No reduto do churrasco, do feijão tropeiro e do arroz carreteiro, o Rio Grande do Sul, Lula, em sei comício de campanha, cometeu mais uma de suas gafes, quando estava num palanque no Centro de Porto Alegre, no último 11 de setembro.
Admitindo que os preços dos alimentos estão caros, Lula, ao mencionar os preços das carnes, sugeriu para os brasileiros, sobretudo os gaúchos que assistiam ao comício, trocarem a carne pelo.ovo ou pelo feijão:
“Você vai ao supermercado e as coisas estão caras. Eu sei. A carne está cara, o café está caro. (...) Se não tem carne, a gente come ovo. Se não tem ovo, a gente come carne. Se não tem carne, a gente come ovo. E quando não tem os dois, a gente come como eu comia, quando eu levava marmita. Feijão e arroz puro, porque não tinha mistura. Mas essa questão de custo de vida estou levando muito a sério”.
Lula mencionou a situação do ano passado, com farta produção de ovos e grande consumo deste produto. “A gente come ovos pra caramba”, brincou o presidente e candidato à reeleição. O petista ainda prometeu que irá recuperar o poder de compra dos brasileiros. “Eu quero chegar ao salário mínimo (com o povo) comprando mais cesta básica”, disse Lula.
Falar é muito fácil e, com exclusividade, nosso blogue observou que, quando Lula opina, é porque ele não faz. E o presidente fez o povo pobre perder a paciência e a confiança nele, que faz promessas que não se realizam.
Levantamento do Datafolha alega que Lula é o candidato dos pobres, algo que já não reflete a realidade dos fatos, pois os pobres da vida real são os que mais têm medo de eleger Lula. Sem acreditar direito que estão isentos do Imposto de Renda, os pobres têm medo de, mais uma vez, ver seu dinheiro ser usado por Lula em mais de suas viagens ao exterior, enquanto apertam seu orçamento miserável para não ficar sem comida.
Quanto a essa declaração, que moral tem Lula para falar sobre o combate à fome? Passar pano em preços altos e sugerir, num Rio Grande do Sul que tem no churrasco uma tradição cultural, que as pessoas trocassem carne por ovo, é algo bastante ofensivo. E Lula não deveria ficar falando, mas agir para resolver o problema.
Afinal, não é função do presidente reclamar dos preços altos dos alimentos como se fosse um freguês na fila do supermercado. A sua obrigação é criar condições para que os alimentos estejam com preços acessíveis, desde os custos de produção até a distribuição e a oferta ao público consumidor.
Outro ponto a considerar é que Lula demonstrou irritação no discurso, nem tanto pela sua indignação pessoal pelos preços caros, mas pela cobrança do povo para ele resolver o problema. E se ele sugeriu aos pobres para comer "feijão e arroz puro, sem mistura", como ele comia nos tempos de operário, ele contrariou o altruísmo, pois o verdadeiro altruísta não pede para os outros "sofrerem o que ele sofreu", mas buscar meios para evitar sofrimentos futuros. Lula perdeu uma boa oportunidade de conquistar votos buscando resolver o problema dos alimentos caros.
Esta gafe mostra o quanto Lula deixou de ser o candidato dos pobres, apesar das narrativas oficiais tentarem dizer o contrário. Para alguém que acha que pobre usa varanda para soltar o pum, só mesmo a burguesia ilustrada será fiel apoiadora. E ela tem sempre a picanha e o churrasco para comerem à vontade nesta festa dos “bacanas” que desejam a boa vida sob o “tetra” de Lula.

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