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Mostrando postagens de abril, 2026

A GÍRIA “BALADA” FOI “FARMAR A AURA”

A resistência surreal da gíria “balada”, o jargão privativo da Faria Lima que tentou se passar por uma expressão “Universal” e “acima dos tempos e das tribos”, nos faz a pensar como uma palavra de um vocabulário particular de empresários da Zona Sul de São Paulo pode se impor a diferentes segmentos sociais em regiões das mais distantes do país. O “Jornalismo da OTAN”, que aposta no “culturalismo sem cultura”, não quer que as pessoas saibam que o “vocabulário do poder” analisado pelo jornalista britânico Robert Fisk é aplicado no Brasil justamente no cotidiano comum dos brasileiros. Limitam-se a dizer que o “culturalismo viralata” se limita a propaganda política e ao humorismo sociopata ou a algum golpista de plantão, podendo ser uma Cássia Kis, um Amado Batista ou um Zezé di Camargo. Dito isso, vemos o quanto representou uma gíria, que definia o consumo de drogas alucinógenas em São Paulo, ao se impor como um jargão pretensamente universal e atemporal para o Brasil inteiro.  A gíri...

A TRISTE TEIMOSIA DOS MENTIROSOS DA POLARIZAÇÃO

Que se mente muito nas redes sociais, isso é verdade. Lembra até o refrão da banda paulista de rock alternativo dos anos 1980, Voluntários da Pátria, “Verdades e Mentiras”, que diz: “O homem mente, é verdade”. Mas em dados momentos, a coisa chega a níveis insustentáveis, como nos devotos de fake news que são os bolsonaristas e os deslumbrados do reino do faz-de-conta do lulismo. A polarização transforma as redes sociais em terra de ninguém. De um lado, o moralismo hipócrita e o falso humanismo dos bolsonaristas. De outro, o esquerdismo frouxo e conciliador com a direita moderada do lulismo. Ambos vendendo a “sua verdade” dentro dos mesmos clichês de sempre. Os bolsonaristas vêm com a “luta contra a corrupção”. Os lulistas, com o assistencialismo identitário. Ambos os lados se achando triunfantes e vitoriosos, com suas argumentações desesperadas e cheias de convicções, prometendo fidelidade à realidade dos fatos mas nunca cumprindo essa promessa. Bolsonaristas se achando “conscientiza...

OFICINA DE IDEIAS OU DE MOVIMENTOS BRAÇAIS?

A má repercussão da função de Analista de Redes Sociais e similares, um trabalho que poderia ser técnico e no entanto se torna mais um trabalho impertinente, com o empregado fazendo umas duas campanhas para o cliente da tal empresa de Comunicação, ou então indo para algum lugar para gravar propagandas para o Instagram. Vemos o quanto essas empresas, que se comportam como se fossem consultorias de fundo de quintal, "oficinas de ideias" que mudam de nome a cada seis ou oito meses, dependem de influenciadores ou comediantes para projetar suas imagens, e fica fácil apelar para eles para obter visibilidade e prestígio. O trabalho acaba ficando longe de qualquer propósito técnico. Em tese, um analista de redes sociais deveria ter atribuições de Publicidade e Propaganda, algum apuro que pudesse administrar a imagem do cliente, estudando seu desempenho nas redes sociais e suas maneiras para conquistar o público específico. Em vez disso, o que se tem? Uma ligeira análise do desempenho...

“DO YOU WANNA DANCE?” E O VIRALATISMO BRASILEIRO

"DO YOU WANNA DANCE?" VERSÃO COM RAMONES - Nada a ver com "A meia-luz ao som de Johnny Rivers". Este ano fazem 50 anos do primeiro disco dos Ramones e vi no Instagram um vídeo de um filme de comédia estudantil, em que a banda novaiorquina, em sua saudosa formação original, interpretava a música “Do You Wanna Dance?”, que no Brasil tem uma trajetória surreal. Aqui a canção é uma balada - música lenta, gente, não o jargão da Faria Lima para definir festas noturnas - cantada por um crooner juvenil lançado nos anos 1960, Johnny Rivers, marcado por gravar covers . A versão de Johnny Rivers para “Do You Wanna Dance?” fez sucesso estrondoso no Brasil a ponto de muitos pensarem que foi criação original do cantor. Mas não é. E nem foi a versão mais destacada lá fora, onde Rivers era mais conhecido por outro cover, “Secret Agent Man”, de 1963. A superestimada versão, na verdade, é composição original do cantor Bobby Freeman, que interpretou a canção em 1958 e tinha como títu...

