pessoas, entre elas muitas crianças. O governo iraniano decretou 40 dias de luto após o bombardeio que matou Khamenei. O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, também foi morto no atentado à sede do governo daquele país.
Outros ataques ocorreram. Depois do atentado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometeu vingança como “direito legítimo” e o governo do Irã já realizou os primeiros ataques contra Israel. Já no Irã, assim como na Índia e no Paquistão, seguidores e opositores de Khamenei fizeram manifestações. Após a morte do líder supremo, o aiatolá Alireza Arafi assumiu interinamente o poder, conduzindo o processo de sucessão.
O governo de Israel tem um apetite herodiano de exterminar crianças, o que mostra a tirania do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Nesse cenário explosivo que é o Oriente Médio, conflitos de cunho religioso se tornam banhos de sangue que duram décadas, afligindo gerações de pessoas inocentes.
Não há maniqueísmo. Não se pode dizer que EUA e Israel estão salvando a humanidade, embora se admita que o regime dos aiatolás deva ser extinto, pois ele restringe a liberdade humana. Não se vai passar o pano no Irã e da mesma forma, não se vai tolerar a tirania de Netanyahu, e também não se vai definir o Donald Trump como um líder democrático.
No entanto, nossas esquerdas médias, com todo o mérito de lamentar os abusos atrozes dos atentados de EUA e Israel contra o povo iraniano, não estão desejando o fim do regime dos aiatolás, que era autoritário à sua maneira. E isso é complicado para os esquerdistas brasileiros que, apoiando a reeleição de Lula, tanto falam em “democracia”, ainda que seja a “democracia de um homem só”.
Ocorrem várias falhas de agenda temática das esquerdas médias, que em muitos casos sacrificam interesses populares para manter paradigmas de “liberdade” e “progresso” que não raro caem em sérias contradições. Como os precários aumentos salariais e a demora de Lula, no atual mandato, em assumir pautas trabalhistas, achando que poderia reconstruir a Ucrânia antes do Brasil.
Nossas esquerdas médias também tiveram surtos de anti-intelectualismo, glamourizando a ignorância e a mediocridade cultural em vez de estimular o aprimoramento e o aprendizado. E chegam mesmo a fazer julgamento de valor do povo pobre, dizendo gostar dele, mas determinando papéis subservientes na sociedade brasileira.
É certo que a situação é caótica, mas lembremos que o Irã virou uma teocracia. Antes, nos anos 1960, o Irã era uma nação que prometia ser moderna, mas com a Revolução Islâmica o país regrediu séculos e séculos. Da mesma forma, a Israel de Benjamin Netanyahu também é retrógrada, uma teocracia supostamente judaica, pois os verdadeiros judeus não compartilham da tirania sanguinária do premier israelense.
Temos que tomar cuidado com teocracias. Mesmo no Brasil tivemos o projeto de teocracia do Espiritismo brasileiro, que prometia fundar uma "pátria do Evangelho" sob a desculpa de nosso país ser o "coração do mundo". Analisando com frieza cirúrgica esse projeto, veremos que se trata de um Catolicismo medieval repaginado, que faria do Brasil uma restauração do antigo Império Bizantino.
Em tese, a tal "pátria do Evangelho" seria um grande mutirão, mas essa promessa até o imperador Constantino, do então Império Romano do Oriente, fez em seu tempo. Ele também prometeu "unir o mundo em torno de Jesus Cristo", garantindo "solidariedade" e "total fidelidade". Tudo muito lindo no discurso, mas a História mostrou que o Catolicismo medieval mostrou-se altamente sanguinário.
E como o Espiritismo brasileiro, por trás de sua fachada "sempre bondosa", defende um moralismo punitivista, nada impedirá que a "solidariedade" possa se converter em "banhos de sangue" em nações onde há resistência para a expansão desse Catolicismo medieval de botox, como as nações escandinavas, africanas e do Oriente Médio. A julgar pelo ultraconservadorismo de seu "médium" mais famoso, a "pátria do Evangelho" não terá um perfil diferente de uma teocracia fascista.
O Brasil viveu o ensaio da nefasta experiência da bancada evangélica (neopentecostal), que no Legislativo atuou e tenta atuar no retrocesso das pautas de costumes, freando ou revertendo muitas das transformações vividas em nosso país, que se esforça em obter algum progresso social com dificuldade, pois até agora o legado da ditadura militar não foi completamente superado.
Voltando ao caso do Irã, não há como defender dois lados igualmente bélicos. A situação é complexa, não há espaço para maniqueísmos. Se Israel dizimou crianças numa escola do Irã e tem um histórico de bombardear até hospitais e abrigos de refugiados, o Irã também fará o mesmo no outro lado. Neste sentido, até a polarização política é inviável, e as esquerdas médias se complicam na sua defesa do regime dos aiatolás do Irã, que é machista e altamente repressivo.
O certo é que a situação tende a complicar ainda mais e talvez fosse melhor Lula cuidar da casa, que é o Brasil, para que, ao menos, o nosso país não esteja incluído nos confrontos bélicos no Oriente Médio, dos quais especialistas já sinalizam o risco de uma nova guerra mundial. Até porque Lula se tornou amigo de Donald Trump e Emmanuel Macron, este presidente da França, que estão no lado de Israel. E aí fica complicado, a essas alturas, falar em "Sul Global".
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