Em sua coluna no Brasil 247, seu criador Leonardo Attuch afirmou que “ao se propor a resolver os problemas de Trump, Flávio Bolsonaro obriga todos os brasileiros patriotas a votar em Lula”. Foi uma postura tendenciosa e em desacordo com o verdadeiro jornalismo que o portal prometeu resgatar.
Trata-se de uma imposição de voto que, mesmo contando com a bem intencionada oposição ao bolsonarismo, agora representado pelo primogênito de Jair, Flávio, já determina um voto e transforma uma “escolha fácil”, expressão citada por Attuch, numa não escolha, já que estabelece um voto prévio, portanto sem chance de escolha.
Já avisamos que Lula não é especial a ponto de se impor como o candidato único da democracia. Na disputa eleitoral, ele é mais um entre tantos. Não devia ter recebido homemagens de escola de samba. Não pode ter vantagem alguma por antecipação. A reeleição de Lula não pode ser uma certeza, mas uma hipótese.
Temos que combater o perigo bolsonarista, mas é uma neurose acreditar que tudo que não é Lula é fascismo. Aí é paranoia de uma burguesia ilustrada que nem vai perder muito se um fascista for eleito. Já o povo pobre, acostumado a perder, mesmo assim desconfia de alguém pelego como Lula e está mais receptivo à direita, por conta da influência midiática e religiosa.
Perdido na consagração pessoal e na projeção internacional, Lula fez o povo pobre perder a confiança nele. O presidente finge que não está se dedicando devidamente à classe média abastada mas ela é a sua verdadeira prioridade nas políticas do governo.
O reajuste do salário mínimo é ilustrativo, pois o acréscimo de R$ 103 em relação ao valor anterior só refletiu beneficamente quem ganha a partir de quatro salários mínimos. Uma coisa é alguém ganhar R$ 103, putra é alguém ganhar de R$ 412 para cima.
Quanto ao jornalismo, o Brasil 247 atuou de modo parcial e faccioso. A matéria sobre o entreguismo de Flávio Bolsonaro deveria ser vista como uma demonstração da decadência que esse sobrenome sempre representou, sobretudo antes da campanha presidencial de 2018.
Não se deve impor o voto em Lula, pois isso contradiz os princípios democráticos. Lula não é o político mais completo e moderno do Brasil e as gafes em seus discursos provam que a visão de mundo do petista, além de previsível na melhor das hipóteses, soa datada na pior das mesmas.
É necessária uma renovação na política e que venham as terceiras vias com seus vários candidatos. Se Lula se acha o guardião da democracia, por que ele tem que sufocar a concorrência? Neste caso Lula acaba traindo a democracia, pois no jogo democrático não há um candidato único. Facilitar a escolha não é oferecer uma única opção, porque, aí, não há escolha.
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