“COMBATE AO PRECONCEITO” NO CONTEXTO DA PRISÃO DE FUNQUEIROS

A prisão de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, dois nomes do “funk ostentação” que introduziram a franquia estadunidense do trap - que no país hoje governado por Donald Trump era um derivado do gangsta rap - , fazem a gente pensar a respeito da longa choradeira em prol do”funk”. Foram uns 25 anos de muita choradeira, que fabricou uma falsa reputação “libertária” do ritmo popularesco. O “funk” era só um pop dançante comercial, medíocre e às vezes até engraçado, mas foi só a polícia intervir para que se produzisse uma narrativa ao mesmo tempo vitimista e triunfalista, como o prato principal do grande cardápio brega-popularesco do discurso do “combate ao preconceito”. Todos os ritmos brega-popularescos faziam a sua choradeira difundida pela intelectualidade “bacana”, mas foi o “funk” que apelou para essa retórica desesperada. E, enquanto famílias pobres viam com desconfiança o entretenimento funqueiro que, não raro, colocava meninos das favelas em encrencas e meninas na gravidez precoce, a bur...

COMO O “JORNALISMO DE ESCRITÓRIO” DESQUALIFICOU NOSSA IMPRENSA

O JORNALISMO DE ESCRITÓRIO ATUA COMO UMA EXTENSÃO MAIS OU MENOS FLEXÍVEL DA GRANDE MÍDIA. Um dos fenômenos que se ascenderam no período de Michel Temer e que não foram superados é o “jornalismo de escritório”, versão mais radical da “liberdade de empresa” que definiu os padrões da mídia venal. Um jornalismo asséptico, insosso, inodoro, supostamente neutro mas com algumas posturas “críticas” que nem de longe deixam de comprometer o status quo. Ele se vende como “o jornalismo de novos tempos”, tido como “mais responsável” e que trata a notícia como um “produto”. Interage com a overdose de informação das rádios all news, que derrubaram todas as expectativas libertadoras do passado recente, passando a ser apenas versões remix dos telejornais da TV, sendo um jornalismo que, independente da qualidade, vale mais pela excessiva quantidade de notícias que impede o ouvinte de parar para pensar. O “jornalismo de escritório” tornou-se o sonho realizado dos barões da mídia desde os tempos do AI-5, ...

CONCURSOS PÚBLICOS QUEREM CONTRATAR O “ESCRIVÃO DE CARTÓRIO”?

O SUJEITO QUE VENCE FÁCIL UM CONCURSO PÚBLICO MAS NÃO TEM UMA DEDICAÇÃO ALÉM DA MEDÍOCRE NUM CARGO PÚBLICO. Se o mercado de trabalho privado anda deixando a desejar, contratando sob os critérios das conveniências e contaminando cargos de Comunicação com comediantes e influenciadores que mexem mais os braços e as mãos do que dizem alguma coisa, os concursos públicos também não fogem de problemas graves. A questão é quanto às provas de concursos públicos que muitas vezes reprovam quem mais precisa trabalhar e que mais se identifica com o cargo oferecido. Enquanto isso, os “atletas de concurso”, que não fazem questão do cargo e fazem a prova através de macetes, são aprovados e investidos na referida função. Estima-se que, de cada grupo de aprovados em concursos públicos, 10% manifestam desejo e vocação para o cargo, 50% apenas vocação, 30% porque apenas procuram trabalho e 10% estão entre aventureiros ou oportunistas profissionais. Não se quer que as provas dos concursos fossem fáceis, ma...

LULA AINDA CUSTA A ENTENDER SEU DESGASTE

Lula não consegue entender seu desgaste e o aumento da margem de desaprovação. Esquece ele que sei governo foi medíocre, que sua prioridade em viajar primeiro para o exterior irritou o povo pobre, que os relatorismos dos “recordes históricos” da série “Efeito Lula” estavam longe de refletir a realidade e que suas alianças “democráticas” com a burguesia, mesmo de maneira “pragmática”, fizeram o povo se afastar dele. Para piorar, Lula, depois de admitir que o salário mínimo de R$ 1.621 é um valor baixo, metade do valor equivalente adotado no Chile e no Uruguai, pisou na bola ao declarar que os próximos aumentos salariais só ocorrerão no mesmo cronograma atual. Animado, Lula e sua equipe anunciaram o que pretendem fazer, deixando só para 2030, último ano do hipotético quarto mandato, um valor superior a R$ 2 mil. O aumento previsto será assim: R$ 1.812 em 2028, R$ 1.913 em 2029 e cerca de R$ 2.020 em 2030, ultrapassando pela primeira vez a marca dos R$ 2 mil. Muito pouco para os preços de...

