O Brasil corre o risco de se tornar refém da polarização, com a eterna luta entre lulistas e bolsonaristas, cada um se achando vitorioso nessa batalha sem fim. Essa dualidade prejudica a verdadeira democracia com a disputa pelo monopólio político de qualquer uma dessas forças.
A candidatura do ruralista Ronaldo Caiado como terceira opção na disputa presidencial não é suficiente para quebrar a polarização política, até porque o político do PSD, mesmo partido do falso esquerdista carioca Eduardo Paes, aspirante ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, representa as forças retrógradas do latifúndio e do agronegócio.
Caiado também é tratado pelos lulistas como um “satélite” do bolsonarismo e já garantiu que vai realizar uma “anistia ampla, geral e irrestrita aos revoltosos de Oito de Janeiro e aos envolvidos na trama golpista de 2022, neste caso incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. Além disso, num eventual segundo turno entre Lula e o primogênito de Jair, Flávio Bolsonaro, Caiado sinaliza apoiar o segundo.
Ronaldo Caiado, portanto, não é o que esperamos da Terceira Via. Precisamos de mais e melhores candidatos para enfrentar a “certeira via” de Lula e seu rival Flávio, amigo dos milicianos. Precisamos democratizar o jogo democrático, criando uma campanha diversificada, para fazer a competição ficar mais competitiva.
Devemos considerar que o uso do termo “competitivo” é equivocado. Lula não pode ser considerado competitivo porque ele joga de forma desigual com os adversários. Ser competitivo não é necessariamente lutar para vencer a qualquer preço, mas competir com firmeza, mas reconhecendo a legitimidade dos adversários, que não podem ser vistos como derrotados. Um competitivo de verdade não vê no adversário um perdedor e não trapaceia para ganhar sempre uma disputa.
Sobre o bolsonarismo, preocupa o velho moralismo policialesco-religioso, violento e obscurantista, reacionário e desordeiro. É necessário uma reação ao bolsonarismo além dos limites do lulismo e, portanto, sem ter que apelar para a tática das “brigas de torcidas” da polarização.
A diversidade eleitoral será uma forma de relembrarmos a redemocratização eleitoral de 1989, cuja competição foi sabotada em 2022, com Lula e Jair Bolsonaro disputando o eleitorado enquanto os demais candidatos foram vistos como fantoches.
É necessário que haja mais opções para escolher para a Presidência da República. Democracia de um homem só, de um só candidato, não faz sentido. Facilitar a escolha não se condiciona em eliminar outras escolhas, mas em permitir uma multiplicidade de opções. O resto fica por conta do eleitorado.
Comentários
Postar um comentário