Mais uma amostra de que as consultorias brasileiras de rock mais contribuem para castrar e domesticar talentos do que orientá-los para o sucesso. Rock não se produz em laboratório e os comentários que escreverei abaixo eu discordo, mas coloco aqui para demonstrar como seria a avaliação se cada clássico do rock fosse lançado hoje.
Agora, vamos de “Smoke On the Water”, clássico do Deep Purple que fez com que as ditas “rádios rock” da Faria Lima (89 FM e Rádio Cidade) tratassem a banda britânica como one-hit wonder (nome dado a intérpretes de um só sucesso). Vamos lá.
“Prezados amigos da banda Deep Purple,
Nossa equipe ouviu essa canção que vocês fizeram chamada ‘Smoke On the Water’ e resolvemos avaliar da seguinte forma. A canção é OK, o título é forte, mas a música tem alguns defeitos que merecem ser considerados.
A gente nem fala do título, que é forte e funciona como uma metáfora poética na linguagem do rock. É até um bom título, garante um sucesso estrondoso. O problema está na música ser muito longa e em alguns detalhes que precisam ser descritos que podem comprometer a canção.
O refrão é OK, mas soa incompleto. Vocês fizeram os versos ‘Smoke on the water / Fire in the sky / Smoke on the water ‘ e ficou nisso. Faltou uma quarta linha para o refrão, algo que rime com ‘sky’. Sugiro ‘We really don't know why’. Funcionaria bem melhor.
Falta, também, um solo memorável. Como é que uma banda como o Deep Purple,com um guitarrista do gabarito de Richie Blackmore, vai se esquecer de fazer um solo numa canção dessas? Vocês são músicos de talento e fazem uma música dessas no improviso?
Vamos ser profissionais, galera. Aí a música se alonga com uma instrumental longa demais e repetitiva que, tocando no rádio, faz o locutor falar em cima porque ninguém (sic) aguenta ouvir. Porque cansa, tá ligado?
Rock, para ser sucesso, tem que ter um formato enxuto, um solo memorável e refrão completo. Assim como está, parece um rascunho. Então, refaçam a música para um formato que possa agradar o público, beleza?
Abraços”.

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