OS VENDILHÕES DA ESPERANÇA E O PRAZER EM VER O OUTRO SOFRER

COM LINGUAGEM SUAVE E JEITO FALSAMENTE AMISTOSO, OS VENDILHÕES DA ESPERANÇA FORAM ERRONEAMENTE VISTOS COMO "PROGRESSISTAS" AO USAR AS "BÊNÇÃOS FUTURAS E INFINITAS" COMO MOEDA DE TROCA PARA A DESGRAÇA PRESENTE. A sociedade brasileira tem uma visão de mundo atrofiada de tal forma que até as esquerdas demonstram limitações na sua visão crítica. Na religiosidade, teimam em ver o mal apenas nas seitas neopentecostais, pelo caráter explícito e pouco sutil de seus pregadores explorarem a fé do povo e a despejar um discurso claramente raivoso. Esquecem as esquerdas que não foram só os “neopenteques” que foram apoiados pela ditadura militar para a cruzada contra a Teologia da Libertação. O Espiritismo brasileiro, que é apenas uma “identidade jurídica” para tendências medievais expulsas pela Igreja Católica, também veio para combater a Teologia da Libertação, através de um “médium” que difundiu uma forma ao mesmo tempo precária, demagoga e farsesca de caridade. As esquerdas f...

QUANDO O MERCADO DE TRABALHO SE TRANSFORMA NUMA GRANDE PIADA

Já descrevemos a “invasão” de comediantes e influenciadores digitais que fez com que a função de Analista de Redes Sociais se transformasse numa grande piada. As empresas que adotam esse procedimento, iludidas com o prestígio de suas bolhas sociais, acabam se queimando a médio prazo, fazendo esta função ser entendida de maneira confusa e negativa pela sociedade. Sim, porque muita gente acaba achando que ser Analista de Redes Sociais é contar piada no intervalo do cafezinho e gravar propagandas para o Instagram, sempre caprichando na linguagem corporal e nos gestos, mas sem apresentar algo que fosse minimamente relevante. Junte-se a isso a atitude suicida das empresas em rejeitarem currículos e o desastre parece impossível hoje, mas será inevitável amanhã. O mercado de trabalho parece se comportar como se fossem um monte de lojinhas da Faria Lima (não a avenida, mas o “principado” da burguesia brasileira), só aceitando quem traz prestígio e visibilidade, não necessariamente talento. A g...

O POVO É QUASE SEMPRE O PRIMEIRO A SABER SOBRE UM ATO DE GOVERNO

Salvo em governos autoritários, o povo costuma ser o primeiro a saber e perceber as ações de um governo,o que faz com que o governo Lula faça uma pantomima sobre “informar melhor” sobre as “gigantescas realizações” do terceiro mandato. Soa patético Lula se preocupar porque a população “não conhece” a “magnitude das realizações do governo” e cobra da Comunicação governamental ações de divulgação “mais consistentes” e que “ampliassem o alcance à população”. Só que a gente percebe que isso tudo não é mais que encenação. Ao observarmos, com objetividade e sem cair no nível baixo e viciado das críticas bolsonaristas, vemos que Lula fez muito menos do que parece.  A grandeza por fora, nas viagens ao exterior, no começo do terceiro mandato, decepcionou os brasileiros no momento em que Lula deveria ter marcado presença dentro do Brasil para reconstruir de forma concreta e acompanhar os trabalhos de perto. Viajando, Lula abriu caminho para a reação bolsonarista de que o petista usava o dinh...

O POPULARESCO MILIONÁRIO E A MPB PAUPERIZADA

O "HUMILDE" ÍDOLO BREGA-POPULARESCO JOÃO GOMES, CANTOR DE PISEIRO, É DONO DE IMÓVEIS COM VALOR SUPERIOR A R$ 5 MILHÕES. A campanha do “combate ao preconceito” queria nos fazer crer que a bregalização era a “cultura do povo pobre por excelência” e que seus ídolos eram coitadinhos em busca de um lugar ao Sol Tão Bonito da Música Popular Brasileira. Narrativas chorosas, que chegaram a contaminar a mídia esquerdista, lutavam para que o jabaculê musical de hoje se tornasse o folclore de amanhã. Mas a realidade mostra que os verdadeiros pobres e discriminados não estão na música popularesca facilmente tocada nas rádios, mas na MPB acusada de ser "purista", "elitista" e "higienista". Dois fatos recentes demonstram isso. Foi revelado que o cantor de piseiro João Gomes, que tentou se vender como pretensa “renovação” da MPB, apesar de sua gritante mediocridade artística, tem um patrimônio milionário com várias propriedades. Com apenas 23 anos, é dono de um...

