REDUTO DE UM ÍDOLO "ESPÍRITA", UBERABA É TAMBÉM CONHECIDA PELA FORTE PRESENÇA DO BOLSONARISMO. NA FOTO, CARREATA DE CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO.
Oficialmente, a burguesia ilustrada e seus seguidores que monopolizam as narrativas nas redes sociais falam somente dos males das chamadas seitas neopentecostais, com seus pastores e “bispos” que gritam e exigem dinheiro dos fiéis.
Mas essas mesmas forças que manipulam a opinião pública nas redes sociais omitem que há uma religião de direita que fala macio, seus pregadores sorriem e quase não aparecem zangados, mas cujo conteúdo moralista chega a assustar qualquer um que parasse para analisar tudo isso com atenção redobrada.
Trata-se do Espiritismo brasileiro na sua corrente oficial, dominante e hegemônica. Aparentemente, a religião não tem ideologia, se diz “tudo de bom”, tem correntes “progressistas” e conta com atores “de esquerda” fazendo os tais “filmes e novelas espíritas”.
Esqueçam essas variações. O “único Espiritismo” que existe no Brasil se baseia nas ideias medievais de um “médium” que usou peruca e que se envolveu com literatura fake, fraudes de materialização e uma “filantropia” da qual ele se promoveu às custas da caridade de terceiros, meramente paliativa, diga-se de passagem.
Muita gente já definiu esse obscurantista religioso como “símbolo da paz”, como “homem chamado Amor”, como “lápis ou carteiro de Deus” e, até pouco tempo tratado como “profeta” pela burguesia ilustrada, hoje virou dublê de dramaturgo com filmes e novelas baseados em seus retrógrados “livros psicografados”.
Mas esse sujeito, prestando bem atenção, foi um ultraconservador pior do que Silas Malafaia. Só não se comportava de forma raivosa, mas o “médium” defendeu tanto a ditadura militar, durante sua fase mais repressiva, que foi homenageado pela Escola Superior de Guerra, o “quartel-general” do poder ditatorial.
Não podemos subestimar esse episódio. A ESG nunca iria gastar dinheiro nem tempo para homenagear quem não contribuísse de forma estratégica na manutenção do regime inaugurado em 1964 com a queda do governo de João Goulart.
Os “espíritas” e as esquerdas, estas manipuladas pelo pensamento desejoso, acharam que a ESG twria, em 1972, homenageado o “médium” à força e o “médium” recebeu a homenagem a contragosto. Houve até uma lorota de que o “médium” teria defendido a ditadura num programa da TV Tupi em 1971 para não ser preso. Se não quisesse ser preso, iria para o exílio, e se tinha medo de avião, viajava de navio.
A lorota enganou as esquerdas porque foi noticiada pela Última Hora, mas este jornal deixou de ter o controle do esquerdista Samuel Wainer, sendo administrado, na época da risível nota, por um grupo de empreiteiros que também havia adquirido o Correio da Manhã, que não era de esquerda.
Apesar disso, o que se são manifestos de pura Síndrome de Estocolmo de gente considerada moderna mas que sucumbe fácil ao papo esperto do “médium”, sob a desculpa de que “tudo é amor”. Não leem suas “psicografias” que revelam ideias medievais calcadas na Teologia do Sofrimento, aquela conversa de “sofrer calado as piores desgraças, sem reclamar da vida”.
Para piorar, se essas pessoas entram em contato com essas ideias dignas do século 12, a cegueira emocional trava o raciocínio e essas pessoas tratam ideias explícitas como se fossem simples metáforas. Alguns chegam a creditar fatos concretos como se fossem opiniões e apelam para o bordão “Você pensa como quiser”.
Mas um fator que chama a atenção e põe em xeque o falso progressismo atribuído ao “médium” é que ele atuou grande parte de sua vida em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Ele já era originário de Pedro Leopoldo, espécie de “pedaço” de Goiás na Grande Belo Horizonte, pelas feições rurais e ultraconservadoras.
O Triângulo Mineiro é uma região de grandes proprietários de terras. O “médium” também trabalhou como inspetor de gado na região e, portanto, tornou-se aliado dos “coronéis” locais. Portanto, nenhuma chance para ver no Espiritismo brasileiro uma espécie de “reforma agrária” da fé cristã.
A região do Triângulo Mineiro, ultimamente, se tornou reduto bolsonarista. Tanto isso é verdade que as últimas eleições presidenciais apontaram, nessa região, incluindo Uberaba e Uberlândia, as vitórias de Jair e Flávio Bolsonaro. É fato que Lula costuma evitar a região por considerá-la politicamente hostil.
Se o “médium da peruca” defendeu a ditadura militar em um programa de grande audiência na TV, foi homenageado pela Escola Superior de Guerra por suas contribuições à ditadura militar, e se não há registro algum dele pedindo a redemocratização do Brasil (quando ela ocorreu, alegou friamente que era “vontade de Deus”), não há sentido algum em atribuir a ele alguma posição esquerdista ou outra motivação mais arrojada.
Soa contraditório as pessoas que defendem a liberdade e os movimentos sociais cultuarem um religioso que pregou que os oprimidos sofressem em silêncio e que achava que o rock era a “música das trevas” e a causa LGBTQIA+ era uma doença mental marcada pela confusão biológica por conta do gênero.
Isso mostra uma grande perda de tempo nos setores modernos da sociedade em cultuar um religioso ultraconservador, mesmo com pretextos agradáveis ligados à “paz” e “caridade”. Tomadas de emoção exagerada, essas pessoas insistem nessa fantasia, mas cometem a contradição de, se julgando amantes da paz, brigarem constantemente com os fatos.

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