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SÓ A ELITE DO BOM ATRASO NÃO TEM A PERDER COM LULA


O preço extremamente caro do presidente Lula ter priorizado a política externa no terceiro mandato se vê no rombo trilionário que o petista não quis explicar na sabatina do Jornal Nacional. O semblante irritado do presidente e sua pretensão de “ensinar” Renata Vasconcellos a entrevistar mostra o cinismo de um político que já foi admirável um dia, fossem quais as suas limitações que sempre o colocam aquém de Getúlio Vargas ou mesmo de Juscelino Kubitschek.

Em entrevista a Helder Maldonado do canal Galãs Feios, o jornalista César Calejon apostou numa tese maluca, supostamente diferenciando a entrevista de um debate. Calejon sinalizou que as entrevistas só podem fazer perguntas agradáveis ao entrevistado. Para César, fazer perguntas incômodas não seria entrevista, mas “debate”, e deu razão à pretensão de Lula de querer pautar a sabatina, em vez de responder perguntas que lhe desagradam.

Calejon também não viu machismo na atitude de Lula de repreender por 11 vezes a jornalista da Globo. Mas Lula não repreendeu o colega de bancada de Renata, o outro César, o César Tralli. Claro, acusar Lula de machista na véspera do encontro “Mulheres com Lula” em Belo Horizonte iria pegar mal para o petista.

Mas a jornalista Natuza Nery, da Globo News, foi feliz e bastante oportuna ao apontar o mansplaining de Lula, até porque ele fez várias vezes. E o agravante de Lula em abafar a pergunta com “lições” de como fazer perguntas que só agradam o petista é algo a considerar.

O clima de “Curtindo a vida adoidado” de Lula no começo do terceiro mandato, quando o presidente preferiu se celebrar nas viagens da política externa e até o combate à fome foi adiado, enquanto uma pouco necessária participação na reunião do G-7 era tratada como prioridade máxima.

Lula viajou demais e falou demais. E, entre gafes e comentários equivocados, o petista agiu menos. Querendo teorizar mais as coisas, mais um comentário ofensivo foi feito pelo presidente em relação à profissão de lixeiro. Foi no encontro Mulheres com Lula, ocorrido no último sábado em Belo Horizonte. Eis o que ele disse:

“Eu, quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho (falar) ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar ‘Eu sou engenheiro’, ‘Eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar”.

Lula cometeu um sério equívoco ao tentar “teorizar” sobre o trabalho do gari. Isso não é função de um governante. Independente de fazer julgamento de valor ou de importância, o gari precisa é de apoio do governo, e não de comentário. 

É confortável para a burguesia Lula se pretender a essas teorias forjadas como se ele fosse “PhD em tudismo”. Dá seu pitaco sobre o deficiente físico, a trabalhadora de uma fábrica de automóveis, tenta determinar a uma jornalista que pergunta ela deve fazer e, agora, diz que gari é “trabalho de pobre”.

No Primeiro Mundo, ser gari é assumir uma profissão honrada, que auxilia na prevenção de doenças na medida em que esses trabalhadores recolhem a sujeira que poderia contaminar um lugar. Lá os lixeiros recebem bons salários e são respeitados pela sociedade.

Lula comete tantos erros que só mesmo a elite do bom atraso para manter seu voto no petista. O povo pobre da vida real não vota mais nesse pelego político, que considera um traidor que oferece salários baixos e apenas coloca o subemprego nas normas da CLT.

Só a burguesia ilustrada, a elite “legal” que se acha “mais povo que o povo”, é que apoia Lula e, de forma cínica, pede aos pobres votarem no 13 sob o pretexto de garantia de direitos sociais. Mas no fundo a elite do bom atraso só quer a reeleição de Lula porque ele é mão aberta para garantir a diversão dos “bem de vida”.



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