A PERIGOSA AMBIÇÃO DE LULA

LULA QUER TUDO DE TUDO E VISA A CONSAGRAÇÃO PESSOAL, E ISSO É MUITO PERIGOSO. Antes de fazermos nossas análises, devemos lembrar que as críticas feitas ao Lula não seguem o prisma bolsonarista com seus clichês “contra a roubalheira”. As críticas aqui seguem um tom de objetividade e é por isso que o negacionista factual prefere as narrativas do bolsonarismo, que são fáceis de desmontar. As nossas críticas são mais complexas e realistas, daí que o negacionista factual, o “isentão democrático”, prefere, neste caso, promover o boicote a textos como os nossos. Dito isso, vejo mais com apreensão do que com esperança as promessas de Lula para a sua reeleição. Ele promete tudo de tudo, como em 2022. Faz pouco, como se viu no terceiro mandato, mas diz que fez mais do que foi feito. E hoje ele parece mais ambicioso do que há quatro anos, sem falar que em 2022 ele prometeu reconstrução apostando num inadequado clima de festa. Há um narcisismo enrustido em Lula, que faz promessas mirabolantes. Ele...

O FALSO ENGAJAMENTO DO POP COMERCIAL E DO BREGA-POPULARESCO

ACREDITE SE QUISER, MAS ULTIMAMENTE MUITA GENTE PENSA QUE "LUA DE CRISTAL", SUCESSO DE XUXA MENEGHEL, É UMA "CANÇÃO DE PROTESTO". O pop comercial de hoje vive seu complexo de superioridade. Seus fãs, dotados de muita arrogância, chegam a fazer ataques contra a música de qualidade. Acham que a chamada “música de sucesso” é superior só porque atrai um grande público jovem e que se sustenta pela forte presença nas redes sociais e nas páginas de celebridades (e subcelebridades). Embora se baseie estruturalmente no pop dançante dos anos 1980 e 1990, esse pop comercial, nos últimos anos, tenta iludir a opinião pública com um falso engajamento e uma falsa militância que fez até as pessoas, no Brasil, acreditarem que sucessos da axé-music e do pop infantil brasileiros fossem “canções de protesto”. E muita gente boa, de nossa crítica musical, embarca nessa armadilha. Do Bad Bunny ao BTS, de Xuxa Meneghel ao grupo As Meninas, a atribuição de falso engajamento sociopolítico e ...

AS RAZÕES PARA O DESGASTE DE LULA

Nos últimos dias, Lula está preocupado com seu desgaste político, marcado pela aparente ascensão de Flávio Bolsonaro nas supostas pesquisas de opinião. Perdido, Lula tenta correr contra o tempo lançando medidas e discutindo meios de reforçar a propaganda de seu governo. Lula, em entrevista há poucos dias com a mídia solidária - Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum - , afirmou, exaltando o terceiro mandato, que o quarto será "melhor que o terceiro" e que o Brasil dará "um salto estrutural" no próximo mandato, com a "transformação do país em uma nação desenvolvida, apoiada em crescimento econômico, inclusão social e fortalecimento institucional". É sonhar demais para um país que social e culturalmente está bastante deteriorado. O terceiro mandato de Lula tornou-se o mais medíocre dos três. Ambicioso, mas pouco produtivo. Com muita grandiloquência e poucas e mornas realizações. Muita festa e pouca reconstrução. Colheita sem plantação. Muito falatório...

FUSÃO DA GUANABARA COM O ANTIGO ESTADO DO RJ SÓ BENEFICIOU AS ELITES

PRESIDENTE MÉDICI VISITANDO AS OBRAS FINAIS DA PONTE RIO-NITERÓI EM 1973. POUCO TEMPO DEPOIS, A DITADURA DECIDIU PELA FUSÃO DOS ESTADOS DO RIO DE JANEIRO E DA GUANABARA. A fusão entre os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara criou uma zona de conforto que faz com que a burguesia rebaixasse as demais cidades do atual Grande Rio em subdistritos da hoje capital fluminense. E isso envolve Niterói, antiga capital fluminense e hoje reduzida a uma cidade-vassala do município vizinho, com sérias limitações para sua urbanização e qualidade de vida. Só para sentir o drama, Niterói não tem uma avenida ou rodovia própria ligando dois bairros, como Rio do Ouro e Várzea das Moças, que dependem de uma rodovia estadual, a RJ-106, para se ligarem, atrapalhando o trânsito de quem vai e vem de longas distâncias através da referida estrada que é um dos troncos da Rodovia Amaral Peixoto.  Isso reflete até no atraso de distribuição de mercadorias em cidades como Saquarema, Maricá e Araruama, por cont...

