As narrativas que predominam nas redes sociais e na grande mídia parecem verídicas e são compartilhadas por milhares de pessoas. As narrativas são cheias de argumentos prontos e suas desculpas parecem funcionar. Apesar disso, elas se chocam com os fatos.
Exemplo disso é a narrativa de que Lula é o candidato dos pobres. Já fez sentido essa narrativa, mas hoje ela não procede mais em relação aos fatos. Os pobres são os que mais têm medo de votar em Lula, por conta da influência das igrejas neopentecostais e da própria desproteção do Estado, que muito fala e quase nada faz.
O próprio Lula virou milionário. Seu patrimônio declarado é de R$ 4,7 milhões. Ele usa o pretexto da “democracia” para se vender, como um pelego político, para as classes dominantes. E a burguesia ilustrada que apoia Lula demonstra que não esconde seu desespero em pedir para os pobres votarem na reeleição do presidente.
São narrativas confusas, mas que só quem se esclarece melhor das coisas é que consegue ver contradições. Até lá, as pessoas sempre insistem nas narrativas oficiais, repetindo argumentos surrados, mas compartilhados por centenas de seguidores.
Lula, atualmente, é candidato das elites. Os fatos confirmam isso. Só que a burguesia ilustrada que o apoia é dissimulada, finge ser pobre mesmo com um patrimônio de mais de R$ 500 mil e salário superior a R$ 5 mil. E aí temos muito pobre fake entre a “gente bonita” que se ostenta nas redes sociais.
A nata da burguesia ilustrada é filha da geração tecnocrata que “arquitetou” o Brasil nos padrões de consciência social, vida cultural e crenças religiosas e até no cotidiano urbano (com os ônibus padronizados e tido) durante a Era Geisel, ainda no auge da ditadura militar. Essa geração corresponde às elites que saíram ganhando com o “milagre brasileiro” e levaram a melhor mesmo quando houve o colapso econômico mundial de 1973.
E a geração tecnocrata é filha da geração que fez o IPES-IBAD e se mobilizou para derrubar João Goulart em 1964. Muita gente tem dificuldade para entender porque os netos da geração IPES-IBAD resolveram defender a reeleição de Lula.
Sou jornalista e a função do jornalista é juntar as peças dos quebra-cabeças, cobrindo uma realidade que não é tão simples nem linear como grande parte das pessoas acredita ser. Em muitos casos, o mundo dá voltas mas, mesmo assim, escapa de qualquer análise maniqueísta.
Por isso, se os netos das elites que derrubaram Jango estão ávidos pela reeleição de Lula, isso não quer dizer que a burguesia ilustrada passou a ser boazinha e a amar os pobres como se fossem seus entes queridos.
O próprio Lula já não valoriza tanto os pobres assim, pois ele, desde 2022, passou a ser tomado de grande estrelismo e os pobres se reduziram a uma massa que só serve para aplaudir e dar votos para a maior estrela do PT. E Lula hoje é rico, com patrimônio milionário acima descrito.
O aparente favoritismo que Lula possui nas supostas pesquisas de opinião também desmente o seu vínculo com as classes populares, hoje decepcionadas com o presidente. Note que é o status quo da mídia, da sociedade e das instituições que hoje maiscdefendem Lula, o que indica que, no sistema de valores que temos, os excluídos não costumam ter voz ativa nas decisões e repercussões de fenômenos diversos.
Se o povo estivesse apoiando realmente Lula, numa sociedade hipermidiatizada e hipermercantil como a brasileira, ele nem estaria com destaque nas pesquisas, por incrível que pareça. E as atitudes de Lula, como dar baixos salários e cobrar impostos caros, fizeram afastar o povo do apoio ao petista.
Enquanto isso, a burguesia ilustrada, ávida em se ostentar para o mundo, vê em Lula o porteiro ideal para o mundo de sonhos e guloseimas dessa elite bronzeada. Daí que, de conveniências em conveniências, Lula acabou deixando de ser o líder dos pobres para ser o queridinho da burguesia de chinelos invisível a olho nu.

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