O “LÁPIS DE DEUS”, O CORONELISMO MINEIRO E O SILÊNCIO DA IMPRENSA

Um humilde blogueiro e semiólogo é esforçado e corajoso ao identificar as bombas semióticas distantes, sejam elas na Polônia, na Coreia do Sul ou na Espanha. Mas quando se trata de perigosos arsenais, paióis semióticos de potencial explosivo localizados em Uberaba, o nosso prestigiado professor troca o teclado do computador pela flanela, prestes a fazer suas melindrosas passagens de pano. A traiçoeira mística em torno do “médium da peruca” tentou mais uma manobra há poucos dias, quando lançou mão de uma tese confusa, publicada em um periódico de baixíssimo fator de impacto na comunidade científica, que supostamente apontaria acertos na “psicografia” do obscurantista da fé “raciocinada”.  A tese se baseou em uma gravação de quase uma hora feita em Pedro Leopoldo, em junho de 1955. Na imprensa brasileira, a notícia foi divulgada pela revista Veja, famosa pelas posições reacionárias divulgadas de maneira intensa entre 2002 e 2016. A alegação feita pelos dublês de intelectuais que faze...

O POSSÍVEL "SALÁRIO DE FOME" PREVISTO PARA 2027

LULA ANUNCIANDO A POLÍTICA SALARIAL EM 2023. O governo Lula começa a prever o aumento do salário mínimo para 2027, meses depois de admitir que o valor de R$ 1.621 instituído este ano é "baixo". Lula no entanto manteve o cronograma do aumento salarial e já começa a ceder às pressões da Faria Lima, que querem uma diminuição da margem de reajuste. O valor anunciado recentemente para o próximo ano será de R$ 1.717, voltando ao acréscimo raquítico de R$ 96 para o salário mínimo a cada ano. Mais uma vez, os tecnocratas do governo Lula falam que será um "aumento real", supostamente "de acordo com a inflação", alegando que o reajuste salarial irá "beneficiar a renda dos trabalhadores". De 2023 para cá, os reajustes do salário mínimo foram inexpressivos, nos padrões de aumentos consentidos por líderes sindicais pelegos. Aparentemente, o aumento seguiu critérios "técnicos" como a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)...

AS ESQUERDAS MÉDIAS E A GOURMETIZAÇÃO DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA

CENA DO MINIDOCUMENTÁRIO  MEXEU COMIGO , SOBRE A CENA DO ARROCHA EM SERGIPE. Diferente da porralouquice de gente como o professor baiano Milton Moura e seus “pagodes impertinentes” e do “filho da Folha” Pedro Alexandre Sanches brincar de ser “bom esquerdista”, ressurge um movimento de intelectuais e jornalistas que querem fazer renascer o “combate ao preconceito” da bregalização, agora sob o verniz da “objetividade”. A postura generalizada do “capitalismo musical” do músico baiano Rodrigo Lamore, colunista do Brasil 247, e as leituras do colunista Augusto Diniz da Carta Capital, numa linha parecida com a de Mauro Ferreira no portal G1, refletem essa onda de ‘“imparcialidade” na análise sobre música brasileira. No caso do Rodrigo Lamore, ele tenta generalizar a condição de “mercadoria” da música, como se não pudesse haver a função social, artística e cultural na atividade musical. Parece papo de ressentido. Se nomes popularescos, só para citar os da axé-music (o ensaísta também é mú...

O JORNALISMO DE ESCRITÓRIO

Nos últimos dez anos, o Jornalismo sofreu vários infortúnios. Além do empoderamento da mídia venal através da campanha lavajatista, vimos o fechamento de versões impressas dos periódicos, demissões em massa de jornalistas novos e veteranos e enxugamento das estruturas de grandes veículos de imprensa, que se tornavam “empresas pobres de empresários ricos” E ainda temos o bonapartismo radiofônico do “jornalismo de FM”, espécie de extended versions dos noticiários de TV, oferecendo overdose de informação sem permitir ao ouvinte parar para respirar, pensar e, simplesmente, viver. Essas rádios ainda têm o descaramento de hierarquizar a opinião pública, tratando os ouvintes como se eles não tivessem opinião. Com a decadência do bolsonarismo, fechando, em 2022, o ciclo abertamente golpista iniciado em 2015 (época das primeiras manifestações contra a presidenta Dilma Rousseff), a ciranda da mídia mudou. Uma imprensa mainstream passou a acolher veículos emergentes, tanto da mídia lavajatista ...